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quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Perguntar não ofende - 18


Leio na coluna do Ilimar Franco o seguinte (grifos NÃO SÃO meus):

O presidente do PSDB, Aécio Neves, para desfazer a imagem que a oposição perdeu o fogo, promete que vai falar grosso nas eleições municipais.


Minha pergunta:

Falar grosso, Aécio? Falar só agora, Aécio? Você me lembra é essa outra aí…

Dúvida cruel: "To be, or not to be?" Sou mais o Laerte, que sabe!


sábado, 7 de julho de 2012

O títere

Não sei o que viram nele, mas nunca me inspirou confiança. O olhar permanentemente enevoado e os modos rasteiros inspiram cuidados. Kassab é assim: extremamente discreto — dificilmente olha o interlocutor nos olhos — vende seu peixe a quem pagar mais. Oriundo de um partido quase morto — o DEM, ex-PFL — controla hoje o PSD, um dos maiores partidos do Brasil, especialmente agora que o TSE "reconheceu" que o tempo no horário político gratuito e participação no Fundo Partidário "pertence" ao político eleito e não aos partidos, contrariando uma decisão anterior do próprio TSE. Digamos que o TSE é episódico, senão conveniente ou conivente. O TSE, bem... o TSE é uma vergonha mas isso é assunto para outro dia.

Cevado pelas benesses dos apoios celebrados, Kassab não se importa em pisar num ou noutro calo. Repasso abaixo uma matéria do Estadão, onde Roberto Brant, uma das pessoas mais sérias da política mineira, resolveu abandonar o barco de Kassab ao primeiro sinal de mau cheiro, até porque onde há mau cheiro há sujeira. Grifos meus.

Brant deixa PSD após intervenção de Kassab em BH

CHRISTIANE SAMARCO - Agência Estado

A intervenção do prefeito de São Paulo e presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, em favor do PT na eleição de Belo Horizonte, produziu a primeira baixa no partido recém-legalizado. Inconformado com "o ato truculento" tramado no gabinete da presidente Dilma Rousseff para desmontar a aliança com o PSB do prefeito Márcio Lacerda, o vice-presidente nacional do PSD, Roberto Brant, abandonou o posto na direção partidária nesta sexta e anunciou sua desfiliação da legenda.

"Como é que o prefeito de São Paulo desembarca em Belo Horizonte para interferir na política mineira?", questionou o ex-deputado e ex-ministro do governo Fernando Henrique Cardoso que ajudou Kassab a montar o PSD em Minas Gerais. "Dizem que ele o fez para pagar , mas fiquei magoado e ferido como mineiro e dirigente do PSD porque não fui ouvido e BH não é moeda de troca para isto", protestou.

Brant entende que a tese da nacionalização da eleição em Belo Horizonte, não justifica "de jeito nenhum" a intervenção, até porque Kassab está praticando a política do "faça o que eu mando e não faça o que eu faço". Afinal, destaca, em SP Kassab apoiou Serra, "que faz o discurso mais oposicionista do Brasil". Ele diz que, entre a presidente Dilma e o senador Aécio Neves (PSDB-MG), não saberia em quem votar se a sucessão presidencial fosse hoje. "Não tenho restrição à Dilma", completa.

Brant afirma que o PSD foi constituído em reação ao autoritarismo dos partidos brasileiros, que em grande parte funcionam com comissões provisórias que são implodidas pela direção nacional sempre que há conflitos. No caso do jovem PSD, prossegue Brant, bastou um ano de existência e o primeiro embate, "e o partido implodiu".

O dirigente do PSD lembra que o PFL e o DEM mantinham a tradição de reuniões semanais da executiva nacional, com ou sem pauta de discussão. E reclama de que o novo partido jamais reuniu seus dirigentes. "Nascemos da crítica da falta de democracia no sistema partidário, mas o PSD se transformou rapidamente no mais antidemocrático, autoritário e personalista dos partidos relevantes no quadro nacional".

Ele reconhece em Kassab um político habilidoso que acumula vitórias, mas pondera: "Por mais talentoso e competente que o prefeito seja, ele é muito menos do que o necessário para se formar um partido que sirva à democracia brasileira. Kassab feriu profundamente as tradições e o sentimento de Minas e está contrariando os compromissos que ele mesmo firmou, com o exercício do poder pessoal levado ao extremo".

Questionado sobre a decisão radical de sair da vice-presidência nacional do PSD e se desfiliar sem sequer comunicar ao prefeito, Brant diz que poderia sair em silêncio, mas decidiu protestar e não tinha outra forma de fazê-lo. Ele entende que uma pessoa sozinha não pode governar um partido de 56 deputados e dois governadores, mas diz que não há como mudar esta realidade.

É inequívoca a manobra do PT para enfraquecer o pré-candidato Aécio. Todos sabem que a campanha presidencial de 2014 já se iniciou e que o primeiro movimento são essas eleições municipais.

Aécio está fazendo um grande esforço para ser o "nome das oposições". Ele até tem esforçado primeiro em remover obstáculos — Serra o maior deles — e parece ter conseguido. A fraqueza de quadros no PSDB paulista praticamente obrigou Serra a caminhar para o "cadafalso" da candidatura municipal inviabilizando uma quase certa pré-candidatura presidencial para 2014. Com o PSDB acuado em São Paulo e Minas, não se pode abrir mão de uma prefeitura como a da cidade de São Paulo, o que foi bastante conveniente para as pretensões do senador Aécio.

Isto não passou despercebido a Serra e a seus apoiadores — Kassab o maior deles — que podem ter resolvido jogar outras pedras no aparentemente "caminho das flores" de Aécio. Para ele, manter o governo de Minas e o da cidade de Belo Horizonte é fundamental. Além disso, aumentar sua penetração no Nordeste, notório reduto petista, daí a necessidade do apoio de Campos, Cid e Ciro Gomes. Assim, a manobra pode ter sido mais que um simples resgate de "débitos políticos atrasados com o PT", como apontou Brant, mas também uma provocação a Aécio.

Minar o processo político para a prefeitura de Belo Horizonte pode ter sido uma manobra pouco inteligente do "hábil" Kassab, que posa de cisne mas já se mostra mesmo como corvo e títere do PT.

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Ciro Legal


Kaboooog!!!
Muita gente não vai entender — o cartoon já tem algumas dezenas de anos fora do circuito normal — mas Pepe Legal é a cara do Ciro. Fanfarrão, metido a sabe-tudo e trapalhão. Não fosse o burrico Babalu (Baba Looey no original) ele se veria sempre em maus lençóis. Na verdade, está sempre a fazer burradas, enquanto seu fiel escudeiro, o Mexican burro Baba Looey, retira as castanhas quentes do fogo para ele. Típico...

Histriônico como de hábito, Quick Draw McCiro aperta o gatilho da sua metralhadora giratória. É sempre assim quando se avizinha uma eleição. Parece que baixa um "santo" e ele perde completamente o controle dos músculos da boca e dos neurônios do cérebro. É como no desenho animado, só que Quick Draw McCiro não tem um Mexican burro só dele, razão pela qual acaba sempre recebendo aquilo que tão abundantemente joga no ventilador da mídia... Segue abaixo um pouco do "nosso" Quick Draw McGraw, o Ciro Legal sem Babalu. Volto depois.

Ciro Gomes: ‘O PSB não é sublegenda de partido nenhum’

Blog do Camarotti
O ex-ministro Ciro Gomes rebateu críticas de setores do PT incomodados com a decisão do PSB em disputar eleições contra os petistas em capitais como Belo Horizonte, Recife e Fortaleza.

“O PSB não é sublegenda de partido nenhum”, avisou Ciro. Num recado direto aos petistas, disse que o partido tem que ser respeitado na sua estratégia de poder. “Temos que ser respeitados como partido quem tem pretensão de participar com as suas próprias ideias e quadros do debate brasileiro”.

Ele lembrou que o PSB fez grande esforço para convencer o partido em São Paulo em apoiar a candidatura do petista Fernando Haddad. E ressaltou que, em 2010, sua candidatura presidencial foi sacrificada para o PSB apoiar Dilma.

“Eu próprio fui sacrificado, na justa pretensão que tinha, e acredito que com a história que tinha era o mais preparado das possibilidades de candidatura na eleição passada. E o partido retirou minha candidatura quando estava em segundo lugar nas pesquisas para apoiar a presidente Dilma, do PT. Se o PT não entender isso, é porque a goela do PT ficou maior do que a cabeça”, disparou Ciro.

O ex-ministro também atacou o senador Aécio Neves (PSDB-MG) por ter trabalhado nos bastidores para implodir a aliança com petistas e tucanos em torno da reeleição do prefeito de Belo Horizonte, Márcio Lacerda (PSB). Ele disse que ficou decepcionado com ação de Aécio, numa recente conversa que os dois tiveram para tratar da aliança na capital mineira.

“Foi nessa conversa que me decepcionei, não com ele, mas com a atitude nesse assunto”, disse Ciro para em seguida completar: “À medida que ele faz o jogo da coisa miúda, ele descumpre a própria tradição de Tancredo Neves. Se ele tem essa missão histórica do futuro ele não pode ficar cuidado de aliança de vereador e ficar botando faca no pescoço de aliados como eu.”


Nem tudo o que Ciro diz é inverdade, bem ao contrário. O problema dele, a meu ver, é a imprecisão. Como no desenho animado, Ciro "Saque Rápido" (Quick Draw) pode até ser rápido no saque e no manejo da arma, mas é ruim de pontaria e trapalhão; frequentemente atirando em seu próprio pé como ocorrido na eleição presidencial de 2002 quando liderava o pleito. Para os que não se lembram, durante os primeiros meses de campanha, Ciro Gomes esteve disparado na frente de Lula e Serra.

"Pepe Legal tem mesmo é miolo mole."
Pessoas dizem que ele tem uma metralhadora giratória, mas eu acho que o que ele tem é um ventilador e muita merda para jogar nele. E aí é um Deus nos acuda porque todo mundo sabe o que acontece quando se joga algo no ventilador: pode ir para qualquer lado ou mesmo para todos! razão pela qual não se deve jogar fezes nele.

Mas Ciro não está nem aí. Tanto faz se ele quer atingir Serra, Aécio ou Lula... Tanto faz se seu alvo é o PSDB, o PT ou seu próprio PSB; sua escolha sempre recai na arma errada e aí é merda pra todo lado — Ciro no meio.

Ciro diz — apropriadamente — que "o PSB não é uma sublegenda de nenhum partido", mas não é assim que o PSB se mostra. Como ele próprio relata, eram aliados do governo estadual paulista e passaram a apoiar o candidato do PT após uma simples "conversa" de Lula com o seu presidente, o governador Eduardo Campos. O mesmo ocorreu em Belo Horizonte, onde o candidato-de-bolso-de-colete-do-Aécio — Márcio Lacerda — resolveu cuspir no prato peessedebista depois do dito convescote Lula-Campos. Até o Aécio ficou vendido nessa e resolveu reagir. Segundo se ventilou aqui, até mesmo ao candidato derrotado no último pleito — Leonardo Quintão (PMDB) — foi oferecido apoio. Tudo indica que Márcio Lacerda recuou nas suas pretensões de voo solo, ou do seu partido, até porque ainda não tem "asas" para isso.

"E nô-o se esqueça disso!"
Será que é esta a "faca no pescoço" à qual o Ciro se referia? Não posso afirmar, mas a verdade é que Aécio fez movimentos nas sombras nessas últimas semanas e o quadro político local mudou. Neste porém — a contrário do que diz Ciro — Aécio é bem mais habilidoso e bem menos trapalhão. Ele não queima pontes, ao contrário de Ciro, mostra-se sempre conciliador apesar de manter-se firme. Ciro diz que a faca em seu pescoço era de Aécio, mas vocês notaram que "a faca que o sacrificou" estava na mão de Lula? Por que ele não disse disse com todos os efes e erres o que todos sabem? Medo? Subserviência?

O PSB é um partido que cresceu muito nas últimas eleições, com grande representação no Congresso, vários Governadores e participação ativa no governo Dilma — é da base governista — mas se mantém pequeno e subserviente. Ciro também. Talvez esteja no seu quase ostracismo político a razão dos seus destemperos. A ele falta ajustar o alvo — sua pequenez e a do seu partido — e melhorar em muito sua pontaria, porque jogar fezes nos outros é coisa de símios, especialmente aqueles de zoológico.

sábado, 30 de junho de 2012

Quem muito abaixa...

Nada como um dia após o outro. Já disse, mais de uma vez, que com a esquerda basta dar a corda que eles se enforcam sozinhos...

Crise entre PT e PSB chega a Belo Horizonte

Partidos esticam a corda até este sábado, último dia para convenções
O Globo

BELO HORIZONTE - Depois de romper em Recife e Fortaleza, PT e PSB se estranham em Belo Horizonte, com a pressão petista por uma coligação na chapa de vereadores. O PT ameaça implodir a aliança que, em 2008, uniu ainda o PSDB para a eleição de Marcio Lacerda (PSB). Se o partido do prefeito aceitar a exigência dos petistas, os tucanos prometem deixar Lacerda. Envolvidas numa complexa negociação, as três legendas esticam a corda até este sábado, último dia para convenções.

Temeroso com a possibilidade de rachas e sem saber o que é pior — perder o PSDB e o palanque com o senador Aécio Neves (PSDB) ou o PT, com forte votação em áreas mais pobres da cidade —, Lacerda tenta costurar um acordo.

O PT teme perder cadeiras na Câmara Municipal e estabeleceu como condição para apoiar Lacerda a coligação proporcional com o PSB. Rachados, já que uma ala da sigla defendia candidatura própria, os petistas tinham garantido o vice, o deputado federal Miguel Corrêa Júnior. Na negociação, o PSDB ficaria com a presidência da Câmara.

Na noite de quarta-feira, a Executiva municipal do PSB aprovou resolução que sinaliza o veto à coligação proporcional com os petistas. Mas, preocupado com um agravamento das relações entre PT e PSB em âmbito nacional, o presidente do PSB-MG, Walfrido Mares Guia, ainda não descarta a possibilidade de ceder aos petistas.

Vai, Mares Guia! ser gauche na vida...

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Com que voto que eu vou?

Do blog do Noblat, postagem de Marcos Coimbra, uma boa análise da campanha eleitoral da Cidade de São Paulo. Depois dou meu pitaco; grifos meus.

Boas e Más Notícias sobre a eleição em São Paulo

A recente pesquisa do Datafolha sobre a sucessão em São Paulo trouxe boas notícias para alguns candidatos e más para outros.

Os trabalhos de campo aconteceram na quarta e quinta feira passadas, em um momento de pequeno significado político. Não são usuais os levantamentos na metade de junho, fase em que - especialmente nas grandes cidades - as campanhas estão absortas em movimentos internos, de composição de chapas e articulação de coligações.

Para o eleitorado, nada dizem.

Só no final do mês - quando termina o prazo para as convenções e se delineia o quadro definitivo -, surgem novidades. É lá que, tradicionalmente, as pesquisas são retomadas.

O Datafolha, por exemplo, nem em 2004 ou 2008 fez pesquisas em meados de junho. Deve ter tido razões para realizar essa agora.

Os números são particularmente ruins para Serra. Mostram que o tucano estacionou nos 30%, posição incômoda para quem tem 100% de conhecimento e precisa crescer.

E não foi por falta de mídia simpática que empacou.

O tamanho do problema que enfrenta pode ser avaliado comparando sua performance à de candidatos parecidos: ex-governadores que concorrem - ou que parecia que concorreriam - à prefeitura das capitais.

Nas pesquisas dos últimos meses, chegamos a ter sete com esse perfil.

Eduardo Braga (PMDB), Paulo Hartung (PMDB), João Alves (DEM) e Ronaldo Lessa (PDT) são os mais semelhantes a ele: além de governadores, foram prefeitos - respectivamente de Manaus, Vitória, Aracaju e Maceió.

Em nenhuma pesquisa, os três primeiros tiveram menos que 45% (mas Hartung já avisou que não disputará este ano).

Lessa está aquém, embora melhor que o paulista. José Maranhão (PMDB), em João Pessoa, igual - ainda que enfrente um prefeito bem avaliado. Serra só superava Almir Gabriel (PTB), que aparecia tão mal que desistiu da prefeitura de Belém.

É pouco para quem foi tudo na política da cidade e do estado - e acabou de ser candidato à presidência da República.

O cenário se torna mais preocupante se considerarmos que seus possíveis adversários têm todos biografias menos completas - nenhum ocupou cargo executivo, nenhum tem sua visibilidade. Para ele, deveria ser uma briga fácil.

Os 30% que obteve estão desconfortavelmente próximos dos 21% do segundo lugar, Celso Russomano - hoje em um partido de pequena expressão, o PRB, e sem mandato (e que, no levantamento anterior, estava com 19%).

Em terceiro lugar, há um empate quíntuplo: Fernando Haddad (PT), Soninha (PPS), Netinho de Paula (PCdoB), Gabriel Chalita (PMDB) e Paulinho da Força (PDT) têm entre 8% e 5%. Todos variaram dentro da margem de erro em relação à última pesquisa.

O único que melhorou foi o candidato do PT. De 3%, foi a 8%.

É pouco, mas é um desempenho razoável - para quem é “muito bem” conhecido por apenas 9% dos entrevistados e “um pouco” por 19%. Em outras palavras, para quem pode crescer na grande maioria do eleitorado, os 72% que o conhecem “só de ouvir (falar)” ou que sequer sabem quem é.

Com perspectiva semelhante, apenas Gabriel Chalita - conhecido por 32%. Os outros - de partidos minimamente competitivos - estão bem acima: Russomano por 71%, Netinho por 82%, Soninha por 60%, e Paulinho por 71%.

Quando a propaganda eleitoral começar, tudo pode mudar. A pergunta é que benefício trará a Serra - que está em sua oitava eleição majoritária - e aos demais candidatos que a população cansa de saber quem são.

A pesquisa não revelou nenhuma grande alteração no cenário. Mas tanto a estabilidade, quanto as pequenas mudanças foram negativas para o candidato do PSDB.

Meu Pitaco:


Eu gostei da análise do Coimbra, inclusive quando ele mencionou que Serra, personalidade amplamente conhecida do público brasileiro e, mais ainda, do público paulista, mostra um evidente desgaste político ao exibir estáticos 30%, quase um Russomano. Acho que o eleitorado se cansou dele...

Também a comparação com outros políticos em situação semelhante (ex-governadores e/ou ex-prefeitos em campanha pela prefeitura, cada um no seu galho) ele se mostra apenas em penúltimo lugar (!), uma incômoda colocação para quem, há menos de dois anos, obteve grande exposição em campanha presidencial. Aliás, é bom que se diga, Serra se mostrou em situação bem melhor naquela época, algo como 40% de intenções contra os 3% de Dilma, medidos também no início da campanha. Desnecessário dizer que Serra perdeu o embate e me parece bem a ponto de perder mais um.

Isto me trás à memória uma frase sobre Aécio Neves, quando este ainda procurava a indicação do seu partido para aquele pleito presidencial, relativa "a demonstração pública de sua capacidade em aglutinar diferentes agentes políticos [em torno de si]". Ora, se é público e notório que Aécio tem tais qualidades, também é que Serra é exatamente o oposto — centralizador, seu adjetivo mais conhecido.

Não quero desqualificar Serra, muito menos qualificar Aécio. Critico a ambos com a mesma desenvoltura que os elogio, dependendo do momento. O fato é que, para se fazer política aqui, é necessário negociar, transigir. O que sobra em um falta no outro.

O recente episódio Lula-Maluf sinaliza bem isso. Maluf é uma raposa, um sobrevivente na política. Há que se notar que ele se mantem à tona em meio a borrascas e marolas, e com grande desenvoltura. Então, o que teria feito essa raposa se escafeder da quase celebrada aliança com Serra e o PSDB? Reinaldo Azevedo diz/supõe que foi porque Serra não se dobrou às exigências do Maluf... Será? Eu já acho que não. Na minha modesta opinião, Maluf abandonou o barco que sabe afundar — uma conhecida característica de ratos, grandes sobreviventes — no puro instinto.

Eu não sei dizer ainda se a candidatura Haddad vai decolar — há muita água para passar sob essa ponte — mas se Lula já fez seu hat trick antes, pode fazê-lo de novo agora, ressalvado outros fatos como o julgamento do Mensalão e mesmo o Escândalo dos Aloprados, ambos imputáveis ao PT e que podem ofuscar e mesmo detonar com a campanha e o partido. Diria ainda que vai depender mais dos oponentes de Lula-Haddad do que deles próprios. Mesmo assim, salvo um milagre, uma mudança de conduta, não vejo muita esperança para Serra; nem eu, nem o Maluf.

Não posso dizer que é instinto (nunca fui lá muito instintivo), mas enquanto lia a matéria, surgiu-me a lembrança da música de Noel. Pus a letra abaixo. Cai como uma luva, não cai?!

Com Que Roupa?
Noel Rosa

Agora vou mudar minha conduta
Eu vou pra luta pois eu quero me aprumar
Vou tratar você com a força bruta
Pra poder me reabilitar

Pois esta vida não está sopa
E eu pergunto: com que roupa?
Com que roupa que eu vou
Pro samba que você me convidou?
Com que roupa que eu vou
Pro samba que você me convidou?

Agora eu não ando mais fagueiro
Pois o dinheiro não é fácil de ganhar
Mesmo eu sendo um cabra trapaceiro
Não consigo ter nem pra gastar

Eu já corri de vento em popa
Mas agora com que roupa?
Com que roupa que eu vou
Pro samba que você me convidou?
Com que roupa que eu vou
Pro samba que você me convidou?

Eu hoje estou pulando como sapo
Pra ver se escapo desta praga de urubu
Já estou coberto de farrapo
Eu vou acabar ficando nu

Meu terno já virou estopa
E eu nem sei mais com que roupa
Com que roupa que eu vou
Pro samba que você me convidou?
Com que roupa que eu vou
Pro samba que você me convidou?

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Explicações são devidas; resta saber a quem.

Do blog do Camarotti direto para vocês, grifos meus.

Eduardo Campos pede explicações a Erundina

O governador de Pernambuco e presidente nacional do PSB, Eduardo Campos, está reunido neste momento, em Brasília, com a deputada federal Luiza Erundina.
O cacique pede explicações sobre declarações de que ela poderia recuar no posto de vice de Fernando Haddad na disputa pela Prefeitura de São Paulo, após o anúncio, com foto, do apoio de Paulo Maluf ao candidato petista.

Eduardo Campos deve manifestar sua surpresa pelo posicionamento de Erundina, sem que o assunto tenha sido levado ao conhecimento do comando partidário.

Participam também do encontro o vice-presidente do PSB, Ricardo Amaral, e o secretário da sigla Carlos Siqueira.

Meu pitaco:


O neo-cooptado Dudu Campos foi pego de surpresa pela reação de Erundina em não aceitar a convivência política explícita com Paulo Maluf e seu PP, apesar da existência da convivência implícita — ambos apoiam o governo Dilma, assim como apoiaram o governo Lula. A verdade é que a puxada do tapete onde se encontrava o governador de Pernambuco pegou muito mal para ele. É que nesses tempos modernos exige-se que os presidentes de partido tenham seus filiados em rédea curta — "éguas" xucras como Erundina não podem ser toleradas, nem "éguas", nem "potros". Lula, por exemplo, soube como por a liça na Marta, já Dudu...

Num post abaixo eu já exortava Erundina ao imediato rompimento com o conchavão. Tudo indicava que — enquanto eu escrevia aquelas linhas — ela chutava o pau da barraca. Bem feito! E não há motivos para Dudu Campos se melindrar porque as razões de Erundina são históricas — ela fez justiça ao seu passado, seu presente e seu futuro. O que eles nunca deveriam ter feito é pôr Erundina e Maluf na mesma baia. Aí já é demais, né? Campos tomou chumbo na asa — nada diferente do que ele fez com Aécio em Minas — o que é um consolo, afinal, "chumbo trocado não dói!"

Para terminar, eu sei que o minuto e meio de Maluf na TV não são de se desprezar, mas há limites. Existe uma tênue linha que separa o desejável do condenável e Lula e o PT perderam essa noção após os mais de oito anos no poder. É como no dito: "O poder corrompe; o poder absoluto corrompe absolutamente." Não é assim tão difícil entendê-los...


Aliás, a dica de leitura na charge do Sponholz é perfeita. Nem é assim tão nova — eu mesmo venho indicando a obra de Orwell desde os primeiros anos do primeiro governo Lula — tamanhas são as coincidências entre ambos. E minha opinião ainda não mudou. Nada explica melhor o lulo-petismo que "A Revolução dos Bichos" (Animal Farm) de George Orwell. É um livrinho pequenininho, pode ser lido em poucas horas, mas mostra bem o "pensamento" por detrás disso que está aí. Boa leitura!

domingo, 3 de junho de 2012

Lula: 'Não permitirei que um tucano volte a presidir o Brasil' — ou: 'O eleitor é só um detalhe'

Nunca antes na história dessepaiz a Arrogância teve melhor representante. Não há medidas ou limites para o que Lula pode produzir em matéria de desrespeito e escárnio. E não é só contra nós não; ele não respeita nem mesmo seus correligionários, como a presidenta Dilma ora no exercício do Poder. Na sua visão bem particular ela só serve mesmo para manter a cadeira quente.

Em entrevista ao Ratinho — nada mais conveniente que um ratinho para entrevistar um graúdo da espécie — Lula segue fielmente a cartilha Goebbels: mentir repetidamente até fazer da mentira verdade. Abaixo, trechos da entrevista-palanque com grifos meus.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva admitiu nesta quinta-feira pela primeira vez que pode voltar a se candidatar à presidência. Lula disse no Programa do Ratinho, do SBT, que entra na disputa caso a presidenta Dilma Rousseff desista da reeleição com o objetivo de evitar a volta do PSDB ao governo.

“A única hipótese de eu voltar a me candidatar é se ela não quiser. Não vou permitir que um tucano volte a presidir o Brasil”, disse Lula.

A primeira entrevista de Lula depois de diagnosticado o câncer na laringe em outubro do ano passado também serviu de palanque para o candidato do PT à prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad. O ex-ministro da Educação, empacado em 3% nas pesquisas de opinião, foi mostrado duas vezes, identificado como candidato de Lula, convidado a sentar à mesa de entrevista e alvo de fartos elogios.

A pedido de Ratinho, Lula justificou o fato de ter escolhido um nome novo para concorrer. “O prefeito de São Paulo quando começa a nascer qualquer que seja já nasce um pouco velho”, afirmou. Além de Haddad, Lula chegou ao SBT acompanhado do prefeito de São Bernardo, Luiz Marinho, do deputado Ratinho Jr. (PSC-PR), do vereador José Américo e assessores.

Desde o início do programa Ratinho avisou que não faria perguntas incômodas ao ex-presidente. “Ele não é mais presidente da República e não tem que ser cobrado por nada. Vamos falar da saúde, da recuperação, de política e desse timeco do Corinthians”, avisou. Pouco depois, ao pedir que os telespectadores enviassem perguntas pela Internet, Ratinho foi ainda mais explícito.

“Aí começa todo mundo a mandar email com perguntinha besta mas eu não entro nessa. Vou conversar com o meu amigo Lula”, disse o apresentador. “Se for pergunta boa eu faço. Pergunta ruim não faço”, completou.

Quando faltava um minuto para o final do programa Ratinho citou o episódio com o ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes. “Eu nem ia perguntar sobre essa história do Gilmar Mendes porque o povão não entende muito”, disse o apresentador.

"Não tenho interesse em falar nisso. Quem inventou que prove a história. Quem acreditou nela que continue provando. O tempo se encarrega de arrumar as coisas", afirmou Lula

Ao longo de 44 minutos o ex-presidente foi alvo de elogios e teve o microfone à disposição para, com a voz fraca, atacar os adversários. Ao justificar as falhas no sistema de saúde pública, Lula acusou a oposição de acabar com a CPMF por vingança.

“Eles (adversários) não perceberam que não me prejudicaram mas prejudicaram o povo pobre. Por vingança me tiraram a CPMF que era imposto de rico”, afirmou.

Além de fazer política, Lula falou da vida fora da presidência e do tratamento contra o câncer na laringe. Lula falou das dificuldades do tratamento, da dor e de sua nova rotina. Apesar do assunto delicado, Lula mostrou bom humor ao comentar o terno que estava usando. “Eu brinquei com o Ratinho que este terno aqui comprei quando estava internado no hospital me preparando para por no caixão. Porque com terno velho eu não iria”, disse.

Não há como negar, Lula é um artista. Tal e qual um camelô ele mantêm a plateia mesmerizada com suas prestidigitações verbais, suas frases de efeito. Será que foi por isso que a entrevista foi no SBT? Pode ser, mas pode ser apenas a contra-partida pela "salvação" do Panamericano, isto é, do seu dono Senor Abravanel, mais conhecido como Sílvio.

A plateia vil e ignara adora as macaquices e o que Lula mais tem à sua volta são macacos amestrados. Macacos e macacas. O que os amestrados não sabem (ou fazem por não saber) é que eles nunca passarão de eventuais e necessários tampões, como a presidente em exercício, destituída do cargo no meio do exercício. Bestial!

Interessante notar que Lula "tema" o PSDB. Não sei se ao PSDB mesmo ou se à investida recente de Aécio como postulante ao cargo. Eu sempre disse que o PSDB errou ao enfrentar a candidatura Dilma com Serra. O resultado foi duplamente desastroso. Perdesse com Aécio e ainda ficariam os dedos, dedos que se foram com os anéis. O PSDB entrou no jogo, subestimou o adversário e perdeu fragorosamente. No futebol, analogia tão apreciada pelo vivaldino molusco, diz-se que o time entrou em campo com salto alto para jogar... É bem por aí.


É bom que fique claro, de uma vez por todas, que Lula sabe manejar muito bem o universo político. No seu enfrentamento não deve ser subestimado mas temido. Notaram que ele ainda não largou aquele osso da CPMF? Adivinhem qual imposto vai voltar se ele for eleito. Fosse o Ratinho algo mais que um pau mandado, ele arguiria o "entrevistado" que num país que tem uma das maiores cargas tributárias do mundo, algo aí próximo dos 40% do PIB, apenas míseros 3% retornam na forma de investimento. Em outras palavras, caro leitor, qual seria a parte mais favorecida por uma eventual CPMF? Seriam os tais 3% que cabem à sociedade ou os 97% que cabem ao governo? Acho que você sabe a resposta...

A entrevista-palanque foi um show de marketing político. Perguntas escolhidas a dedo e bolas levantadas para a cortada fatal. Só mesmo numa TV que anda caindo pelas tabelas, tal e qual o apresentador do programa, o ex-presidente podia armar o seu showzinho particular a preço e condições módicas. Nada do imbróglio com o STF e o ministro Gilmar foi tratado, apesar de todo mundo que se deu ao trabalho de assistir à pantomima o ter feito apenas para conhecer sua (dele) versão dos fatos. Que nada!

Mas se tiver que ser Lula — de novo — que seja. Que venha Lula! A Democracia tem algo a ensinar a este que é o mais antidemocrático dos nossos políticos; passados, presentes e futuros. Que caia pelas urnas — se for ele mesmo o candidato em 2014 —, ainda que a julgar por sua aparência, acho que ele poderá acabar mesmo fazendo bom uso daquele terno. Amém!

segunda-feira, 26 de março de 2012

Ninguém merece

Tem gente que gosta. Reinaldo Azevedo gosta. Mas depois de ler esta reportagem do Estadão, é para se perguntar se o paulistano merece "tudo" isso. Grifos meus.

José Serra: ‘No nosso partido não tem dedaço'

Pré-canditado destaca o apoio do prefeito Gilberto Kassab à sua candidatura
SÃO PAULO - José Serra afirma que a democracia interna pode ocorrer com ou sem prévia, mas que no PSDB não há "dedaço". Ele destaca o apoio de Gilberto Kassab (PSD) à sua candidatura.

O sr. acredita que a prévia zelou pela democracia interna?
Um partido pode ter democracia interna com ou sem prévias. No PSDB, nunca ninguém deu um golpe de Estado ou baixou alguma autoridade suprema para dizer quem seria "o" candidato. No nosso partido, não há dedaço. Sempre foi um processo negociado, com democracia interna. Realizar prévias é uma das formas do exercício democrático. Dois pré-candidatos desistiram (Covas e Mattarazzo) porque consideraram que a minha postulação satisfazia suas proposições.

O governador Geraldo Alckmin teve papel isento no processo?
Foi e é isento como governador.

É importante receber o apoio do prefeito Gilberto Kassab?
É importante e estou satisfeito com isso. Aliás, pelo visto, o PT também achava importante. Tanto é que tentou obter o apoio do prefeito.

Entre três temas abordados com frequência em campanhas - educação, saúde e transportes - qual seria o mais relevante?
Os três. Não existe essa hierarquia. Você não usa ônibus em sala de aula, não alfabetiza em hospital nem cura as pessoas no transporte coletivo. É como indagar se água é mais importante do que comida ou se ambas são mais importantes do que a liberdade. Quem escolher ou água ou comida está escolhendo se morre de sede ou de fome. Quem escolher as duas e renunciar à liberdade, vai comer mal e beber mal numa masmorra.

Haverá polarização entre o PT e o PSDB na eleição de SP?
Quem decide é o eleitor.

A eleição, exemplo da de 2010, será marcada por uma discussão sobre costumes, como aborto?
Isso é tolice. Em 2010, esses foram temas inventados por meus adversários. Alguém leu ou ouviu alguma declaração minha a respeito neste ano? Quem não fala em outra coisa são os petistas. Têm receio desse assunto e atribuem aos outros uma ação que é deles. Estão muito preocupados. Eu não. Não tenho de esconder as minhas opiniões. Não tenho a ambição autoritária de dizer o que as pessoas podem ou não debater.
Na minha modesta opinião, o Serra surtou e voltou aos seus tempos de UNE. O que é isso companheiro?! Vamos lá:
  1. Todo mundo sabe que o o que mais existe no PSDB é "dedaço". Dizem até que são três: o do FHC, o do Aécio e o do... do... do Serra mesmo.
  2. O Covas e o Matarazzo retiraram suas candidaturas por força de "dedaços" do governador Alckmin.
  3. Alckmin nunca foi isento; nem como governador, nem como Alckmin.
  4. Claro que existe hierarquia, porque não se pode fazer tudo a um só tempo. Falar que educação, saúde e transportes são igualmente importantes é repetir o óbvio. Sabemos que quem fala assim acaba por fazer nada, então, inteligente é dizer o que se vai fazer, quando e com o que. Serra, onde foi que você comprou seu diploma de economista? Já o resto da sua resposta cheira a cânhamo, como na UNE.
  5. "Ambição autoritária?!" Não há no mundo quantidade suficiente desse material que satisfaça à necessidade de Serra. Mentiroso e palanqueiro como o Lula.
Pois é, o paulistano vai ter que coçar a moleira para escolher seu prefeito. Entre o Serra e o Haddad, quem começa a ficar palatável é o Chalita. Ô sina...

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Não passa de um covarde


Nunca gostei dele. Fosse outro em seu lugar, eu provavelmente não teria votado em Lula em 2002. Sei lá, é sempre ruim quando o que se tem para escolher fica entre péssimo e muito ruim. E tem mais: fosse ele a alternativa em 2002, não se pode garantir que teria melhor consequência. Com tudo o que eu tenho para desaprovar em Lula e Dilma, não consigo enxergar melhor destino com Serra.

De qualquer forma, nota-se que os tempos estão mudando. Estava preparando um artigo versando sobre economia quando o vídeo que divulgo abaixo me "atropelou". Precisamos de mais pessoas como a Sra. Catarina Rossi, que tenham a coragem de vir à frente falar que não concorda com os conchavos urdidos pela "Executiva" e abonados por deputados e apaniguados no exercício do Poder. Catarina, a Grande!


Como é bom que se digam verdades assim, abertamente. A covardia e arrogância de "Serras" e "Aécios" é que nos presenteiam com "Lulas" e "Dilmas". Não se enganem, qualquer um dos quatro postulantes a candidato a Prefeito de São Paulo pelo PSDB, aqueles que se apresentaram voluntariamente ao escrutínio das prévias, têm o meu irrestrito apoio. O "pior" deles — se é que cabe o adjetivo — vale mil Serras, porque um político que tem medo das urnas do seu partido não pode ser indicado às urnas da sua cidade, estado ou País. Eu repito que Serra não passa de um covarde, arrogante e um não-democrata. São Paulo merece alternativa melhor, aliás, terá uma escolhida entre quatro.

Este vídeo, publicado num site de apoio ao PSDB, foi removido "a pedidos". Como nosso compromisso aqui é com a boa prática política e não com partidos, aqui ele vai ficando...

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

O Brasil é um avestruz: esconde a cabeça num buraco enquanto expõe o outro

Leio esta entrevista — bem na capa do Estadão de hoje — e fico pasmo. Será que conseguimos nos abaixar ainda mais? Repasso a matéria e volto depois. Grifos meus.

Antes de visita ao Brasil, Valcke cobra aprovação de lei

Secretário-geral da Fifa está preocupado com as pendências da legislação brasileira para a Copa

AE - Agência Estado

ZURIQUE - O secretário-geral da Fifa, Jerome Valcke, inicia na segunda-feira a primeira de uma série de visitas bimestrais ao Brasil, em que se reunirá com autoridades e acompanhará o andamento das obras para a Copa do Mundo de 2014. A principal preocupação do dirigente nesse momento é Com a aprovação da Lei Geral da Copa. Antes de chegar ao País, Valcke voltou a cobrar uma rápida solução para as pendências da legislação, tratada como fundamental pela Fifa para a organização do Mundial.

"Naturalmente, porém, a Lei da Copa será a base do sucesso brasileiro na organização do torneio", disse o secretário-geral da Fifa. "Por este motivo, aproveitarei a estada no Brasil para fazer diversas reuniões com as várias partes interessadas para explicar questões específicas face a face e para garantir que possamos fechar este capítulo até março. O tempo está passando rápido como nunca e a expectativa aumenta para todos nós."

Jerome não pede; manda!
Na segunda-feira, Valcke vai se encontrar com o ministro do Esporte Aldo Rebelo, com quem discutirá a situação da Lei Geral da Copa. O encontro também contará com a participação do ex-jogador Ronaldo, membro do Conselho Administrativo do Comitê Organizador da Copa do Mundo de 2014.

Acompanhado de Ronaldo e Rebelo, Valcke vai visitar Fortaleza e Salvador para avaliar os preparativos das duas cidades para a Copa do Mundo de 2014. Os encontros nas cidades nordestinas estão marcados para terça-feira. Fortaleza foi indicado como uma das sedes da Copa das Confederações de 2013, enquanto a capital da Bahia depende da evolução das obras da Arena Fonte Nova para receber jogos do torneio próximo ano.

"Estou muito feliz que o ministro do Esporte e Ronaldo estejam nos acompanhando nestas importantes visitas", disse Valcke. "A participação deles sublinha o compromisso conjunto de fazer da Copa do Mundo da FIFA 2014 um sucesso. As cidades-sede e os estados são parceiros fundamentais na medida em que proporcionam a infraestrutura básica. As discussões com as autoridades locais são importantes sobretudo por viabilizarem a troca de informações."

Após visitar Fortaleza e Salvador, Valcke seguirá para o Rio, onde participar de reunião do conselho do Comitê Organizador Local (COL), na quinta-feira. No encontro, o COL e a Fifa vão debater os preparativos para a Copa de 2014 e outros temas importantes, como o lançamento do slogan e da mascote oficial, o anúncio do calendário de jogos da Copa das Confederações e o sorteio da competição, que marcará também o início da venda de ingressos.

Dilma, que jurou defender e obedecer a Constituição,
passa-a à FIFA para o Blatter limpar o b...
Eu torço para que a manchete seja só um truque jornalístico para vender mais jornais, mas o mínimo que se pode dizer é que "nunca antes na história dessepaiz" a Nação foi tão ultrajada. Acho que podemos adotar a sugestão do Reinaldo Azevedo e mudar logo o nome do País para Banânia.

Quer dizer que uma organização — ainda que das mais poderosas — dita aquilo que nós devemos fazer para que "o evento seja um sucesso". Olha, Sr. Valcke, eu queria lhe dizer o que você, o seu patrão e nossos parlamentares chibungos podem fazer com essa tal "lei da copa"... Digamos que é o mesmo que se faz com um supositório, porque eu já sei o que vocês estão fazendo com nossa Constituição.

Essa Copa será a redenção de muita gente, muito dinheiro do Tesouro enriquecerá a patota do Ali Babá. Ao invés das oito (8) sedes habituais, serão doze (12), uma dúzia inteirinha, 50% a mais que nas Copas anteriores. Estádios, dentre outras obras, estão sendo construídos pelos custos exorbitantes e obscenos de costume, em cidades onde serão realizados apenas três (3) partidas, grande parte delas no Nordeste — celeiro de votos da petralhada. Alguém aí pode calcular o preço do minuto dessas pelejas? Só mesmo em Banânia, digo, no Brasil, que uma coisa assim é feita e ninguém diz absolutamente nada. Aliás, onde anda a tal oposição a este governo de gatunos? Por onde anda Aécio?

Aécio!! Cadê você?! ...

...assim por trás não dá pra ver!!

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Muita esperteza

Aqui em Minas se usa dizer que "esperteza quando é muita vira bicho e come o esperto". Dizem que quem gostava muito da frase era o finado Tancredo Neves, avô e mentor do hoje senador Aécio Neves, virtual candidato à Presidência da República em 2014. Lendo a matéria publicada no Estadão, tenho dúvidas se Aécio ouviu a tal frase do avô. Repasso trechos, grifos meus.

Aécio fala em aliança com PSB em 2014

Embora reconheça que sigla seja aliada do governo federal petista, senador tucano diz que 'as coisas podem estar diferentes' até a eleição

MARCELO PORTELA, BELO HORIZONTE

O senador Aécio Neves (PSDB-MG) admitiu ontem a possibilidade de o partido tentar uma aproximação com o PSB para a corrida pela Presidência da República em 2014. Cotado como um dos principais nomes do tucanato para disputar a sucessão presidencial, o senador lembrou que os socialistas atualmente integram a base do governo, mas ressaltou que "em 2013 ou em 2014 as coisas podem estar diferentes".

[...]

Aécio ressaltou que é preciso "respeitar a posição" do PSB, hoje um partido aliado do Palácio do Planalto, mas lembrou que o PSDB já tem proximidade com os socialistas em várias cidades, como em Belo Horizonte, onde os tucanos devem reeditar a coligação em torno da reeleição do prefeito Marcio Lacerda (PSB), cuja vitória em 2008 também teve apoio do PT. Para expandir essa aliança ao cenário nacional, porém, o senador acredita que os tucanos precisam apresentar "um projeto que signifique expectativa de poder, um modelo novo para o Brasil".

"Vamos definir cinco ou seis grandes bandeiras que vão emoldurar as nossas candidaturas, inclusive nas eleições municipais", afirmou Aécio. "O PSDB tem que ir definindo, clareando essas suas ideias e, em 2013, vamos ver aqueles que queiram se unir em torno desse projeto. E o PSB tem conosco relações importantes em vários Estados. Temos de dar tempo ao tempo. O PSB hoje participa da base de governo, mas em 2013 ou em 2014 as coisas podem estar diferentes", observou.

O tucano voltou a defender a realização de prévias para a escolha do nome que disputará a Presidência pelo PSDB, daqui a menos de três anos. "Ninguém é candidato de si próprio. Acho que o PSDB tem nomes colocados e, lá na frente, vamos definir quem é o melhor."

[...]
Após encontro com o governador de Minas, Antonio Anastasia (PSDB), na manhã de ontem, Aécio afirmou que adotará a mesma posição em relação à sucessão na capital mineira. Apesar de classificar como "natural" a reedição da aliança com o PSB de Lacerda, o senador disse que a "negociação vai ser conduzida pela direção municipal" do partido, já que a parte majoritária do PT mineiro, que também defende a coligação com os tucanos em torno do socialista, reivindica a indicação do vice, como ocorreu em 2008.

Aécio é político hábil e sagaz, isto é inquestionável, mas acho que ele pode estar julgando o PSB nacional pelo PSB de Márcio Lacerda, atual prefeito de Belo Horizonte e pessoa de seu relacionamento. Não é não — e digo mais — Aécio não devia se sentir tão à vontade em meio aos socialistas — esse pessoal "de esquerda" tem uma forma bem peculiar de fazer alianças e de "cobrar" contrapartidas —, basta ver no balcão de negócios que se transformou o governo petista.

O PSDB foi bastante feliz na aliança celebrada com o antigo PFL — hoje o Dem — e juntos criaram um governo sério, comprometido com a higidez fiscal, o investimento produtivo (ainda que pequeno para o tamanho e a necessidade do país) e claramente favorável à livre iniciativa, à redução da interferência estatal na economia e à redução de impostos (infelizmente, o maior esforço foi feito na desoneração das exportações, quando podia ter sido mais amplo).

Tudo posto à mesa, é de se perguntar se não é passada a hora de um governo de direita assumir o Brasil. Fala-se da "direita" como se fosse o outro nome do Demônio e isso após 9 anos de governos "de esquerda" cuja maior façanha foi a produção de escândalos, a formação de quadrilhas, o aparelhamento do Estado e da coisa pública para seus interesses privados. Se eu sou contra tudo isso, então sou "de direita", não há porque ter vergonha, pelo contrário, é motivo de orgulho ser reto, probo e honesto.

E como imagens valem por mil palavras, passo a vocês uma boa imagem do que é a esquerda e o que é a direita. As imagens falam por si, eloquentes. Abaixo de cada uma delas um breve texto explicativo.

As duas Coreias, a do Norte (em vermelho) acima e a do Sul (verde) abaixo


As Coreias vistas à noite por satélite
Só pelo uso de energia elétrica sabe-se quem é "de direita"


Tira-teima: montagem das duas imagens

Voltando ao tema, é preciso perguntar ao cidadão brasileiro o que ele deseja ver acontecer aqui, porque o projeto político das esquerdas — em qualquer lugar do mundo onde ocorreu — é um projeto de Poder, nunca um projeto político que vise o bem estar social, o progresso e o crescimento, como pregam. Aécio devia se perguntar com qual discurso venderá seu peixe, porque esse peixe "das esquerdas" já tem discurso e vendedor, o PSB entre eles.