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sábado, 14 de julho de 2012

Como acabar com greves idiotas

Alo! Alo! Mercadante. Veja se aprende como é que se faz!

Índia: Kingfisher irá retomar voos após greves

NALU FERNANDES - Agencia Estado

NOVA DÉLHI - A empresa aérea indiana Kingfisher informou, neste sábado, que seus serviços retornariam ao normal depois da greve dos funcionários. O anúncio ocorreu após o proprietário da companhia, Vijay Mallya, avisar aos trabalhadores, em uma carta aberta, que "prejudicar o futuro da Kingfisher aos olhos do público não produziria dinheiro" para pagar salários e manter a empresa funcionando. A greve estava sendo conduzida em virtude de salários vencidos e causou o cancelamento de mais de três dúzias de voos.

A greve, a terceira em três semanas, ocorreu depois que a companhia obteve mais tempo dos seus credores neste mas para elaborar um plano de recuperação para evitar a falência. A greve, disse Mallya, deixa os esforços para reviver a empresa "mais difíceis por causar preocupação entre os potenciais investidores". Ele também chefia a lucrativa United Breweries.

Em comunicado, a Kingfisher informa que tem "o prazer de anunciar que todos os voos agendados continuariam a operar normalmente", mas não forneceu detalhes.

Quarenta voos domésticos foram cancelados durante um dia de greve, afirmou o vice-presidente, Prakash Mirpuri, para a AFP. O executivo diz que 75% dos funcionários receberam salários atrasados - desde fevereiro - na sexta-feira e o restante receberia na segunda-feira. As informações são da Dow Jones.

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Imoral é o direito ao veto

Repercute na mídia do mundo o fato da Rússia e da China terem vetado a resolução da ONU que condenava a dura ação repressiva do governo sírio contra sua própria população. Repasso trecho de matéria publicada no portal G1; grifos meus.

Veto de Rússia e China a resolução contra Síria causa indignação

Outros 13 membros do Conselho de Segurança eram favoráveis.
Para Rússia, resolução era tendenciosa e promoveria 'mudança de regime'.


Países do Ocidente e do mundo árabe responderam com indignação neste domingo o veto de Rússia e China a resolução do Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas) que exortaria o presidente sírio, Bashar al-Assad, a deixar o poder.

A embaixadora norte-americana na ONU disse que estava "com nojo" da votação, que ocorreu um dia depois de ativistas terem dito que as forças sírias bombardearam a cidade de Homs, matando mais de 200 pessoas na pior noite de conflitos desde o início das revoltas, há 11 meses.

"Qualquer outro derramamento de sangue que ocorrer estará nas mãos deles", afirmou a embaixadora Susan Rice após o veto dos dois países.

Todos os outros 13 membros do Conselho de Segurança bancaram a resolução, que "apoiaria totalmente" um projeto da Liga Árabe segundo o qual Assad cederia o poder a um vice, retirando tropas das cidades e iniciando uma transição para a democracia.

A Rússia afirmou que a resolução era tendenciosa e promoveria "mudança de regime". A Síria é aliada de Moscou no Oriente Médio, abriga uma base naval russa e compra as armas do país.

O Conselho Nacional Sírio, que representa grandes grupos de oposição, afirmou que considera Rússia e China "responsáveis pelos crescentes assassinatos e genocídios; considera isso uma irresponsabilidade que é equivalente a uma licença para matar com impunidade".

O único membro árabe do Conselho de Segurança, o Marrocos, falou em "grande pesar e decepção" com o veto. O embaixador Mohammed Loulichki disse que os árabes não tinham intenção de abandonar o plano.

O enviado sírio à ONU, Bashar Ja'afari, criticou a resolução e seus patrocinadores, incluindo a Arábia Saudita e sete outros países árabes, dizendo que as nações "que impedem mulheres de irem a um jogo de futebol" não tinham direito de pregar democracia à Síria.

Ele também negou que as forças sírias tenham matado centenas de civis em Homs, dizendo que "nenhuma pessoa sensata" lançaria tal ataque uma noite antes de o Conselho de Segurança discutir as ações no país.

[...]

Moradores de Homs criticaram o veto. Um deles, que se identificou como Sufyan, disse: "Agora vamos mostrar a Assad. Estamos indo, Damasco. A partir de hoje vamos mostrar a Assad o que uma gangue armada é". O presidente chamou a oposição de "gangue armada" e "terroristas" guiados pelo exterior.

O enviado da Rússia à ONU, Vitaly Churkin, acusou os partidários da resolução de "propor mudança de regime, empurrar a oposição para o poder e não interromper suas provocações, alimentando a luta armada".

"Alguns influentes membros da comunidade internacional, infelizmente alguns sentados nesta mesa, desde o começo do processo na Síria estão minando a oportunidade de um acordo político", afirmou. Moscou vai enviar seu ministro das Relações Exteriores, Sergei Lavrov, a Damasco na terça-feira.

Ao não aprovar o palavrório "politicamente correto" e obviamente hipócrita, não quero endossar a atitude do presidente Assad — apenas acredito que aos sírios devem caber a solução dos seus problemas internos —, que o façam às suas expensas e que assumam suas consequências. Não aprovo esse jogo com cartas passadas por baixo da mesa, como recentemente aconteceu na Líbia. Ou se faz assim ou eles — sírios e que tais — jamais saberão o que é uma democracia.

Aliás, é bom que se diga, democracia não é bem transferível por decreto ou verdade insofismável; é simplesmente concretização da vontade da maioria. Entretanto, querer nem sempre é poder — quase sempre há grande preço a pagar por sua adoção. Ora, se a ONU ou qualquer outro país ou organização (e.g. OTAN) interfere no processo, fazendo-o acontecer simplesmente por acharem que tal reivindicação popular seja "a mais justa", influi de maneira danosa, equivocada e vil — ainda que envolta pelas mais nobres e boas intenções. Resumindo, acredito na livre deliberação dos povos, o problema de lá não é da nossa conta; é da conta deles, por mais que acredite que nosso ordenamento é o mais correto e justo.

O norte da África e o Oriente Médio não são regiões conhecidas por serem "democráticas", bem ao contrário, e todas as injunções feitas para "implantar a democracia" naquelas regiões fracassaram. Em seu lugar, o que surgiu foi, via de regra, o fundamentalismo islâmico como forma de governo. Os exemplos que posso citar de memória são o Irã (deposição de Reza Pahlavi e ascensão de Kohmeini), o Iraque (sob a república, al-Karim, deposto por Arif, deposto por Saddam, deposto pelos EUA), a Líbia ("união" de tribos até golpe de Gaddafi em 1969, deposto em 2011 pela OTAN, está sob governo provisório) e o Egito.

O Egito é um caso à parte per si: enquanto os britânicos estavam presentes (até 1954), vigorou a monarquia constitucionalista (Rei Farouk e Rei Fuad, os últimos). Deposto o rei, assume a Presidência da República, o General Naguib, derrubado por Nasser um ano depois. Com Nasser se inicia uma série de ditaduras e o estado de guerra com Israel, por sinal, a única democracia da região. Após sua morte, três anos depois, assume Sadat, que seria assassinado por um fundamentalista em 1981, quando, então, assume Mubarak até sua queda (deposição) em 2011 após os famosos protestos da Praça Tahir. E daí? Daí, nada! O Egito é governado hoje por uma junta militar. Resumindo, os militares mandam lá desde a saída (deposição) do Rei Fuad e seu Parlamento tem pouca ou nenhuma voz ativa.

O que se conclui é que o mais próximo que esses povos chegaram da democracia foi durante o domínio britânico e só. As tentativas de "exportar" nosso way-of-life para eles se mostrou equivocada, com resultados claramente inconvenientes para eles e para nós mesmos, quer sob o patrocínio da Coroa Britânica, da OTAN ou da ONU. Aliás, o modelo de uma organização como a ONU já mostra sinais claros de esgotamento, mais ainda quando seu órgão de maior "poder" — o Conselho de Segurança — é manietado por alguns países que são mais países que os outros pelo exercício do poder de veto. Não gosto, nem aprovo. É preciso algo melhor que a ONU para dirimir diferenças e resolver conflitos.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Brasil, pobre república

Ontem foi aniversário da República — nada a comemorar — foram 122 anos mal vividos. Salvo um ou outro bom momento, nossa república (a Velha e a Nova) não foram além de sucessões de golpes ou a ratonice da coisa pública. Nasceu torta, de golpe ilícito contra a monarquia instalada, cometido por um marechal doente, mal informado e idiota. Tiraram-no febril da cama, puseram-no sobre o cavalo e ele se deixou conduzir pela súcia golpista. Deodoro foi levado à Praça da Aclamação e de lá depôs a monarquia constitucional parlamentarista de D. Pedro II, de quem se dizia amigo. Muy amigo...

Formas de governo são apenas isto: formas. Ressalvadas as diferenças de rito, todas são boas (ou más). O que eu noto, entretanto, é que no período monárquico era (foi) melhor. Por exemplo, o Parlamento daquela época foi um dos melhores da nossa História, senão o melhor dentre os melhores — nada a ver com nossa atual "representação".  Mesmo à época haviam vozes discordantes do golpe, como a do Visconde de Ouro Preto, que escreveu em seu livro "Advento da Ditadura Militar no Brasil" (grifos meus):
O Império não foi a ruína. Foi a conservação e o progresso. Durante meio século, manteve íntegro, tranquilo e unido território colossal. O império converteu um país atrasado e pouco populoso em grande e forte nacionalidade, primeira potência sul-americana, considerada e respeitada em todo o mundo civilizado. Aos esforços do Império, principalmente, devem três povos vizinhos ao desaparecimento do despotismo mais cruel e aviltante. O Império aboliu de fato a pena de morte, extinguiu a escravidão, deu ao Brasil glórias imorredouras, paz interna, ordem, segurança e, mas que tudo, liberdade individual como não houve jamais em país algum. Quais as faltas ou crimes de dom Pedro II, que em quase cinquenta anos de reinado nunca perseguiu ninguém, nunca se lembrou de uma ingratidão, nunca vingou uma injúria, pronto sempre a perdoar, esquecer e beneficiar? Quais os erros praticados que o tornou merecedor da deposição e exílio quando, velho e enfermo, mais devia contar com o respeito e a veneração de seus concidadãos? A república brasileira, como foi proclamada, é uma obra de iniquidade. A república se levantou sobre os broqueis da soldadesca amotinada, vem de uma origem criminosa, realizou-se por meio de um atentado sem precedentes na história e terá uma existência efêmera!

Instituída a República — pau nascido torto —, tivemos uma sucessão de golpes e revoltas: Canudos, Armada, Federalista, Sedição, Vacina, Chibata, Acre, Contestado, 1923, Princesa, Tenentista, 18 do Forte e 1930 — todas na República Velha; depois a Constitucionalista de 1932, Vargas (Integralismo, ANL, Intentona, Estado Novo), Populismo (revoltas localizadas) e o Golpe de 1964 com seus mais de 20 anos de governo militar e supressão de direitos civis.

Constituições foram 8 (oito) ao todo, sendo que a de 1946 é considerada a melhor de todas elas, infelizmente substituída pela de 1967, sob o regime militar. Como preconizou o Visconde de Ouro Preto, a república aqui tem "existência efêmera", morrendo entre rebeliões e golpes; renascendo nas suas muitas "constituições"; extinta e recriada muitas vezes ao longo desses 122 anos. Jabor expressa bem a sensação do momento:


E agora, quando parece que finalmente estamos ficando em pé sobre a terra, outro mar de lama ameaça a República (novamente) e nossa incipiente e frágil Democracia. Não posso afirmar que sob uma monarquia seria diferente — eu, pessoalmente, acredito que sim, que reis e rainhas ao menos se corariam de vergonha —, já para presidentes (e presidentas), ministros variados (inclusive os togados) e parlamentares, é apenas e tão somente um ligeiro desconforto.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Assim caminha nossa democracia

Quando se pensava que a volta à Democracia e ao Estado de Direito resolveriam todos os nossos problemas, descobrimos, tardiamente, que a solução não é (necessariamente) o regime de governo; é a qualidade da nossa sociedade. Com o voto proporcional, ou ainda pior, o voto em lista fechada como quer o PT, isso aí só pode piorar...

São apenas mais uns ratos neste esgoto...

Voto Distrital neles! Ou a Sociedade se assume e limpa esse curral, ou vira parte do estrume.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

É falta de decoro dizer a verdade?

A Folha noticiou que ele disse. Já o Estadão disse que ele disse mas que estava arrependido de ter dito. Afinal, qual é o preço dos deputados? Não vale sacar esse negócio de "quebra de decoro", desculpa das mais esfarrapadas. Deputado não tem decoro algum — isso é ponto pacífico —, nem se sabe ao certo para que servem.


Como os preços no Brasil estão livres, imagino que eles estejam fazendo cera para aumentá-lo. Ou é isso, ou como sugere o Nani, é promoção de fim de ano. Afinal, o recesso parlamentar vem aí e nossos representantes querem defender o peru de Natal.

sábado, 1 de outubro de 2011

A justiça se espinha

Na mesma linha do post anterior — O poder e o que ele faz às pessoas —, os togados do STF se espinharam quando a ministra corregedora Eliana Calmon disse que "há bandidos escondidos atrás da toga". Não sei porque. Primeiro, porque é verdade: há bandidos entre os togados. Segundo, porque não é um privilégio dos tribunais ter bandidos em suas hostes: eles (os bandidos) habitam todos os níveis dos mais diversos segmentos da sociedade. Assim, quando o meritíssimo ministro Cezar Peluso proferiu seu veemente discurso intimidatório contra a corregedora (ela não foi citada, mas todos sabiam quem era o alvo), tudo o que ele conseguiu foi chamar a atenção para os bandidos de toga. No jargão popular, vestiu a carapuça. Ah, vestiu sim!

Outro que tomou as dores da sacrossanta corporação foi o Celso Mello. É brilhante magistrado, mas vez por outra escorrega na própria empáfia; efeito colateral da exposição ao poder, acredito. E o maioral, o presidente da Associação dos Magistrados do Brasil, Henrique Calandra, que moveu a ação no Supremo para tirar os poderes do Conselho Nacional de Justiça. Juiz não gosta de cumprir a lei quando o efeito desta recai sobre ele, ah não.


Então, por que o judiciário não aplica para si aquilo que preconiza para os outros? Será que ele se considera assim tão melhor? Mais branco? Mais limpo? Pois não é! É apenas e tão somente uma das partes úteis da sociedade, uma engrenagem se quiser, mas só isso. Do judiciário — e especialmente dele que conhece a Lei intimamente — se espera o seu cumprimento e o respeito irrestrito da legislação. É agravante séria quando um homem da Lei usa este saber para burlar e distorcer seus efeitos, ação torpe e hedionda.

Pois bem, sabemos que isso ocorre. Tanto ocorre que Daniel Dantas proferiu a célebre frase "Só tenho medo da polícia e da primeira instância. Lá em cima eu resolvo." A tradução não pode ser outra: "quanto mais longa a toga, mais seguro o porto." Foi usando-as que Dantas, Dirceu, Sarney e até aquele juiz Lalau (prova viva que juiz come bola) se safaram. Onde está o processo contra a quadrilha dos mensaleiros? Quer saber? Está perto da prescrição, porque uma toga conveniente sentou-se em cima e de lá não saiu.


Pra terminar: os juízes de bem e sua Associação dos Magistrados do Brasil, deveriam enaltecer a existência do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). É por se permitir ao escrutínio que a instituição se torna confiável e crível. Aproveito para retirar uma pequena parte do discurso que Sua Santidade o Papa Bento XVI proferiu ao Bundestag, no último dia 22:
A política deve ser um compromisso em prol da justiça e, assim, criar as condições de fundo para a paz. Naturalmente um político procurará o sucesso, sem o qual não poderia jamais ter a possibilidade de uma ação política efetiva; mas o sucesso há de estar subordinado ao critério da justiça, à vontade de atuar o direito e à inteligência do direito. É que o sucesso pode tornar-se também um aliciamento, abrindo assim a estrada à falsificação do direito, à destruição da justiça. «Se se põe de parte o direito, em que se distingue então o Estado de um grande bando de salteadores?» — sentenciou uma vez Santo Agostinho (De civitate Dei IV, 4, 1).
Íntegra do discurso aqui.
Bando de salteadores? Ui! Essa doeu...

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

O Poder e o que ele faz às pessoas

Depois que alcançam o Poder as pessoas mudam. Não é uma fatalidade — regras têm sempre exceções — mas pode-se dizer que ninguém é imune. Alguém aí se lembra de FHC antes de exercer o poder? E Lula então? Lembram-se como ele era antes? Eu me lembro bem de como eram ambos e como ficaram depois — basta olhar para comprovar. Eles se tornaram pessoas completamente diferentes e não foi só na cor dos cabelos.

Peguei Lula e FHC porque são exemplos mais recentes, mas podemos ir bem longe nessa argumentação. Ouvi hoje, pela manhã, o Jabor dizer que existe no Youtube um vídeo do Glauber Rocha sobre a posse do Sarney no Maranhão, há 45 anos! Quem vê o vídeo pode se enganar e até pensar "o Sarney já foi gente boa"... Pode? Acreditem, pode. Se estiverem interessados, procurem por Maranhão 66 no Youtube ou no Google. É fácil achar. Só não ponho aqui porque o Sarney é por demais abjeto para eu me dar esse trabalho. Também não gosto do Glauber, fazer o que.

O próprio Glauber, dizem, era um entusiasta do Sarney. Achava o cara o máximo, um progressista (ai, ai... lá vem a palavra maldita de novo) que poderia salvar o Maranhão da miséria e do atraso. Não só não salvou como manteve o Maranhão como há 45 anos — miserável e atrasado — só que com ele e a famiglia no comando. Aquilo lá virou um feudo. Eu ainda vou postar aqui um artigo do The Economist sobre o Sarney e que eu traduzi. É a biografia de um estado e seu governador em duas páginas A4. A diferença é que o Sarney não pode fazer com o The Economist o que os seus juízes de bolso de colete fizeram com o Estadão.

"O poder corrompe. O poder absoluto corrompe absolutamente." A frase de John Emerich Edward Dalberg-Acton serve como uma luva aqui. A corrupção no Poder nunca foi tão endêmica e absoluta como agora. E pensar que ela ocorre justamente sob a égide da Democracia. Não nos limitemos apenas ao Executivo e ao Legislativo — casas onde a corriola, sabemos, é solta — mas o Judiciário balança suas togas e mostra sua cara. Não são só morosos e gastadores; muitos deles são bandidos que se acoitam nos bolsos de colete de figurões como os Sarneys, Dantas e que tais. É revoltante; aviltante.

Há dias em que eu preciso vomitar minha indignação, meu sofrimento e revolta. Peço, por isso, desculpas. O texto fica pesado e difícil de ler. Acredite, é ainda pior de se escrever. Mas deixo a imaginação viajar e vejo o dia em que brasileiros saídos de algum lugar deixarão suas casas e famílias; tomarão paus e pedras, bastões e forcados, aquilo mais que estiver à mão e rumarão para Brasília. Eu os imagino cantando algo assim:
Allons ! Enfants de la Patrie !
Le jour de gloire est arrivé !
Contre nous de la tyrannie,
L'étendard sanglant est levé ! (bis)
Entendez-vous dans nos campagnes
Mugir ces féroces soldats?
Ils viennent jusque dans vos bras.
Égorger vos fils, vos compagnes !

    Aux armes, citoyens !
    Formez vos bataillons !
    Marchez, marchez !
    Qu'un sang impur
    Abreuve nos sillons !

    Aux armes, citoyens !
    Formez nos bataillons !
    Marchons, marchons !
    Qu'un sang impur
    Abreuve nos sillons !

Que o sangue impuro desses crápulas acabe com a aridez do planalto central. Agora eu entendo melhor o porquê da Campanha Nacional do Desarmamento...

Aux armes, citoyens !


quarta-feira, 14 de setembro de 2011

O DNA da corrupção

Por que não estou surpreso com mais este escândalo?

Porque não há nada de novo no que fez Pedro Novais. Ele, e muitos outros antes dele, fizeram, fazem e farão. Vai muito além das suas forças (deles), está no DNA. Mas o que fez Pedro? Segundo matéria da Folha de terça-feira (13), o ministro foi denunciado por suposto uso indevido de dinheiro público. Novais pagou uma governanta com recursos da Câmara dos Deputados (i.e. nossos dinheiros) durante sete anos! O mesmo informativo publica hoje que a mulher de Novais usaria como motorista particular um funcionário lotado no gabinete de um aliado de Novais, o deputado Francisco Escórcio (PMDB-MA), sabe-se lá por quanto tempo. Doeu?!

O ministro do Turismo, Pedro Novais: fim da linha ( Roberto Stuckert Filho/PR)

Mas "fim da linha" só?! Devia-se mandar prender o pilantra, sua mulher, o motorista e aquele deputado "aliado", todos por peculato. E isso só para começar, porque se olharem com cuidado, vão encontrar muito mais sujeira sob aquele tapete.

Vida de deputado não deve ser muito fácil. Uma pesquisa rápida pela Internet me revelou o quanto custa por mês ao erário, que é como chamam nosso bolso, uma figura abjeta dessas:
  1. Salários (último reajuste foi de 61,7%): R$ 26.700,00
  2. 13º, 14º e 15º salários (3 × 26.700,00 ÷ 12): R$ 6.675,00
  3. Auxílio moradia (deputado = sem teto): R$ 3.000,00
  4. Cota telefônica: R$ 4.000,00
  5. Passagens: R$ 9.000,00
  6. Jornais e revistas: R$ 1.000,00
  7. Assistência médica: R$ 8.000,00
  8. Verba indenizatória: R$ 15.000,00
  9. Verba de gabinete (i.e. aquela que pagou a doméstica e o motorista): R$ 60.000,00
In totum, sai por módicos R$ 133.375,00 e os ilustres representantes (Ha! Ha! Ha!) só pagam imposto de renda sobre o "salário". É bom deixar claro que nem todos os valores acima são exatos, mas são suficientemente próximos para lhes passar a ideia.

Então, se é este o custo mensal de cada um dos 513 "ilustres", somente a Câmara Baixa consome R$ 68.421.375,00 por mês. Notem, este custo é apenas o dos ilustres deputados. Anualizado, o saque ao Tesouro monta a estratosféricos R$ 821.056.500,00. Mas quanto nos custaria o Congresso? Um estudo da ONG Transparência Brasil, com dados de 2007 (estranhamente não se encontra nada mais recente) diz que o Congresso consumiu R$ 6.068.072.181,00 naquele ano. Ora, isso são valores bem antes do aumento de 61,7% — que é bom dizer — aplica-se aos parlamentares e aos funcionários daquelas Casas. Deixo a matemática com vocês, mas uma cifra dessas é tão alta que deve ser expressa como percentagem do PIB.

Eu não quero ficar com picuinhas. Deputado, Senador — não importa —, merecem receber justo pagamento pelo seu tempo. Todo trabalho merece paga. Ponto. O que incomoda a todos nós, estou bem certo disso, são os adereços do salário que cada um deles leva. Se os ilustríssimos precisam de todos aqueles badulaques, COMPREM-NOS COM SEU PRÓPRIO DINHEIRO, não com o nosso. O nosso, senhores, custa muito para ser ganho.

É justo que um parlamentar receba seu salário de R$ 26,7 mil mais o 13º e as férias. Um bom plano de saúde também é lícito, mas não precisa ser um que custe R$ 8 mil por mês. Se quiser UTI aérea que pague do seu bolso. Digamos que cubra o atendimento em Brasília, que é onde o ilustríssimo é esperado para trabalhar. Para outras praças, use o próprio bolso. Resumindo, uns R$ 30 mil por mês cobriria TUDO muito bem. Se Vossas Excelências acham pouco, largue para lá essa coisa de ser parlamentar e abram uma consultoria — o Palocci pode dar dicas. Ficou bem melhor assim, bem mais republicano. Dos atuais R$ 133.375,00 mensais para "módicos" R$ 30 mil, uma economia de 77,51%. Belo exemplo!

Mas o que estou dizendo? Tudo isso aí são conjecturas. O cerne da questão não é nem o custo absurdo daquela casa. O real problema é a CONIVÊNCIA de todos que a habitam quando o negócio é roubá-la. São TODOS cúmplices — sem exceção — ou querem que eu acredite que o "colega deputado", o garçom do cafezinho, a moça do xerox e o ascensorista daquela casa, não sabiam que a "doméstica" do Novais e o motorista da mulher do Novais estavam na mesma folha de pagamento deles. Muitos sabiam e se calaram. A começar pela "doméstica" e pelo motorista, muitos se calaram para manter a conveniência das migalhas que caíam — por sete anos ou mais — do cocho dos Novais.

O crime é tanto por ação ou omissão. Somos um país de criminosos, ou de omissos quando muito. Ou isto muda ou está em nosso DNA.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Cumarina e ratoeiras neles!

Num post logo abaixo eu dei um puxão de orelhas nele. Mas uma das melhores coisas da Liberdade está nisso: podemos concordar em discordar; no final, todos saem ganhando. Reparem neste artigo onde o melhor Chagas se mostra. Eu só adicionei a charge do Nani para não ficar muito dark.

Ratos e ratazanas em Brasília


Anos atrás, quando alguns ingênuos e muitos malandros sem assunto escreviam e discursavam contra Brasília, chamando-nos de paraíso dos corruptos e ninho de ratos, ficava fácil devolver a grosseria, respondendo que os ratos e os corruptos vinham de fora. Chegavam às terças e iam embora às quintas-feiras. Até que essa réplica deu certo, porque pararam de denegrir a capital federal.

Recrudesceram. Voltaram a jogar lama em Brasília, e o diabo é que perdemos nossos argumentos. Desde o escândalo que resultou na cassação do senador Luís Estevão até a renúncia do senador Joaquim Roriz, para não ser cassado, e entrando pela lambança do governo José Roberto Arruda, a conclusão é outra. Corruptos e ratos vicejam por aqui. Ratazanas, também. Não se afastam da cidade nos fins de semana, porque foram eleitos pelo povo de Brasília.

Uma lástima. A cidade viu-se nivelada por baixo. Apesar de figuras exemplares ainda sejam encontradas na representação eleita pelos brasilienses, aumenta a olhos vistos o número de lambões. Integraram-se na quadrilha que vem de fora, a ponto de não haver diferença entre os diversos tipos de roedores.

Evidência disso foi a absolvição de Jacqueline Roriz, que saiu aos seus. Flagrada recebendo dinheiro podre de um podre assessor do pai, acaba de ter seu mandato de deputada federal confirmado por 265 colegas. Apenas 166 votaram pela sua cassação, sendo que 20 se abtiveram. Não houve distinção partidária. Ela recebeu a solidariedade da maioria das bancadas do PMDB, do PT, do PTB e outras legendas que apoiam o governo federal e o governo local, mas, também, do PSDB, do DEM e do PPS, da oposição. Espera-se que ratoeiras venham a ser artigo muito bem vendido nas próximas eleições.

Chão de "Estrelas"

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Estamos mesmo escandalizados?

Ontem foi o dia da Jaqueline Roriz, absolvida pelo plenário e à revelia do Conselho de Ética, depois de ter sido flagrada embolsando propinas em vídeo e a cores. Tudo bem, não foi em HD e o som não era Dolby, mas imagens e sons cristalinos. Turvo? Nebuloso? Criminoso? Só o ato!


A coisa foi bem acintosa. A rádio CBN até fez sua Charge do Jornal com o mote.

É rir para não chorar. Da mesma CBN, ouvi os comentários de Lucia Hippolito e Wálter Maierovitch que também repasso a vocês.


Parte da sociedade está indignada — ao menos "minha parte" está — mas temo que nosso número não seja suficiente para incutir medo ou pudor nos nossos "representantes". Voto distrital é uma saída, isto é, o representante da parte da sociedade à qual pertenço se indignaria comigo.