Dificilmente nós pensamos nisso, até que chega a nossa vez de entrar na fila...
Pense nisso!
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domingo, 1 de julho de 2012
quinta-feira, 17 de maio de 2012
A verdade e a ferida
Li agora há pouco uma coluna do Carlos Chagas sobre a instalação da Comissão da Verdade. Despretensiosa a meu ver, ela mexeu com minhas lembranças do passado e com minha consciência do presente. Seguem abaixo algumas linhas desses meus devaneios.
Dizem que retirar a casca da ferida
ajuda sua cicatrização. É verdade. Nós fazemos isso
instintivamente e até os símios o fazem, às vezes com auxílio do
outros. Entretanto, é preciso ter cuidado. Se a casca ainda estiver
aderida, a ferida reabre e supura.
Algo me diz que a democracia da qual
usufruímos nasceu do reconhecimento dos erros cometidos de parte a
parte, dos excessos de ambos. Chegou-se ao consenso de que o melhor
seria passar a borracha e recomeçar do zero. Naquela época, ainda
na minha juventude, não gostei. Queria a "minha" revanche.
Hoje não penso assim.
Aprendi que "ganhar o jogo"
ou "ter a última palavra" pode não ser o mais importante.
Afinal, a vida é sempre mais longa que um momento da história. Vejo
opiniões aqui e ali "exigindo a verdade", sem se preocupar
se uns quinze minutos de fama e glória, valerão o presente
conquistado. Isto me preocupa.
Aprendemos com erros e acertos. Temos
entre nossos ditados um que diz "em time que está ganhando não
se mexe", então por que revirar o lixo da história se o seu
cheiro já não incomoda? Sabemos o que se passou. O que se arrisca é
o risco de inflamar as feridas ao querer apressar sua cura. Hoje,
passado já tanto tempo, eu ainda as deixaria como estão, curando-se
lentamente, porque o risco de uma nova inflamação — assim eu
penso — pode nos ser insuportável.
quinta-feira, 22 de março de 2012
O amor é lindo...
Só mesmo a BBC para publicar uma matéria assim. Repasso a vocês e volto depois. Grifos meus.
Israelenses e iranianos declaram amor mútuo em campanha no Facebook
A campanha de um casal israelense com o blog "Israel ama o Irã" já conquistou o apoio de milhares de internautas ao redor do mundo e ganha popularidade agora no Facebook.
Ronny Edry e sua mulher Michal Tamir criaram um cartaz na escola Pushpin Mehina, que oferece cursos de iniciação a pessoas que querem estudar design gráfico.
A imagem dos dois ganhou os dizeres "Iranianos, nós nunca vamos bombardear seu país" e abaixo a frase "nós amamos vocês", com um coração.
No blog, algumas das imagens postadas contêm ainda uma mensagem que resume a intenção da campanha.
"Ao povo iraniano, a todos os pais, mães, crianças, irmãos e irmãs, porque para haver uma guerra entre nós, primeiro nós precisamos ter medo uns dos outros, nós precisamos nos odiar. Eu não tenho medo de vocês, eu não odeio vocês. Eu nem conheço vocês. Nenhum iraniano jamais me fez mal".
Diálogo
Embora tenha sido criticado inicialmente, o casal manteve a iniciativa com o objetivo de difundir a ideia entre israelenses mas também tentar um diálogo com iranianos.
"Nunca imaginei que dentro de 48 horas já estaria conversando com o outro lado", disse Edry ao jornal israelense Haaretz.
O blog e o grupo criado no Facebook começaram a receber manifestações de iranianos e já contam com mais de 3 mil membros.
"A maior parte dos israelenses se opõe a uma aventura deste tipo que pode ter consequências catastróficas. Muitos especialistas alertam sobre os efeitos de um ataque contra o Irã e o que uma declaração de guerra deste tipo poderia causar. A expectativa é que o Irã revide, o que implicaria em muitas mortes de israelenses", disse o casal ao Haaretz, citando Meir Dagan, ex-chefe do Mossad, o serviço secreto de Israel, que também se opõe a um potencial ataque contra a República Islâmica.
Nas últimas semanas, aumentou a tensão entre os governos de Israel e Irã. O premiê israelense, Binyamin Netanyahu, vêm cogitando a possibilidade de um ataque preventivo contra instalações nucleares do país persa.
Teerã levanta suspeitas entre as potências ocidentais sobre os objetivos de seu programa nuclear. Para a comunidade internacional, o governo iraniano busca a tecnologia usada na fabricação da bomba atômica. O país nega e afirma que os fins são pacíficos.
Pois é, o amor é lindo mas ele nunca deve nortear relações entre países, ainda mais quando um deles diz que vai "varrer o outro país do mapa", algo bem mais perigoso que fazer beicinho. O fato narrado acima me fez lembrar dos Bed-In's de John Lennon e Yoko Ono, em protesto contra a Guerra do Vietnã. Além dos jovens israelenses não terem sido originais, é pouco provável que os governos de Jerusalém e Teerã os levem a sério, mesma deferência dada aos originais John & Yoko.
A infantilidade do gesto político — o que não ofusca sua beleza e candura — mostra o quão afastada da população estão os governos e vice-versa. É imperioso destacar que, fizéssemos hoje um plebiscito em Israel, a maioria esmagadora seria pela celebração da paz com os países vizinhos, fronteiriços ou não; afirmação que não se pode ser estendida aos não-israelenses, isto é, às populações dos demais países do Oriente Médio, por mais injusta que possa parecer tal afirmação; visto que seus governos juram, abertamente, a destruição do estado judeu. E tem mais: infelizmente, Israel é a única democracia naquela região, sendo o restante dos países formado por tiranias das mais variadas cores, regimes e tendências. Ponto.
Mas vamos nos ater ao Irã. O país vem enriquecendo urânio — ao arrepio da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) — que estima, já que não pode comprovar, que o país esteja enriquecendo urânio acima de 20%. Ora, para os fins aos quais o programa iraniano se propõe, índices de 12% a 20% seriam aceitáveis ou desejáveis. Mas quando o presidente Mahmoud Ahmadinejad vem a público anunciar que adicionou outras 3 mil centrífugas modernas às 6 mil existentes, e de que agora eles já podem enriquecer urânio além dos 20%, eu acredito. E mais, acredito também que seu objetivo é, obviamente, militar.
Fossem outros a proferir tal frase, eu diria "tudo bem", mas vindo de um fundamentalista do porte e "estatura" de Mahmoud, cautela é recomendada. Eu digo "cautela" na falta de palavra melhor, porque as armas nucleares foram feitas para não serem usadas, ou melhor, chegaram a esta conclusão depois que a usaram no Japão por duas únicas vezes. Desde então, elas são mais um instrumento de dissuasão que uma arma de fato. Eram...
Imagine um povo (ou povos) em cujo meio há gente capaz de amarrar bombas aos corpos para se explodirem entre seus pretensos inimigos. Eles não o fazem por um ideal patriótico, um último gesto em favor da pátria como o fizeram os pilotos kamikases japoneses na II Guerra Mundial. Eles o fazem pela promessa de uma vida eterna no paraíso onde os aguardam dezenas de virgens, promessa de algum sheikh ou dos seus representantes. Sei...
Importante notar que nunca se soube de um desses líderes espirituais que tenha dado o "bom exemplo" de se explodir para matar, nem pelas virgens, nem por nada: há sempre um "bucha de canhão" que se preste ao papel. Então, a pergunta que não quer calar: você acha que um desses "buchas" se prestaria ao papel de se explodir com um artefato nuclear, digamos, em Nova York, Londres ou Paris? Hein?!
Importante notar que nunca se soube de um desses líderes espirituais que tenha dado o "bom exemplo" de se explodir para matar, nem pelas virgens, nem por nada: há sempre um "bucha de canhão" que se preste ao papel. Então, a pergunta que não quer calar: você acha que um desses "buchas" se prestaria ao papel de se explodir com um artefato nuclear, digamos, em Nova York, Londres ou Paris? Hein?!
No ataque às torres gêmeas do World Trade Center, ocorrido no 11 de Setembro de 2001, dezenove (19) terroristas suicidas sequestraram quatro jatos comerciais de passageiros e os usaram como armas de destruição. No episódio, morreram umas 3 mil pessoas e os custos materiais da tragédia se medem em trilhões de dólares, sendo que os efeitos do atentado se fazem sentir até hoje. Pois bem, neste momento eu acredito que vocês devem estar fazendo as contas do que poderia ter acontecido, se ao invés de aviões a Al-Qaeda dispusesse de uma "pequena" arma nuclear, porque eu sei que eles têm a "coragem" de a usar. Pois é, aquela bombinha do Mahmoud fica cada vez mais perigosa...
Volto aos pombinhos judeus, que parecem não terem aprendido nada com a sua própria história. Eles são daquelas pessoas de bom coração, cheios das melhores intenções que pavimentam as estradas para os infernos, exatamente como aquelas que há algum tempo ficaram a esperar que Hitler, Stalin e Mao fizessem o primeiro movimento. É sempre assim. Esperam... esperam... até que fique tarde.
sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012
Jogue lixo no lixo
O Estadão e outras mídias reportaram hoje:
Esfera cai do céu e assusta moradores do Maranhão
Trata-se de lixo espacial; ninguém ficou ferido
Uma esfera metálica, pesando um pouco mais de 30 quilos, e com diâmetro de cerca de 1 metro, caiu na zona rural do município de Anapurus, em Maranhão, na quarta-feira, 22, assustando os moradores da região.
Segundo informações da Polícia Militar, acionada pelos moradores, a esfera atingiu um cajueiro que ficou totalmente destruído. Apesar de o objeto cair perto de uma residência no povoado Riacho dos Poços, ninguém ficou ferido.
A esfera foi retirada pelos policiais militares e levada para o quartel da PM na cidade vizinha, em Chapadinha. Segundo a delegacia da cidade, como nenhum morador foi atingido, ninguém registrou boletim de ocorrência.
Segundo a PM, os moradores disseram que ouviram quatro estrondos e depois encontraram a esfera com pelo menos três partes amassadas. O lixo espacial tem uma base que deveria ser usava como apoio para segurar o objeto em uma das partes e um orifício em outro local.
Os policiais militares já entraram em contato com a Aeronáutica, que deve retirar o objeto metálico entre hoje e amanhã e levá-lo para São Luís. De acordo com o Centro de Comunicação Social da Aeronáutica, o caso será apurado.
Não deixa de ser interessante notar a placidez das autoridades estaduais e federais num caso como este. Das autoridades maranhenses não se deve esperar nada mesmo — estão ali só por passatempo, entre um Sarney e outro — e não se darão a qualquer trabalho. Entretanto, chega a ser bisonha a irresponsabilidade das demais "autoridades".
O que a maioria não sabe é que boa parte daquilo que se convencionou chamar "lixo espacial" é formado por células de material físsil responsável pelo provimento de energia a satélites (RTG). Uma estrovenga dessas pode conter uma boa quantidade de material ativo, já que a meia-vida de certos elementos radioativos, como o Plutônio-238 usado nesses casos, é de 87,7 anos!
Por fim, lamento que a tal esfera tenha caído em Anapurus. Para se fazer justiça, o melhor lugar seria em Curupu, a lata do lixo do Maranhão, onde com sorte acertaria alguém do clã e não um pobre cajuzeiro.
segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012
quinta-feira, 15 de dezembro de 2011
"Disarm & Conquer"
A frase mais comum — e que você já deve ter ouvido — é "divide and conquer", literalmente dividir para conquistar, mas eu resolvi brincar com as palavras no Inglês e parafraseei para desarmar para conquistar. É, sou contra o desarmamento da população e tenho meus motivos...
O primeiro deles é porque o Estado quer tirar meu direito de defender a mim e a minha família. Eu não quero, com isso, advogar o "direito" de andar armado: sou suficientemente cônscio que meu direito termina onde começa o do meu vizinho. O que desejo é poder "repelir a injusta agressão, atual ou iminente" — como está no Código Penal e na Jurisprudência —, sem correr o risco de ser processado e condenado pelo Estado, que me tem por criminoso sem ao menos me conhecer. Por favor, preste atenção: o Estado o processará se você se defender e aos seus usando uma arma. Posto dessa forma, você pode escolher entre ser aviltado, roubado e morto pela bandidagem ou pelo Estado, sendo que esse último aí é pago por você justamente para defendê-lo e aos seus. Algum dia já ligou para a polícia e pediu proteção? Quem o fez nunca esperou menos que uma hora e meia! O ladrão, o estuprador, o assassino pode até fazer uma refeição completa e tomar um banho, que ainda dá tempo.
A propaganda oficial é pródiga em dizer todos os perigos de se ter uma arma. É verdade, existem até estatísticas bem acuradas sobre isso, mas a propaganda é ENGANOSA. Vou dar um exemplo bastante atual: carros, qualquer veículo de uso pessoal ou de transporte de passageiros ou carga, mata muito mais gente por ano no Brasil que as armas de fogo. Digo mais: matavam mais mesmo antes do desarmamento. Mesmo assim — ou a despeito disso — o governo nunca pensou em fazer um descarramento (perdoem-me o verbete forçado) da população, porque os carros são uma necessidade. Quero frisar meu ponto: você só pode conduzir veículos depois de receber treinamento e ser avaliado; mesmo assim os acidentes com veículos provocam mais mortes que as armas, independente da época; basta procurar as estatísticas. Por que não se faz o mesmo com as armas?
Eu já fui um praticante de tiro ao alvo há uns 30 anos. Frequentava o Clube Mineiro de Caçadores (nem sei se ainda existe) onde praticava carabina a ar e pistola (tiro prático/silhueta metálica). Na minha opinião, era por aí que o Estado deveria ter começado, como fez com os veículos. Quer ter uma arma? Aprenda como usar, pratique, treine. É bom saber com o que se mexe para o fazer com segurança. E haveria classes, como em tudo mais. Eu sou motorista habilitado para conduzir autos e motos de passeio (AB). Isso quer dizer que não posso entrar num caminhão reboque, com um bitrem de várias toneladas, e sair por aí; também não posso entrar num Fórmula 1, engatar a primeira e acelerar, porque acabaria por me matar ou a outrem em ambos os casos. Bom, eu acho que vocês já captaram a ideia — o perigo reside na imperícia do usuário, não na arma ou no veículo. Agora vou repassar um texto do Rich Wehr, escrito para o The Courier Press e traduzido por Julio Severo (grifos meus):
Os suíços têm a ideia certa sobre armas de fogo
Rich Wehr
A Suíça é o país mais seguro do mundo para se viver. Não porque é um país neutro ou qualquer coisa desse tipo.
Creio que é devido ao fato de que cada cidadão do sexo masculino é obrigado a manter uma arma de fogo em casa.
Quando um cidadão suíço do sexo masculino completa 20 anos, ele recebe um rifle militar totalmente automático.
Todo cidadão do sexo masculino é convocado para defender sua pátria se seu país o chamar.
Os suíços e as armas de fogo andam de mãos dadas como vão junto o arroz e o feijão (manteiga e geleia no original). O tiro ao alvo de estilo olímpico é o esporte nacional da Suíça e não é nada incomum ver um cidadão normal num trem, ônibus ou apenas caminhando pela rua com um rifle no ombro.
A política da Suíça de exigir que todos os lares tenham uma arma de fogo é uma das principais razões por que os nazistas não invadiram a Suíça na 2ª Guerra Mundial.
Tivessem os nazistas invadido, teria havido muito mais sangue alemão escorrendo pelas ruas do que sangue suíço.
A Suíça é o lugar mais duro do mundo para ser criminoso porque se você planejar arrombar a casa de alguém, você tem a certeza de que o dono da casa tem uma arma de fogo e foi treinado para usá-la. [O meliante tem a certeza de que sua vítima foi desarmada pelo Estado e está indefesa.]
Se você acha que os americanos são obcecados com a manutenção da Segunda Emenda [que protege o direito de eles terem e usarem armas para defesa], você ainda não viu nada até que visite a Suíça.
A Segunda Emenda da Constituição dos EUA foi inspirada nas políticas da Suíça. Se os suíços não tivessem as mesmas políticas do século XVII, é bem possível que a Segunda Emenda não existiria nos Estados Unidos hoje.
A maioria dos meninos dos Estados Unidos joga em pequenos times de beisebol ou futebol.
Mas a maioria dos meninos da Suíça participa de competições locais de tiro ao alvo e se filia a clubes de tiro ao alvo quando completam 10 anos.
O passatempo nacional dos EUA é o beisebol. O passatempo da Suíça é tiro ao alvo de precisão.
Na Suíça, há menos de um homicídio por cada 100.000 cidadãos por ano, e em 99 por cento dos casos, não há envolvimento de uma arma de fogo.
Há apenas 26 tentativas de roubo por ano para cada 100.000 cidadãos.
A maioria desses roubos é cometida por estrangeiros e não envolve armas de fogo.
Os crimes violentos praticamente não existem, mas [apesar de] todo lar tem uma arma de fogo. Surpreso?
Está escrito na lei suíça: “O elevado número de armas de fogo per capita não leva a um índice elevado de crime violento”. Isso está solidamente confirmado na Suíça.
A Suíça é um dos países mais pacíficos do mundo. O resto do mundo precisa pegar essa dica.
Pois bem, acha que acabou? Não, tem mais. A má notícia é que o desarmamento aqui fez aumentar a violência no País a níveis alarmantes. Salvo algumas poucas localidades — como São Paulo, SP — a criminalidade aumentou barbaramente. Se quiser saber os detalhes, pode baixar o Mapa da Violência (em PDF) e conferir. Os dados do relatório são oficiais.
Cidades como São Paulo e Rio quase caíram nas mãos da Crime S/A. A presença ostensiva da polícia e a ação forte dos governos estaduais começam a dar resultado: a criminalidade reduziu. Note, entretanto, que a redução se deu mais porque os índices anteriores estavam muito altos. Dou exemplos tirados do Mapa da Violência:
- Na tabela 2.5.1. Taxas de Homicídio Jovem, Não-Jovem e Vitimização Juvenil (%) por Homicídio. Brasil, 2000/2010 (pag. 72), podemos comprovar efeitos do Estatuto da Criança e do Adolescente e do Desarmamento.
- Em todos os anos da década considerada – 2000/2010 – as taxas juvenis mais que duplicam as taxas da população não-jovem;
- Ainda mais: vemos que, a partir de 2003, ano que entra em vigor o estatuto do desarmamento, a vitimização juvenil tende a cair, mas a partir de 2007 as taxas juvenis recuperam os antigos patamares, e até superam os níveis anteriores;
- A partir de 2003, com fortes oscilações, conseguiu-se estagnar a espiral de vitimização juvenil, mas em níveis muito elevados. Não temos conseguido, ainda, reverter o flagelo, que já dura longos anos.
- Na tabela PR1 (pag. 166), os efeitos do desarmamento no Paraná: “As taxas do estado, que já vinham crescendo de forma rápida, aceleram-se mais ainda [...] Com esse diferencial, o estado ultrapassa a média nacional já em 2004.”
O que se pode depreender desses dois exemplos, é que políticas como as do Estatuto da Criança e do Adolescente e a do Estatuto do Desarmamento, não produzem os resultados que delas se esperam — e por razão simples (simplória) — não visam a causa do problema, mas apenas seu efeito. É como naquele dito popular: "Atirou no que viu e acertou no que não viu.", óbvia imperícia no trato da situação.
| E o Estado não sabe usar a dele... |
O Mapa da Violência é extenso e eloquente. Pincei pouca coisa, mas convido o leitor a se informar mais nas suas 245 páginas. Se não tiver paciência, procure ao menos as partes que se referem a sua área próxima (cidade ou estado) e comece por exigir mais dos governantes.
Aqui em Minas, por exemplo, a coisa está piorando. Se você quiser ver um policial vai ter que se esforçar. A rua é o local mais improvável de se encontrar um; estão, quase sempre, aboletados atrás de uma mesa ou passeando de carro com as luzes do teto piscando, como para dizer "Ei! Bandidos! Estamos chegando. Disfarcem o andamento do crime para que não tenhamos que nos dar ao trabalho de cumprir com o nosso dever." Bom, não é uma regra, mas é mais ou menos assim...
No fundo, no fundo, o que eu gostaria é que o Estado cuidasse da Lei e da Ordem nas áreas públicas, urbanas ou não, para que não precisássemos nos trancafiar dentro de casa, não precisássemos de carros blindados para ir ao supermercado ou ao shopping, e ainda pagar dos seguros mais caros do mundo para cobrir nossos bens e, eventualmente, nossas vidas. Preocupa-me sobremaneira o porquê do Estado querer me desarmar, o porquê dele ver em mim uma ameaça. Não sou ameaça, sou o cidadão — aquele que paga impostos voluntariamente ao Estado — e que se sente ameaçado ora pela bandidagem, ora pela politicalha que não quer trabalhar, só roubar. O Estado, como um lobo, quer nos enfraquecer como um bando de ovelhas, nos dividir e nos destroçar.
domingo, 25 de setembro de 2011
O Estado: custa muito e não serve de nada
O Estado aqui nos custa uma barbaridade. Assim, num cálculo rápido e grosseiro, o Estado brasileiro custa algo como R$ 541,4 bilhões (34,44% do PIB, descontados os 1,6% reinvestidos no País) e o meu glorioso Estado de Minas Gerais consegue ser ainda pior. Pior porque é dos que mais taxa e no qual se presta um dos piores serviços ao cidadão. Exemplo? Segurança pública! A matéria abaixo está em todas as mídias. Texto e imagem reproduzidos do Estado de Minas (grifos meus).
“Deveriam colocar uma faixa alertando para não estacionar carro no Bairro Funcionários”, desabafa o diretor comercial Kleber Alher, 35 anos, que nesta quinta-feira afixou, no cruzamento da Avenida Getúlio Vargas com a Rua Maranhão, uma faixa com apelo numa tentativa de recuperar um terabyte de informações. “Todo o meu backup estava nos dois HDs roubados”, lamenta.
Cidadão espera mais da bandidagem que das autoridades
Kleber conta que na noite da última segunda-feira, por volta das 19h40, estacionou seu carro naquele cruzamento e seguiu até um restaurante, onde se sentou no segundo andar. “Em 20 minutos o garçom veio me avisar que haviam estourado o vidro traseiro do meu carro e levado uma mochila”. Como informa a faixa, ele perdeu um notebook e dois HDs externos.
A primeira atitude do diretor comercial foi acionar a Polícia Militar. “Fiquei no local por duas horas e meia esperando a polícia, que não chegou. Procurei uma delegacia, que estava muito cheia, e não consegui fazer o Boletim de Ocorrência”, conta. No dia seguinte, Kleber foi até a delegacia do Bairro Estoril, onde conseguiu registrar a queixa após duas horas de espera.
“Não há o que fazer e a polícia não vai atrás desses ladrões”, desabafa Kleber destacando a sensação de impotência e impunidade. “As pessoas vieram me falar que eu sou louco de deixar uma mochila no carro estacionado ali, porque é muito alto o índice de furtos de veículos no Funcionários. Isso é um absurdo”, reclama.
Segundo Kleber, a faixa que mandou afixar é mais um protesto que uma tentativa de reaver o que perdeu, embora tenha esperança. "Vai que o ladrão se interesse em receber esse dinheiro. A gente não sabe o que passa nas cabeças das pessoas", pondera. Trabalhando na área de tecnologia em telecomunicações, ele enfatiza o prejuízo das informações que perdeu com o furto dos HDs.
O cidadão esgotou quase todo o tema. Resta-me apenas dar alguns pitacos:
- Morei por mais de 15 anos em Belo Horizonte. Eram outras épocas aquelas. Podia-se andar a pé pela cidade, durante as altas horas, sem qualquer incidente. Vez por outra encontrava-se duplas de soldados, apelidados Cosme e Damião, a pé ou a cavalo. Hoje, ou o PM está na caserna, ou atrás de uma mesa ou sentado num banco de carro. Não se vê mas policiais patrulhando as ruas, nem mesmo em áreas nobres como a Savassi (Funcionários). Com tanta moleza, o crime toma conta. E eu estou falando do "pequeno" crime.
- Parece que a situação lá consegue ser ainda pior, já que o cidadão não conseguiu nem atendimento nas delegacias. Onde está o enorme (50.000+) efetivo de policiais mineiros? De férias?
- Familiares meus que ainda vivem em BH já tiveram casas furtadas e carros roubados. Notem, estou falando de roubo, não furto. Foi com ameaça de armas e por mais de uma vez. E eles nem moram na Zona Sul...
- Quando uma dada região é classificada como "alto índice de crimes", espera-se ao menos uma reação da Segurança Pública aumentando-se o policiamento ostensivo no local. Tudo indica que a Savassi tem é policial de menos e ladrão de mais.
- Quando uma celebridade ou "autoridade" for a vítima, há possibilidade disso mudar. Até lá, resta evitar "dar moleza" com seus pertences. E prepare-se para negociar com os ladrões, já que o Estado não dará ajuda, nem assistência.
Isso me faz lembrar do Chico Buarque (Julinho da Adelaide) dos meus bons tempos...
Acorda amor
Que o bicho é brabo e não sossega
Se você corre o bicho pega
Se fica não sei não
Atenção
Não demora
Dia desses chega a sua hora
Não discuta à toa não reclame
Clame, chame lá, chame, chame
Chame o ladrão, chame o ladrão, chame o ladrão
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