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sexta-feira, 4 de maio de 2012

Amigos, amigos... Negócios bem à parte

Eu tenho evitado escrever sobre certos assuntos, parte porque não conheço suas razões e causas de perto, parte porque os considero irrelevantes. Mesmo assim, hoje resolvi falar mal do quintal dos outros. Estou me referindo às recentes expropriações ocorridas na Argentina (YPF) e na Bolívia (TDE), por infeliz coincidência, ambas empresas espanholas. Eu estou certo que o ministro Rajoy não deve estar nem um pouco satisfeito com o ocorrido, o que não se dirá da diretoria da Repsol e da Red Eléctrica de España, respectivamente controladoras da Yacimientos Petrolíferos Fiscales (YPF) e da Transportadora de Electricidad S.A. (TDE).

Existem alguns articulistas que acreditam que tais movimentos possam ser favoráveis ao Brasil. Pode parecer lógico que este seja o caminho adotado, mas nosso governo insiste em negociar em bloco, isto é, no âmbito do Mercosul. Assim, a afirmação do professor de economia da FGV, Ernesto Lozardo, soa vazia: "De maneira geral, o Brasil tem um marco regulatório consolidado e assegura maior respeito aos contratos, dando guarida aos investimentos". Será?!

A Espanha — que já tem problemas de sobra em casa — parece ter sido escolhida como o Judas a ser malhado nessas plagas sul-americanas. Foi noticiado pela BBC-Brasil: "Segundo o relatório Panorama de Investimento Espanhol na América Latina 2012, divulgado pelo Instituto de Empresa de Madri em fevereiro passado, 30 das companhias de maior faturamento da Espanha enxergam com pessimismo a evolução de seus negócios em países como Argentina, Bolívia e Venezuela. Das empresas com filiais nesses três países, somente 15% planejam aumentar sua presença na Argentina em 2012, contra 4% na Bolívia e na Venezuela. No Brasil, entretanto, o índice é de 62%." Apesar dos números favoráveis, prefiro ler o quadro com cautela.

Eu vejo uma enorme pedra em nosso caminho: o Mercosul. Estou entre aqueles que acreditam que o Brasil jamais deveria fazer parte desse "bloco econômico", onde, a meu ver, as desvantagens superam em muito qualquer vantagem fictícia com que possam acenar. Algumas informações sobre os parceiros daquele "clube":

Fonte: FMI


Como podem ver, só existe um player neste clube e é o Brasil. É o dono do campo, da bola e do campeonato; só não se comporta como tal [ainda]. Com o devido respeito às nações amigas, o que se vê acima não é uma agremiação de iguais, então porque insistir nisso. Tudo bem, mantenha-se o Mercosul, mas não deixe que ele se torne um empecilho para a celebração de acordos bilaterais com os EUA, a União Europeia, o Japão, a Rússia, a Índia e quem mais venha. É um absurdo dar relevância a quem não tem relevância alguma. São nossos "parceiros" do Mercosul que dependem de nós, não o contrário, então é inadmissível que um El ministro de la Viuda determine o que entra e o que sai da Argentina, quando o acordo é de fronteiras livres, de livre comércio e de isenções fiscais. O Itamaraty deveria denunciar o fato imediatamente, mas é soft demais.

Ao contrário de Chile e Colômbia, dois outros vizinhos que firmaram acordos bilaterais com EUA, UE e Japão e, dessa forma gozam de tarifas diferenciadas para exportação, nós continuamos a defender que esses mercados precisam negociar conosco no âmbito do Mercosul. Em outras palavras, o que se faz é dar a 17% do PIB da associação, o controle sobre o todo. Melhor ainda: é como se 17% fossem iguais ou maiores que os outros 83% — coisa de gênio. Mas tem mais: La Viuda, que manda em 14,69% do clube, resolveu dar caneladas em empresas da Espanha, país membro da União Europeia com a qual tentamos há anos fechar um acordo "no âmbito do Mercosul". Com "amigos" assim, quem precisa de inimigos?

A hora é de deixar o proselitismo barato de lado e cuidar daquilo que é nosso. Se o Japão, ou a UE, ou mesmo os EUA acham mais fácil negociar com o Brasil em separado — paciência — amigos, amigos..., nossos negócios à parte e em primeiro lugar. Há milhões de brasileiros precisando de emprego e oportunidade e a responsabilidade desse governo Dilma (e de qualquer outro) é para com eles.

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Atirando a esmo no que achou que viu

A coluna de hoje do Cláudio Humberto, em geral bastante responsável, destaca (grifos meus):

Na TAM, Rio-Ilhéus custa o mesmo que Rio-Paris


A falta de critério na exploração dos clientes atinge níveis absurdos na aviação civil. Quem mora no Rio e quiser passar o feriadão do Dia do Trabalho em Ilhéus (BA), a 1.002km de distância, terá de pagar à TAM R$ 3.732,52 por passagem ida e volta, mas só se quiser retornar às 9h45. Para voltar às 16h58, o preço sobe a R$ 4.486,52. No mesmo período, paga-se um pouco menos pela passagem Rio-Paris, ida e volta (R$ 3.727,50), ou menos da metade (R$ 1.714,47) Brasília-Miami.

Será também mais barato!
Não há outra leitura possível — “a TAM é uma exploradora do pobre povo brasileiro!” — o que não é verdade. E, acredite, não ganho um tostão da TAM para defendê-la, meu desejo é apenas alertar para o que está por trás do descalabro: falsas profecias. Afinal, ir do Rio a Ilhéus e voltar — um trecho de umas duas horas e meia — não pode custar mais que as onze horas da rota alternativa. Não mesmo!

Mesmo assim, acredite, nem a TAM, nem qualquer outra companhia do gênero, pratica tais preços por exploração. A palavra usada é forte, inapropriada e leviana. Não é a empresa que nos explora, é o País. Como bem disse uma vez o grande economista Roberto Campos, "o governo é o gigolô oficial de todos nós", TAM no meio. Nem me dei ao trabalho de pesquisar, mas vamos considerar alguns itens:
  1. O preço da passagem Brasil-França — por imposição do Brasil — é maior que qualquer França-outro_país de igual distância ou mesmo distância maior. Com a palavra, a ANAC.
  2. O Brasil tem um dos combustíveis de aviação mais caros do mundo. Indo a Paris, chances há de o combustível da volta ser bem mais em conta. ANP e Petrobrás que te expliquem.
  3. O custo de parking (valor cobrado da aeronave pelo uso do pátio — a Faixa Azul dos Boeings e Airbuses) também é dos mais obscenos aqui e certamente maior que o de lá. Mais um desconto por conta da Infraero.
  4. E já que falei no Demônio (aqui tudo é Infraero), ou seja, taxas aeroportuárias fixas, não importa se você vai pousar e decolar para pegar um brazuca ou dois ou duzentos. No outro caso, via de regra, vai gente até no maleiro — economia de escala, maximização dos custos.
  5. Por fim e para não me alongar, dizer que não é lícito comparar uma viagem internacional com uma nacional, procure saber o preço das viagens domésticas nos EUA. Lá se vai de costa a costa, distância maior que a do Rio-Paris, por muito menos que se vai de ônibus de BH a Guarapari.
Resumindo, o problema é tão nosso quanto nosso é o umbigo. Se vamos limpá-lo ou escondê-lo é que é a questão. À coluna do CH meus agradecimentos: já sei onde vou passar meu próximo feriadão. Ha! Ha! Ha!

E independente do destino, tenham todos uma boa viagem! Au 'voir!

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Deputado inglês mostra o que espera o Brasil, isto é, como receberemos o resto do mundo

A matéria da Exame Online me fez lembrar dos meus tempos de ginásio, quando estudávamos os investimentos da Corôa Portuguesa na Escola de Sagres, para a formação de navegadores, pilotos, cartógrafos, etc., considerada o pilar central do grande domínio português sobre os mares, descobrimentos e riquezas de além mar — conhecimento como forma de se obter riqueza e poder — uma receita ainda em uso nos dias de hoje e, inexplicavelmente, ignoradas por alguns países, o Brasil entre estes.

O que se pode depreender de tal fato, acontecido ainda no século XV, é que só investimentos em infraestrutura permitem grandes avanços em relação aos competidores diretos e à manutenção dos eventuais ganhos. E mais: não há infraestrutura mais necessária que a educação e o conhecimento, o que me leva a parabenizar o Governo Dilma pelo movimento, ainda que tíbio, à formação de profissionais noutros países, já que aqui nossas escolas vão de mal a pior e as exceções não preenchem os dedos da mão esquerda de Lula. Falta ainda o ensino básico: do maternal ao colegial temos produzido mais analfabetos funcionais que técnicos.

E o resultado dessa imensa massa ignara é o cataclismo que se avizinha, seja via Copa ou Olimpíadas:
  1. Bebidas serão proibidas nos estádios porque a Polícia é incompetente (e temos duas!) para coibir e punir abusos. A nossa daqui chega a proibir duas torcidas em campo — não há atestado de incompetência maior.
  2. Será decretado feriado nos dias dos jogos porque não haverá condições mínimas de se ir e vir — vias públicas congestionadas, transporte de massa inexistente ou claudicante e (mais uma vez) segurança pública ineficaz ou ausente.
  3. Todas as escolas deverão estar em regime de férias — que se danem seus filhos e a sua já parca educação. Se eles não estudassem tanto talvez fossem hoje um Ronaldinho ou um Messi.
  4. Ainda há mais, mas paro aqui. Espero conseguir um local bem longe daqui nessa efemérides, talvez uma ótima oportunidade para voltar aos Estados Unidos da América.
Já no outro mundo...

Deputados britânicos temem caos aéreo durante Olimpíadas

A chegada em massa de atletas e turistas para os Jogos Olímpicos pode causar um colapso em Heathrow, principal aeroporto do Reino Unido
A Qantas Boeing 747-400 (registration unknown) lands over the roofs of Myrtle Avenue at London (Heathrow) Airport. Taken by Adrian Pingstone in August 2004 and released to the public domain.
Aqui resolveremos com "puxadinhos" à brasileira.


As aglomerações nos terminais de Heathrow podem obrigar muitos passageiros a permaneceram por longo tempo dentro dos aviões após aterrissarem

Londres - Um comitê do Congresso britânico alertou nesta quarta-feira que a chegada em massa de atletas e turistas para os Jogos Olímpicos de Londres pode causar um colapso em Heathrow, principal aeroporto do Reino Unido e o de maior tráfego da Europa.

O presidente do Comitê de Cultura, Comunicação e Esportes, John Whittingdale, enviou carta ao ministro britânico de Cultura e Esportes, Jeremy Hunt, no qual fala da possibilidade de se formarem imensas filas nos guichês de controle de passaportes, dificultando o funcionamento do aeroporto.

Na carta, Whittingdale adverte que as aglomerações nos terminais de Heathrow podem obrigar muitos passageiros a permaneceram por longo tempo dentro dos aviões após aterrissarem no Reino Unido. 'A situação obrigaria algumas aeronaves a rodar em círculo sobre o aeroporto, enquanto outras ficariam retidas na pista', afirmou o deputado conservador.

O parlamentar relatou que membros do Comitê participaram de uma reunião com responsáveis pela empresa que administra Heathrow. Para os dirigentes da empresa, o principal desafio será no fim dos Jogos, quando a maioria dos visitantes tiver que deixar Londres em um período de poucos dias.

Contudo, os deputados, 'saíram da reunião sem estar convencidos de que Heathrow esteja preparado para a chegada de atletas, turistas e integrantes da 'família olímpica'', afirmou Whittingdale. Ele ressaltou que são perceptíveis as medidas tomadas para a chegada das pessoas e do material esportivo, mas que as filas de controle de imigração preocupam.

'Parece que se pensou pouco sobre como lidar com essas filas'. Ele ainda afirmou que a Agência de Fronteiras do Reino Unido garantiu que não há garantia de que seja possível abrir todos os guichês durante o período dos Jogos.

Entre as medidas tomadas pela direção do aeroporto, está um terminal provisório destinado exclusivamente ao retorno dos atletas e organizadores dos Jogos, nos dias seguintes a cerimônia de encerramento, no dia 12 de agosto.

O principal aeroporto londrino registrou em março deste ano, tráfego de 5,7 milhões de passageiros. Nos últimos 12 meses foi alcançada pela primeira vez a marca de 70 milhões de viajantes.

E a tal perguntinha de muitos bilhões de dólares: vocês acreditam que nossos eventos internacionais serão mesmo um sucesso? Para quem?

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Costura grosseira em tecido difícil

Há quem diga que o PSDB não nasceu para ser oposição. Balela! Apesar de exercer o poder desde a sua fundação, qualquer partido que se preze precisa exercitar o contraditório, razão da Política. Em outras palavras —até mesmo quando está no poder— um partido exerce a oposição; ou faz isso ou desaparece de cena num piscar de olhos. Então, essa conversa de que este ou aquele político (ou partido) "nunca exerceu a oposição" não passa de retórica.

O que existe de fato no Brasil são conflitos de interesse. Aqui, todos os partidos são "de esquerda", no nome, na sigla e até no discurso, apesar de serem conservadores no comportamento e na ação. A título de exemplo, o PSDB fez um dos governos mais liberais que se tem notícia. Promoveu privatizações, incentivou a livre-iniciativa, fez investimentos em infraestrutura, modernizou e enxugou o Estado (poderia ter feito ainda mais), etc. Na área social, talvez tenha sido o governo que melhor tenha cuidado da Saúde e da Educação, com propostas e ações que refletem positivamente até hoje, passados mais de uma década. E se assim foi, por que não continuou?

Bom, esta é a tal da "pergunta incômoda", aquela que não quer calar, para a qual só encontro uma resposta: FHC errou ao indicar seu sucessor. Melhor ainda, ele nunca deveria tê-lo feito. FHC deveria ter entregue ao seu partido a tarefa de indicar o melhor sucessor para mais oito anos de mandato. Infelizmente, o "S" do partido falou mais alto e escolheram a pessoa errada. Candidato da "Executiva", Serra não era a pessoa certa para o bom momento Lula. Em que pese suas excelentes qualificações, ele não era (nem nunca foi) páreo para o discurso ufanista (e mentiroso) do seu oponente. Falta-lhe "jogo-de-cintura", ginga, malícia; tudo o que sobra no outro oponente. Foi um massacre, guardadas as proporções.

Resumindo a curta história, o PSDB se notabilizou por fazer um belo governo conservador, queira você chamá-lo de direita, liberal ou mesmo neoliberal, embora eu não saiba bem o que as pessoas entendem por neoliberal. Para mim, será sempre conservador. Pode não ter sido um belo governo para muitos, mas foi muito bom para o País, que é o que conta. Os resultados estão aí para quem quiser ver e comparar, tão eloquentes que Lula não se atreveu a mudar uma palha sequer de seu lugar; apenas e tão somente mudou o discurso, que é o que a patuleia compra. É nisso que o PT é muito melhor que o PSDB: na retórica. Obras e realizações são para eles apenas detalhes menores, afinal, o que são promessas não cumpridas depois de apuradas as urnas?

O lulo-petismo turvou nossa realidade de tal maneira que ficou difícil entender o momento atual. Quando um partido como o PSD (de Kassab) é criado, aquele que diz "não ser de direita, de esquerda ou de centro", então fica claro que baixou um Exu na política, porque Exu "é a bagunça generalizada e o silêncio completo. Diz-se que Exu é a contradição. É o sim e o não; o ser e o não ser. Exu é a confusão de ideias que temos. É a invenção, descoberta. Exu é o namoro, é o desejo, é o sentimento de paixão desenfreadas e é também o desprezo. Exu é a voz, o grito, a comunicação. É a indignação e a resignação. É a confusão dos conceitos básicos. Aquele que ludibria, engana e confunde; mas também ajuda, dá caminhos, soluciona. É aquele que traz dor e a felicidade." Deus nos livre de Exu! —ao menos desse Exu-Kassab—, a "nova" noiva do lulo-petismo, a "arma secreta" para se vencer as eleições em São Paulo.

Isso sim é um Exu com pedigree!
Kassab se faz de esfinge: oferece seu partido e a si próprio ao PT paulista, diz ser da "base aliada" e, ato contínuo, jura amores a Serra. Como se pode acreditar em tal "rameira". Serra, por sua vez, não está muito bem com o eleitorado de São Paulo, embora custa-me acreditar que o são-paulino vá votar em Haddad ao invés de num Matarazzo ou num Covas. Sei lá, mas como disse antes, o Exu veio para confundir e avacalhar. Vejam o caso de Serra, certamente um dos melhores nomes do PSDB para concorrer à Prefeitura de São Paulo:
  1. Já foi prefeito uma vez. Jurou que cumpriria o mandato integralmente; registrou a "promessa" em cartório e descumpriu o acordo, fato que será muito bem lembrado se for ele o candidato.
  2. Se for ele o candidato, desarma a parceria Exu-Kassab/PT, mas só se for já. Se demorar muito, como nas outras vezes, o Exu-Kassab pode se eximir da sua "fidelidade canina" ao mentor, nenhum problema em se tratando da fidelidade de um Exu.
  3. Se for ele o candidato, como bem lembrou Merval Pereira no seu podcast na CBN, ele terá que se comprometer, desde já, com a candidatura Aécio em 2014. Ai! Essa vai doer e não só nos calos de Serra. Mas, pensando bem, não existe outra forma dele sinalizar ao eleitorado são-paulino, que ele não roerá novamente a corda passados mais dois anos. Não mesmo...
  4. Por fim, restam as famigeradas prévias. Serra as detesta de coração. Ele não se permite confrontar com tucanos de plumagem inferior, não mesmo. É pena (desculpem o trocadilho), mas isso mostra que, bem lá no fundo, Serra não é um democrata, muito menos um liberal.
Esta é a razão dele ter perdido para Lula e, pasmem, perdido também para Dilma! Pode-se até pensar que o eleitorado é burro, mas não é. Ele pode ser ignorante —e o é em sua maioria— mas não é burro; sabe que Serra soa falso quando se apresenta como liberal, porque ele sempre foi da esquerda. Foi aí que FHC se enganou (ou quis se enganar) e perdeu. E como já disse noutros artigos, o povo quer uma alternativa para Lula/Dilma —um antípoda, se preferir—, até porque se lhes oferecerem um falso-Lula para tal, eles, sabiamente, ficarão com o original.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Alvíssara

Quem faz jus ao prêmio é o Cláudio Humberto, onde peguei a pequena nota abaixo:

Livro aponta corrupção e espionagem tucanas

O livro A Privataria Tucana, do jornalista Amaury Ribeiro Jr., fartamente documentado, está à venda a partir desta sexta-feira em todo o País revelando fortunas tucanas em paraísos fiscais, após as privatizações do governo FHC, e a rede de espionagem montada pelo ex-governador de São Paulo José Serra contra seu adversário interno no PSDB, o também tucano Aécio Neves, que era governador de Minas Gerais.

Ah, como é bom uma notícia diferente para se comentar. Já estava ficando preocupado de só meter o pau nos governos Dilma e Lula, não necessariamente nesta ordem, mas é que eles realmente se esforçaram por aparecer. E é bom que se diga, desde já, que foram as mamatas ocorridas nas privatizações que levaram muitas pessoas — até então anti-petistas — a votar no Lula em 2002, fato a que chamei na época de "dar um corte no baralho".

Outro aviso: não sou, nem nunca fui, contra as privatizações. Já defendi meu ponto de vista até com o Helio Fernandes, crítico ferrenho da privatização da Vale do Rio Doce, à qual ele chama de "doação". Os fatos mostram que, mesmo doada, desfazer-se da Vale foi uma ótima coisa para o Brasil. E tem mais: pena que não privatizaram a Petrobrás (ou Petrossauro, como dizia o saudoso Roberto Campos). Mas voltando ao assunto, as negociatas que ocorreram paralelamente às privatizações mancharam a operação e deram ao Lula aqueles famosos 10 milhões de votos que sempre lhe faltavam nas eleições majoritárias. Realmente, a longo prazo corrupção não paga a pena, apesar de dar bom dinheiro de imediato. Agora, PSDB e caterva precisam se desdobrar para reverter o jogo. Pergunta-se: quanto eles já perderam (e ainda vão perder) com isso?

O que deu errado numa atitude correta foi a forma como as privatizações foram feitas. FHC e seu governo fizeram a privatização com cartas marcadas. Em nenhum momento o governo optou pela transparência do mercado. Se tivessem imitado o modelo de Lady Margaret Thatcher, nada disso aí estaria acontecendo. Lá, no Reino Unido, as privatizações foram feitas na Bolsa, isto é, os lotes de ações do controlador (o governo britânico) eram ofertados aos poucos para o mercado. Isso garantiu que não se transferisse a um grupo economicamente poderoso mais que as ações, ou o controle — Thatcher quis evitar que um monopólio ou oligopólio estatal se transmutasse num monopólio/oligopólio privado, potencialmente mais perigoso. Com ações micro-pulverizadas em Bolsa, o controle da empresa teria que se dar sempre por votação nas assembleias de acionistas, formação de grupos controladores e consenso — o board. Como esta é uma situação transitória, o board preserva os minoritários ao invés de esmagá-los, como aconteceu aqui.
O governo FHC foi guloso. Ele quis vender — junto com cada privatização — o controle acionário da estatal e o fez. Pensava-se obter maior ganho assim do que com as tradicionais operações em bolsa. No meu modesto entender, erraram grosseiramente. O fator especulativo multiplicador, de se tentar obter o controle, poderia fazer uma empresa como a Vale ou as grandes "Teles" renderem muito mais na venda; só levaria um pouco mais de tempo. A gulodice também teve outros efeitos colaterais — tráfico de influência — cujo resultado é o noticiado aí acima. Quando se vai vender uma empresa do porte de uma Vale, uma Telemig ou Telesp, muita grana precisa passar sob a mesa de negociações para azeitar os envelopes com as propostas. Deu no que deu...

Quanto ao affair Serra-Aécio, também narrado na nota, deixo para comentar depois. Isso ainda vai levantar muito pó (ouch!). Enquanto o livro ainda não chega aqui na minha cidade, fico de olho na mídia por mais buchichos. Essa história ainda vai render muitos artigos aqui.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Existem três tipos de mentiras...

Diz um dito popular e universal que são três as modalidades de mentiras: mentiras, mentiras cabeludas e estatísticas (lies, damned lies, and statistics). Eu concordo!

Não faz tanto tempo assim, vendo um gráfico apresentado num programa da GloboNews pela jornalista Míriam Leitão, a frase sobre mentiras me veio à cabeça imediatamente.Não, eu não estou dizendo que a Míriam estava mentindo, longe disso, mas o gráfico apresentado dava margem para outra interpretação além da exposta. Vou mostrar um pequeno trecho do programa "Espaço Aberto Míriam Leitão - 15 + 15", cuja íntegra pode ser vista aqui. No excerto, mantive um comentário do André Lara Resende a título de preâmbulo e paro logo após o comentário do José Pastore sobre o gráfico. Se você não viu, vale a pena ver todo o programa, senão, assista ao trecho abaixo.


Ricardo Paes Barros, o autor do gráfico apresentado, é pesquisador do IPEA e tabula dados sobre a pobreza no Brasil desde longa data. Dados estatísticos, via de regra, são apenas números — nada é tão impessoal —, cabe a nós tentar entender o que há por trás deles.

Notem no vídeo como o André ressalta, repetidas vezes, que o combate das causas da inflação e do descontrole fiscal foi o que permitiu o crescimento do País e a consequente redução da pobreza. Notem, no gráfico, que até 1992 a pobreza cresce. A primeira redução drástica dá-se em 1993, pós Plano Real e no governo Itamar, continuando a cair até o primeiro ano do governo FHC, quando o índice se estabiliza até o ano de 2003, primeiro ano do governo Lula. A partir de 2004 e até 2009 (anos Lula) o índice decresce acentuadamente. A linha de "pobreza extrema", quase uma reta, mostra um declínio também a partir de 2004. À primeira vista, é Lula quem consegue reduzir a pobreza com seus programas de distribuição de renda (e.g. Fome Zero e Bolsa Família). Na minha imodesta opinião, uma meia-verdade ou meia-mentira, como queiram.

O Plano Real, obra dos governos Itamar/FHC, foi quem permitiu a Lula obter aqueles ganhos. Na verdade, os ganhos tornaram-se visíveis em seu governo, mas são frutos dos governos anteriores. Oportunisticamente, Lula se apropriou do sucesso alheio e ainda contou com o beneplácito dos partidos de oposição ao seu governo — PSDB e DEM — que não só não o desmentiram como se calaram. O sociólogo José Pastore mostra que foi a oferta de emprego, mais que os programas assistencialistas-populistas — Fome Zero e Bolsa Família —, este último uma corruptela do programa Bolsa Escola de FHC, a responsável pela queda da pobreza. Derrota da inflação, privatizações e responsabilidade fiscal (para citar os mais importantes) foram as molas-mestras para a formação dessa onda. Lula, como bom surfista, pegou-a na hora certa e ficou bem na foto. Para a onda, em nada contribuiu. Aliás, tenho dúvidas que ele saiba como ondas são formadas.

Fato não mencionado no trecho do programa acima é a razão da queda da pobreza no governo Lula, esta ainda mais acentuada que aquela do Plano Real. Fosse ela fruto de um "programa de governo", a curva de pobreza absoluta também sofreria um declínio, o que não ocorreu. Minha melhor explicação para o fato foi o aumento da oferta de crédito — fenômeno chamado de "Nova Classe Média" — nada mais que o endividamento das classes C, D e E. O nível do endividamento social atual é da ordem de 65% e já se noticia o aumento da inadimplência. A bolha da nova classe média começa a estourar. Resumindo, o que o gráfico mostrou foi o aumento da riqueza lastreado no endividamento financeiro, isto é, o IBGE mediu a posse, não a propriedade dos bens; mediu uma falsa riqueza. Mais para o final do governo Lula, o Bolsa Família mostrou outros resultados além do da compra de votos — a pobreza absoluta declina com vigor. Palmas. Entretanto, se aquela população não buscar e/ou obtiver emprego, logo voltará aos patamares anteriores ou mesmo a um pior.

Fica aqui a lição: números e gráficos, irrefutáveis como todo fato, devem ser tomados no seu contexto; no papel ou informação aos quais destinam. Sós e desacompanhados, sem uma explicação da sua finalidade, induzem o (e)leitor a erro, turvam-lhe a visão e desvirtuam seu julgamento. Ainda bem que tanto o André quanto o Pastore corrigiram Míriam — não havia quase nada de Lula naquele gráfico, quanto muito um terço.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

A estupidez é infinita e universal

O título acima foi inspirado numa fala de Einstein. Dentre seus muitos pensamentos, existe um em que ele diz:
Two things are infinite: the universe and human stupidity; and I'm not sure about the universe.
que nós traduzimos assim: "[Existem] duas coisas infinitas: o universo e a estupidez humana; e eu não estou [absolutamente] certo sobre o universo." Pois bem, ficou meio literal mas, na essência, é isso aí. Na visão do gênio, a estupidez consegue ser ainda maior que o universo. Acho que agora entendo melhor o Dr. Jatene.

Eu fiz este preâmbulo porque acabo de ler uma matéria na Deutsche Welle que reporta a vitória do Partido Pirata (Piraten Partei) para a Câmara Estadual de Berlim, algo como nossa Assembleia Distrital do DF. Com 9,8% dos votos, o Partido Pirata Alemão certamente terá bom número de representantes. A eleição, entretanto [ainda bem], foi vencida pelo Partido Social Democrata (28,3%) enquanto que o partido da Chanceler Merkel, a Democracia Cristã, fez 23,4%. É necessário um mínimo de 5% dos votos para obter direito a assento no parlamento, então os 9,8% dos Piratas deve render duas cadeiras lá, ou mais.

A Europa tem dessas coisas. Vez por outra surge um movimento com novas ideias e nasce mais um partido "progressista". Deve ser o tédio. Foi assim com os Verdes, assim será com os Piratas. Enquanto os Verdes defendem a ecologia, o meio ambiente, a exploração sustentável de recursos naturais, combatem o aquecimento global, e que tais, qual é a proposta dos Piratas? Ora, a pirataria!, o que mais?

Lendo a entrevista que Sebastian Nerz — o grande vencedor da eleição — deu a Silvia Engels da Deutschlandfunk, é para ficar pensando seriamente naquilo que Einstein falou. Cito partes (minha tradução):
Deutschlandfunk: Transparência, isto é, tornar toda a informação pública e dar acesso livre e gratuito à Internet são as principais bandeiras dos Piratas. O que mais vocês têm a oferecer?
Sebastian Nerz: Primeiro, e mais importante, o Partido Pirata é pelos direitos fundamentais. Nós nos focamos nos direitos civis porque é uma área negligenciada pelos políticos.
DF: Isso é um tanto vago — todo partido democrático está comprometido com direitos fundamentais. Onde você acha que eles são negligentes?
SN: Em tudo! Nos últimos anos [pós 11/Set/2001] novas leis de segurança e vigilância foram aprovadas à custa dos direitos individuais; algumas aprovadas sem discussão real ou debate. A pergunta é, as leis atuais são razoáveis. O debate atual é sobre retenção de dados, com aprovação da maioria dos parlamentares do Bundestag [Parlamento Nacional Alemão] — sem se perguntarem se é uma boa ideia.
DF: Existem demandas que não estão no programa nacional do partido, por exemplo o transporte público gratuito em Berlim, a garantia incondicional de uma renda mínima [e.g. Bolsa Família] e a liberação do consumo de maconha. Como os Piratas planejam levar tais propostas para o plano nacional?
SN: É [será] um grande desafio. No plano nacional já concordamos com o ReSET, ou a garantia incondicional de uma renda mínima para todos. O transporte público gratuito também pode ser parte disso. Poder se locomover livremente pela Alemanha é um direito básico, mesmo quando é limitado por tarifas extorsivas. Se você vir quanto dinheiro é gasto no controle de bilhetes de transporte, verá que transporte público não é assim tão mau.
DF: Não, isso não soa mau, mas em vista do déficit orçamentário de Berlim, é bem ingênuo.
SN: Certamente o transporte público gratuito seria relativamente caro no início. Mas veja quanto o Estado joga no transporte individual, por exemplo quando constrói estradas, e se você considerar que as pessoas já estão pagando pelo transporte público — comprando passagens e pagando impostos — eu não acho que nossa proposta seja fora de propósito.
DF: Vários partidos de protesto se tornaram grandes decepções quando confrontados com a realidade. Como vocês pretendem evitar isso?
SN: Nós vamos continuar fazendo o que sempre fizemos. Nós tentamos criar estruturas abertas e transparentes e, nas reuniões do partido, nós discutimos intensamente sobre aquilo que fazemos. Agora mesmo estamos lutando para não sermos varridos. Se conseguirmos, não vejo porque não possamos ser um sucesso.
Resumindo o pensamento do pirata, uma colossal bobagem, um besteirol. Proselitismo barato e sem sentido, nonsense. Notem que o discurso é "tudo de bom para vocês". "Nós abriremos o cofre e repartiremos as riquezas entre os povos". Palmas, palmas, palmas! Quando o dinheiro acabar, acontece aquilo que a repórter da Deutschlandfunk bem salientou: "tornam-se uma grande decepção". O sujeito diz que "estradas são feitas para transporte individual" e quero crer que ele estava sob o efeito do último baseado para proferir tamanha estultice. E mais, cabe uma palavra sobre "tarifas de transporte extorsivas e controle de bilhetes": a tarifa é bastante módica e cobre todos os quatro sistemas de transporte. O tempo de espera médio é de 10 minutos e a tarifa mais barata cobre uma área equivalente à Grande BH. E mais, não há roleta! Você entra nos transportes e espera-se que esteja com o bilhete. Se um fiscal te pedir e ele não estiver, bem... você será preso! Nos mais de 20 dias que passei por lá, nunca me pediram, mas sempre o tive comigo. Cidadania começa nas pequenas coisas.

Eu não quero forçar a barra — reparem que nem mesmo grifei trechos da entrevista — mas parece que já ouvi essa história noutros lugares e noutras épocas. Nem vou citar nosso próprio balacobaco, mas notem como "certas propostas" dessas já foram ouvidas em Cuba, Venezuela, Bolívia, Equador... Os primeiros da lista já estão na fase da "grande decepção", os demais logo seguirão. Não há progresso possível com os "progressistas" pelo simples fato de que o maná não cai dos céus. Eles sempre falam em "distribuir riquezas", nunca em produzi-las antes de distribuí-las.

Para fechar, algumas palavras sobre o nosso próprio quintal: esse tipo de retórica também existe aqui. Por oito anos o lulopetismo surfou alegremente num Brasil com inflação debelada, um estado razoavelmente saneado — mas com muito ainda por fazer —, estatais privatizadas que pagam impostos e geram empregos ao invés de sacar fundos do Tesouro e fabricar "cabides", e um imenso potencial para crescer. É bom dizer que tudo isso foi conseguido em meio a quatro grandes crises internacionais no período entre os governos Collor-Itamar e FHC, período este em que o PT foi sempre CONTRA.

Pois bem, Lula teve oito anos com céu de brigadeiro, a economia mundial a pleno vapor, cofres cheios e tal. O país cresceu. Mas cresceu também a corrupção, o clientelismo, o roubo descarado do estado, o completo escárnio para com a opinião pública. Tal e qual um Rei Aúgias, ele criou seus bois imortais sem se preocupar com o acúmulo de excremento nos estábulos. Na bonança, Lula só produziu esterco, e o pior, não existe no Planalto um rio que possa ser desviado para limpá-los. Troque bois por votos, troque estábulos por curral eleitoral; o cheiro e a sujeira são iguais.

Contrário ao common sense, pouco ou nada foi feito em infraestrutura. As cidades estão atulhadas de carros e engarrafadas, o transporte público piorou, não há metrôs nem trens. Faltam-nos também estradas, ferrovias, portos, aeroportos... As obras do PAC ficaram no papel ou por terminar; de fato mesmo só o Bolsa Família, programa criado por FHC e desvirtuado por Lula para comprar votos e que o pirata alemão quer copiar.

Berlim, a cidade do pirata Nerz, tem dois sistemas de metrô independentes (um deles é privado), ônibus double-deckers e bondes, todos moderníssimos. São quatro sistemas de transporte público numa única cidade, tudo interligado e com bilhete único! É tão bom que é raro ver táxis nas suas ruas. A infraestrutura de transportes na Alemanha é exemplo para o mundo, nada que um pirata com discurso manco não possa destruir. Felizmente para os alemães, excrescências como esse Partido Pirata são como voos de galinha — feéricos e curtos — logo sobrevêm queda e decepção. Para mim, o PT é uma grande decepção e já deveria ter caído, mas Lula comprou todos os votos de que precisa.

O PT — como os piratas de lá — não construíram nada, estão destruindo o pouco que temos. Na Europa se elegem "Tiriricas" por bazófia ou tédio; nós por credo. Pois bem, saudemos nosso Pirata Lula, você não está só. Por todo esse universo há espertalhões como você e idiotas como nós. A estupidez humana é mesmo a maior grandeza do Universo.

sábado, 27 de agosto de 2011

Por que ninguém fala de privatizações numa hora dessas?

O que mais existe na Internet é gente metendo o pau no FHC. Estou citando FHC porque foi o Governo Não-PT mais próximo. Fosse o Collor-Itamar, seriam eles. Como um bordão, esse pessoal de esquerda sempre diz “sou contra!”, não importa bem o que; parece até disco quebrado (quem já teve e usou discos de vinil sabe o que a expressão quer dizer). O mais estranho é que eles (os de esquerda) se intitulam “progressistas”. Será que viverei para ver um “país progressista de esquerda” que não esteja falido, falindo ou no buraco?

Outro dia fomos informados de mais uma maracutaia “de esquerda”, uma fraude perpetrada pela recém empossada ministra da Casa Civil, a simpática Gleisi Hoffmann, e o presidente da Itaipu Binacional, Jorge Samek. Este senhor, digamos assim, “facilitou” a exoneração (i.e. demissão) da funcionária. Com isso ela pode levantar seu FGTS, acrescido da multa rescisória e que tais. Dizem que só os 40% da multa somaram R$ 41 mil, consequentemente ela tinha uns R$ 102,5 mil no Fundo. Somando tudo, só o FGTS rendeu a ela algo como R$ 144 mil. Seu salário lá, dizem, era de uns “mirrados” R$ 30 mil/mês, então, podemos assumir que a conta tenha saído aí por volta de uns R$ 255 mil. Nada mau!

Essa grana, segundo os partícipes da fraude, foi para financiar a campanha da Gleisi para o Senado Federal. Ha! Ha! Ha! Vocês acreditam mesmo que alguém usa recursos próprios para se candidatar ao Senado? “Só se for na França!”, diria o Benvindo Siqueira. Minha versão particular e bem pessoal é a seguinte: esta senhora, do alto de sua posição política, solicitou ao compadre Samek que “liberasse” aqueles fundos que, afinal, eram dela mesmo. Menos, companheira Gleisi, menos. Partes daquela grana não seriam pagas à senhora, como os 41 mil da multa e os 103 mil do Fundo, até possíveis de férias vencidas pagas em dobro. Se a senhora praticasse a Ética que prega o PT, teria pedido demissão e estaria andando hoje de cabeça erguida. Mas o que estou dizendo? Nunca vi petista de cabeça baixa. A começar por Lula, todos, mas todos mesmo, têm orgulho daquilo que fazem, até mesmo quando tungam os dinheiros dos trabalhadores.

Dona Gleisi está arrependida. Diz que está disposta a “devolver os 41 mil da multa tungada” para encerrar a querela. Está lá na coluna Painel da Renata Lo Prete. É o clássico “eu não sabia.” Não basta só devolver não, dona Gleisi. Tem mais malandro nessa maracutaia. Tem o presidente da Itaipu Binacional que a “demitiu a pedidos” e tem o crime cometido. Fraude e simulação são crimes previstos em Lei e vocês são cúmplices neles.

E para fechar, fosse Itaipu Binacional uma empresa privada, seu presidente JAMAIS se prestaria a tal papel. Nem ele, nem a ex-titular da sua diretoria financeira, a hoje Senadora Gleisi Hoffmann.