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quinta-feira, 19 de maio de 2016

Perguntar não ofende - 20

Ainda no Lauro Jardim…

Marina Silva desgastada na Rede

 

Insuportável até na própria casa

O grau de insatisfação de integrantes da Rede com Marina Silva, em pouco mais de seis meses de partido, é bem alto.

sábado, 27 de fevereiro de 2016

Cartas: Não irei às manifestações de 13 de Março



Recebi via WhatsApp a seguinte conclamação e resolvi compartilhar com vocês junto com algumas considerações:



Minha resposta (com algumas pequenas correções):


Sou cético quanto aos resultados desta manifestação...

Primeiro, porque os partidos políticos, oportunisticamente, resolveram abraçar os "movimentos de rua". Por si só, isto já desabona o movimento.

Segundo, porque os "movimentos de rua" — MBL, VPR e que tais — resolveram se politizar1… Não é de hoje que eles passaram a agir "midiaticamente". Depois da segunda grande manifestação, aquela marcada para um mês após a de 15/Março/2015 e que ficou bem abaixo do esperado, os organizadores resolveram adotar táticas de mídia.

Manifestações em cidades de menor expressão (como aqui em Sete Lagoas, MG) foram deliberadamente esvaziadas, e mesmo desestimuladas, em "benefício" de se transferirem para as manifestações de Belo Horizonte onde colheriam os holofotes e câmaras da imprensa. Não colheram nada!

Os resultados advindos da nova prática mostraram que são pouco mais que inócuas. O GOVERNO NÃO TEM MEDO DE OVELHINHAS PACÍFICAS — RI DELAS E FAZ POUCO CASO. Escrevi sobre este tema em "Como foi o rescaldo da passeata?"

Como se pode ver, esta minha opinião vem desde Agosto passado. Não mudei de ideia. Na verdade, estou ainda mais convencido que o governo teme muito mais aos panelaços que às passeatas. Está no texto acima: "Lobos temem o rilhar de dentes, os rosnados, o barulho; nunca o balir das ovelhas."

"DERRUBAR O ESTAMENTO BUROCRÁTICO", ou em outras palavras, derrubar TODO o governo (Executivo, Legislativo e Judiciário) é que deve ser nossa meta. É impossível para os brasileiros continuarem a produzir — para o seu próprio sustento e o da sociedade — com essas TRÊS BOLAS DE FERRO a nos tolher os movimentos. O Estado, em todos os seus níveis, é um fardo insuportável.

JOGUEM LOGO A BOSTA NO VASO E PUXEM A DESCARGA! É mais fácil reerguer o Brasil do NADA que tentar consertar A MISÉRIA em que se tornou.


Meu pitaco:

Na minha modesta opinião, Dilma já era. Ela cairá pela renúncia, pelo impeachment, pela cassação da chapa no TSE (o ideal no meu julgamento) ou pela extinção do seu partido — o PT. Notem: tudo isso acontecerá a despeito das manifestações do dia 13 próximo.

O que as raposas felpudas da política querem é usar estas mesmas manifestações como PRETEXTO para a pretensa retomada do poder, nada mais. Eu lhes faço uma provocação: Notaram como a imprensa — em peso — está "apoiando e até estimulando" a tal manifestação? Eles [os políticos] a usarão para dar "legitimidade" aos atos e fatos que se sucederão à queda da Tirana. Eles farão tudo o que lhes der na telha "em atendimento ao clamor social." E eu? Eu só consigo rezar para que Deus nos livre das "boas intenções" desses políticos.

Estou com uma estranha sensação de *déjà vu*…


  1. N.B. Não há mal algum em se politizar, bem ao contrário. Participar da vida política de um país é até condição essencial para sua higidez social, sua depuração e crescimento. Entretanto, é vital ressaltar, NOSSO SISTEMA POLÍTICO não foi erigido visando o bem do País ou da Nação. Foi criado — isto sim — para visar O BEM ESTAR DOS POLÍTICOS. Um estamento desta natureza não se auto-depura, mas corromperá inexoravelmente qualquer bom material que lá chegar.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Cartas: Irei ao Iraque

Acabo de receber num dos meus endereços de e-mail a seguinte mensagem que repasso a vocês (Atenção! Os grifos NÃO são meus.) Meu pitaco vem logo a seguir:

Olá, Euler.

Sim. Eu (nós, os citizengoers) irei ao Iraque.

Este é um breve e-mail para dizer que uma expedição de CitizenGO irá ao Iraque (escreverei novamente nos próximos dias para dar mais detalhes). Escrevo para dizer isso... e para lhe pedir ajuda.

A expedição durará onze dias: de 23 de fevereiro a 4 de março.

Seremos recebidos por comunidades de cristãos perseguidos, nos reuniremos com bispos e representantes de diversas igrejas locais, visitaremos os Yazidis e também uma parte dos imensos campos de refugiados, com representantes de organizações caritativas locais e internacionais.

O principal objetivo dessa iniciativa é ter uma experiência direta da difícil situação que os cristãos e outras minorias enfrentam na região devastada pela guerra, onde pessoas são perseguidas por serem cristãs. Ficaremos com refugiados cristãos de muitas igrejas católicas e ortodoxas presentes no norte do Iraque. Também encontraremos refugiados Yazidis e obteremos mais informações sobre a situação deles.

E como consequência desse objetivo principal queremos levar ajuda material a essas pessoas, dar a elas suporte emocional e espiritual durante o tempo que passaremos em suas comunidades.

Ainda que não possa ir pessoalmente, com certeza você enquanto citizengoer estará conosco e poderá ajudar diretamente... por meio de uma doação.

Poderia fazer uma doação de 10, 15 ou 30 reais (ou qualquer outra quantia que lhe pareça apropriada) para que possamos enviar ajuda humanitária aos nossos irmãos e irmãs que sofrem perseguição na Síria, Nigéria - não podemos esquecer a Nigéria - e Iraque, para que possamos iniciar novamente (na esfera política e internacional) novas e eficazes ações para ajudá-los?

https://donate.citizengo.org/pt/AJUDA-PARA-IRAQUE (por favor, lembre-se de escolher a moeda apropriada)

Euler, sei que fará a melhor doação que puder. Não importa que você doe alguma das quantias que propomos ou qualquer outra (espero que possa ser maior), ainda que seja um menor valor.

Deus lhe recompense!

Muito obrigado mais uma vez por estar aí…

Atenciosamente,

Guilherme Ferreira e toda a equipe de CitizenGO

P.S.: O apoio que pedimos é muito urgente. Se for possível realizar a doação, por favor, tente fazê-la antes de fechar este e-mail (lembre-se de que qualquer quantia, qualquer centavo, é muito útil: uma grande doação ajuda tanto quanto uma pequena doação).

Você pode fazer sua doação em: https://donate.citizengo.org/pt/AJUDA-PARA-IRAQUE (por favor, lembre-se de escolher a moeda apropriada). Se você preferir PayPal, basta utilizar este link: https://www.paypal.com/cgi-bin/webscr?cmd=_s-xclick&hosted_button_id=RWFN53G87VDNQ&lc=BR

Depois de fazer sua doação, por favor, compartilhe este e-mail com seus amigos, familiares e contatos. Com certeza mais de um deles compreenderá e lhe agradecerá por isso.

Se você é cristão ou professa alguma outra crença, por favor faça uma oração por nós, pois não se trata de uma expedição turística.

Os nossos objetivos

Ter uma experiência direta da difícil situação que cristãos e outras minorias enfrentam em uma região devastada pela guerra e onde as pessoas são perseguidas por serem cristãs.

Registrar testemunhos de refugiados (cristãos e outras minorias) a fim de realizar um trabalho de conscientização em nossa grande comunidade CitizenGO, de modo que possamos ter maior influência na esfera internacional para lutar pela proteção dos cristãos perseguidos.

Disseminar com todos os meios que temos à disposição uma realidade frequentemente esquecida pelos meios de comunicação ocidentais.

Levar ajuda material (levaremos as doações que coletamos durante a campanha de outubro de 2015 diretamente às comunidades de refugiados). Enviarei um e-mail específico com os detalhes das quantias arrecadadas.

Realizar convites a autoridades cristãs iraquianas para que possam participar do evento #WeAreN2016, que será realizado na sede das Nações Unidas (trata-se da segunda edição do Congresso Somos Todos Nazarenos, que ocorrerá em Nova York, no próximo dia 29 de abril)


Meu pitaco:

Esse negócio de "petições" já passou das medidas. Tem de tudo: boas petições, más petições, petições justas, injustas, cretinas, cabotinas, oportunísticas, levianas, tocantes, chocantes, aterrorizantes, maledicentes, ameaçadoras, apaziguadoras, patéticas e por aí vai. Você pode escrever o adjetivo de sua preferência que ele caberá como uma luva numa e-petição.

O que questiono — e aqui estou assumindo pessoalmente o questionamento — é a eficácia de tais petições pela Internet. Já participei de várias, inclusive uma a convite do professor Olavo de Carvalho e direcionada a Barack Obama (@POTUS). Obama deu uma desculpa esfarrapada ao final e a vida seguiu seu curso. Ah! Eu também precisei bloquear o e-mail da Casa Branca que não parava de enviar lixo político para mim…

Desculpo-me antecipadamente pelo meu ceticismo, mas esses sites de petições são meras arapucas para se arrecadar algum (ou muito) dinheiro, em nome de "necessitados", sem qualquer garantia explícita ou implícita de que a "ajuda" chegará a eles. O fato de Jorge Soros ser proprietário de um deles Change.org inspira-me cuidados. Comigo não cola mais. Todas as mensagens, de qualquer um desses sites, serão solenemente ignoradas e, na medida do possível, bloqueadas.

E vai um conselho gratuito: se quiser que um político, uma entidade ou uma autoridade qualquer CUMPRA com seu dever, comece por sacudir-lhe pelo colarinho entre um par de bofetões. Você verá que o público à sua volta lhe dará apoio sem necessidade de petições e listas de qualquer espécie — e principalmente — DE GRAÇA!

Nossa classe política está a precisar de uns sopapos, e só!


quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Cartas: "SE A DILMA SAIR, QUEM VAI ASSUMIR?"

Uma querida leitora me escreve sobre meu último artigo, e diz:

Euler, também acho imoral custear esses 'fundos', mas aí vai outra pergunta:

"SE A DILMA SAIR, QUEM VAI ASSUMIR?"


Mais direto, impossível. Eu disse a ela…

…Eu quero crer que alguém melhor que ela, já que não imagino que possa haver algo pior. Ela é muito RUIM. É incompetente, incoerente, destrambelhada, lunática, tirana, histriônica, míope (figurado), anacrônica, escrota, bisonha, mentirosa, cretina, pusilânime, repulsiva e ARROGANTE.

Eu poderia ficar aqui por mais uma hora ou duas adjetivando a bruaca com o que há de pior no Houaiss e ainda assim não faria justiça a ela. Então, como pode ver, não é difícil arrumar algo melhor. Contudo — e acredito que esta é a razão da sua dúvida —, será que conseguiremos encontrar alguém MELHOR O BASTANTE? Eu acho difícil. Para lembrar a frase preferida de um professor colombiano (acho) dos meus tempos de PUC-MG: "No es de todo imposible, pero es muy difícil."


E ela ainda emendou:

"EXISTE POLÍTICO QUE MEREÇA RESPEITO?"


Certamente que sim, mas são poucos, e pior, insuficientes para a NECESSÁRIA E URGENTE REFORMA DO ESTADO. Não vamos nos enganar. Não será com este estamento burocrático (como nos ensinou Raymundo Faoro) que consertaremos a República ou qualquer outra forma de governo. Eu ainda emendaria que também NÃO SERÁ COM ESTE POVO, por doída que seja tal constatação.

Veio a mim a frase de Pelé (é duro ter que recorrer a ele, mas o povo aqui só entende futebol e carnaval) quando disse "O brasileiro não sabe votar." Convenhamos, NÃO SABE MESMO! Esperar desse povo o discernimento de escolher governos e representantes probos e responsáveis é o mesmo que esperar de uma ameba o entendimento da mecânica quântica.

Se a frase de Pelé já era verdadeira quando ele a proferiu — e já se vão 38+ anos —, é ainda mais agora. Nesse ínterim, NÃO APRENDEMOS NADA! Pior, eu me arrisco a afirmar que desaprendemos o pouco ou nada que sabíamos. Não é por outra razão eu defendo que analfabetos não possam votar — "possam" e não "devam" —, e meu argumento é simples:

QUEM NÃO PODE SE INFORMAR NÃO PODE TER O DIREITO DE OPINAR.

E no Brasil é ainda pior já que o voto NÃO É SÓ UM DIREITO MAS UM DEVER. O estado brasileiro obriga que os milhões de indigentes intelectuais do país a legitimá-lo e chama a isso "democracia". Não é! É uma FARSA! É uma ENGANAÇÃO! E como descaradamente disse Lula uma vez, "É BARATO!" Barato porque pobre se contentam com qualquer migalha, afinal, migalha já é muito para quem não tem nada. E até esta "migalha", é bom salientar, Lula e sequazes urdiram custeá-la com verbas públicas. Tirou do povo para dar ao povo segundo sua conveniência. LULA É DIABÓLICO COMO O PRÓPRIO DIABO.

Assim, não tenho muitas esperanças que a coisa mude muito, mesmo que qualquer mudança seja uma melhora — por menor que seja ou que fosse —, já que estamos no terreno das hipóteses. Estou me tornando mais descrente, mais cínico a cada dia. Minha fé está apenas na ruptura do status quo, mesmo que violenta, e o quanto antes melhor.

Abração!
Euler

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Cartas: "Quero te latir (não sei se entendes a linguagem de cachorros) algumas coisas"

Veríssimo, sem o sax
Luís Fernando Veríssimo, aquele gaúcho gordinho que não se cansa de envergonhar o pai — este sim, Veríssimo de verdade —, publicou no último dia 20 sua crônica no jornal Zero Hora de Porto Alegre. Nela ele compara os manifestantes que foram às ruas no dia 16 de Agosto (assim como os que foram em 12/Abril e 15/Março) como "cachorrinhos que correm atrás de fucas." Eu, hein...

Sabemos das preferências políticas do Veríssimo gordinho e de sua aversão aos que defenestram a canalha petralha — sua preferência, fazer o que — mas uma professora, aliás ex-professora das suas filhas, resolveu lhe responder à altura. Nem precisava tanto: o tal gordinho é baixinho, baixinho...

Prezado LF Verissimo:

Na crônica com o título ‘O Vácuo’, comparaste os manifestantes contra o governo aos cachorros vira-latas que, no passado, corriam atrás dos carros, latindo indignados. Dizes que nunca ficou claro o que os cães fariam quando alcançassem um carro, por ser uma raiva sem planejamento. E que os cães de hoje se modernizaram, convenceram-se de seu próprio ridículo, renderam-se ao domínio do automóvel.

Na tua infeliz e triste comparação, os manifestantes de hoje são vira-latas obsoletos sitiando um governo que mais se parece com um Fusca indefeso, que sabem o que NÃO querem – Dilma, Lula, PT – mas não pensaram bem NO QUE querem no seu lugar. Como um velho e obsoleto cachorro vira-lata, quero te latir (não sei se entendes a linguagem de cachorros) algumas coisas:

1. Independentemente das motivações de cada um, tenho certeza de que todos os cachorros na rua correm em busca dos sonhos perdidos, que, em 13 anos, foram sendo atropelados não por um Fusca indefeso, mas por um Land Rover de corrupção, imoralidades, mentiras, alianças políticas espúrias, compras de pessoas, impunidade, incitação à luta de classes, compra de votos com o Bolsa Família , desrespeito e banalização da vida pela falta de segurança e de atendimento digno à saúde, justiça falha, etc, etc.

2. Se os cachorros se modernizaram e pararam de correr atrás do carro, não foi por se convencerem do próprio ridículo. Foi porque não conseguiram nunca alcançar os carros e isso os desmotivou. Falta de planejamento, concordo. Mas os cachorros de agora aprenderam que se correrem juntos, unidos, latindo bastante atrás do carro, cada vez mais e mais, de novo e de novo, chegará uma hora em que o motor vai fundir. Eles vão alcançar o carro. O motorista vai ter que descer do carro e outro assumirá. Pior do que está não vai ficar, embora o conserto vá demorar muito. Não vai ser fácil, mas os vira-latas vão conseguir se organizar, pelo voto. Não pela ditadura.

3. Não é verdade que o latido mais alto entre os cachorros foi o de um chamado Bolsonaro. Acho que estavas na França gozando das delícias de um croissant na beira do Sena (enquanto os vira-latas daqui corriam atrás do osso perdido) e não viste os vídeos das manifestações. Se bem que a TV Globo e o Datafolha também não enxergaram nada. O que mais cresceu na manifestação foi uma certeza, a certeza que vai fazer esse país mudar: com essa Land Rover desgovernada não dá mais. Os cachorros com seus latidos unidos jamais serão vencidos. E sabem que mais dia, menos dia, esse carro vai parar. É assim que começa, pena que eles não acreditem. Não vai ter mais dinheiro pra comprar brioches para o povo. E o número de vira-latas vai aumentar muito. Quem comandará a corrida? Não sei, só sei que prefiro ser um vira-lata à moda antiga do que um vira-lata moderninho que se rende a uma Land Rover.

4. Te enganas quando dizes que os cachorros de antes corriam atrás dos carros porque a luta era outra. Não, a luta é a mesma, o contexto é diferente. Os cachorros não querem um passaporte bolivariano. O vácuo vai ser preenchido, não te preocupes. Por quem for necessário e aceito, desde que não seja pelo exército do Stédile.

5. Em tempo: essa vira-lata que te fala foi professora das tuas filhas no antigo e admirável Instituto de Educação. Lá aprendi que é importante latir não por latir, mas para defender os sonhos possíveis. E tuas filhas devem ter aprendido muita coisa com os meus latidos. Continuo latindo, agora na rua, para derrubar o que acredito ser um mal nesta nação arrasada: a corrupção e, mais do que isso, um governo corrupto, que perdeu totalmente a vergonha. Eles criaram um “vácuo” de imoralidade e de incompetência que vai ser difícil de recuperar. Mas, vamos conseguir!

Atenciosamente, auauau.

ROSÁLIA SARAIVA


Meu pitaco:

Veríssimo é tão baixo que não vale meu latido, mas não poderia deixar de replicar e parabenizar Dona Rosália pela lição dada a ele. Há uns anos ele receberia também umas boas chineladas do pai.

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Cartas: "Como foi o rescaldo da passeata ?"

Recebi de um amigo paulista esta manhã:

> Meu caro tudo bem ai em casa ? Como foi o rescaldo da passeata ? Estou te
> repassando um email que recebi de um amigo de Brasília para a devida apreciação.


(Anexas, duas longas correspondências entre generais do EB)

Caríssimo Amigo,

Obrigado pelas mensagens enviadas. O conteúdo delas vai ajudar a compor meu próximo artigo — um assunto que venho amadurecendo há tempos — e que espero terminar antes do próximo fim de semana.

Incrivelmente, não tivemos manifestações aqui na minha cidade. A turma achou melhor ir para BH e engrossar a manifestação de lá. Segundo eles, "só as manifestações das capitais entram no compto das estatísticas." Hein?!

Eu não sei o que passa pelas cabecinhas juvenis hoje em dia, mas no tempo em que eu ainda era imberbe, nossas manifestações eram por valores, não por estatísticas. Será que estou errado em ver nessa juventude uma verve narcisista? Será que é o efeito maléfico das mídias sociais (odeio tanto o eufemismo quanto elas próprias) que faz com que todos sejam "seguidores" dos mais badalados, dos mais polêmicos, dos mais escrachados, dos mais mais?

Um desses petralhas falou que o pessoal ia às ruas para fazer selfies, obviamente no intuito de depreciar a manifestação, mas não estava errado não! Boa parte estava lá pela festa, pelo auê. Eu mesmo já vi uma dezena de vídeos postados no YouTube sobre a última manifestação. De matérias jornalísticas a hangouts da moçada de todo o país. Chega a ser comovente. O problema é que no dia seguinte à mega manifestação, TODAS as instâncias do governo (Executivo, Legislativo e Judiciário) continuaram a fazer o que sempre fizeram: IGNORARAM O CLAMOR POPULAR E TOCAM SUA PAUTA, sem pruridos.

Nem vou cobrar outra atitude da Dilma (já que ela é a principal das Genis), mas ninguém ouviu de Renan ou Cunha um convite para os manifestantes contextualizarem suas reivindicações. O mesmo se pode dizer do Supremo, mas seria esperar muito do Lewandowski. Eles se fingem de mortos na esperança da raiva popular passar. E não se engane: ELA PASSARÁ se nada acontecer, se ninguém se mexer.

A tática é velha e foi amplamente usada por Sarney, um mestre. "Dê tempo ao tempo e tudo passa, todas as feridas se curam." Certíssimo! Também me lembro da fala do Reinaldo Azevedo: "Não ousem deter a marcha dos pacíficos!", bradou no blog e na rádio. Bonito... bonito, mas inócuo. Estamos pacíficos demais, ordeiros demais. Não advogo sair por aí destruindo a coisa pública ou privada — não sou black bloc —, mas é preciso mostrar os dentes para a canalha encastelada no poder. Eles precisam ser ENFRENTADOS fisicamente, razão pela qual defendo que as próximas manifestações sejam EM BRASÍLIA apenas.

Nós podemos ser uma grande multidão — somos milhões —, mas milhões de carneirinhos desdentados. Para os lobos do Planalto ainda não somos ameaça, apenas comida na forma de impostos. Predadores não fogem de medo quando veem a "marcha dos pacíficos" — lambem os beiços.

> Forte abraço e recomendações a Marta.

O mesmo para você e Tânia!

Euler

quinta-feira, 14 de maio de 2015

Cartas: PT - Um partido para tempos de guerra

Meu dileto amigo que me escreve, provoca-me: "Meu caro, veja isso...", e logo abaixo um link:

http://www.pt.org.br/wp-content/uploads/2015/04/TESES5CONGRESSOPTFINAL.pdf

Como se pode ver antes mesmo abrir, trata-se do famigerado caderno de teses de Abril/2015 do PT, vulgo Partido dos Trabalhadores, aquele ao qual cognominei "a pior saúva que já apareceu no Brasil". Já começo a pensar que fui brando demais.

A primeira coisa que me veio à cabeça quando li o tal "caderno" (leitura pesada, requer estômago forte) foi "como pode existir tanta arrogância, tanta prepotência, tanto desprezo pelo outro num único lugar, numa única agremiação." São todos tiranos, fascistas da pior espécie. Chamá-los de criminosos é ofensa ao crime! Fica clara a razão da admiração de Lula por Hitler, ele e outros bandidos da História: são iguais!

Ao meu amigo fiquei devendo resposta. Só me restou o lamento.


Prezado Amigo:

Eu não sei onde isto vai parar. Quando se pensa que eles estão derrotados, acabados, ressurgem das cinzas. FHC já cometeu este erro antes, e não somente ele, como comentei aqui e aqui.

Ontem, lendo um tweet do Olavo de Carvalho, precisei me render às evidências. Ele disse: "A pergunta angustiadamente repetida, 'A quem o povo pode recorrer?' já está respondida: a ele mesmo e a mais ninguém." É duro reconhecer que nossa democracia representativa, tão duramente conquistada, não passa de uma farsa, um engodo se quiser.

Pior, não vejo como exequível a participação popular. Não nos enganemos, será preciso bem mais que a mobilização de 3 milhões de pessoas para derriçar essa canalha do poder, e por "canalha" não me refiro apenas aos petistas e seus sequazes. Sob este adjetivo eu ponho TODOS os poderosos, de todos os poderes, de todas as esferas.

Estou começando a pensar que precisaremos de um milagre, um bem rápido e bem grande.

Um grande abraço,
Euler

domingo, 22 de março de 2015

Cartas: "Você conhece o PMB?"

Prezado Amigo,

Tudo bem aí? E a Patroa? Espero que todos estejam bem; minhas recomendações a ela. Que negócio é esse de enciclopédia? Sou apenas um mero curioso que não tem medo de dar pitacos e que quase sempre queima a língua. ;-)

Olha, eu tomei conhecimento desse PMB - Partido Militar Brasileiro, acredito, no ano passado, e não dei muita importância não. Até porque o Brasil está precisando de homens, de líderes, não de partidos. Partidos temos às pampas e precisamos reduzi-los ao mínimo dos mínimos, não aumentá-los, até porque nos custam muito dinheiro.

Eu costumo dizer que a melhor coisa que o regime militar nos presenteou foi o bipartidarismo, que a Constituição de 88, uma das piores das muitas que este país já teve, achou por bem terminar. Mas como no livro do Roger Scruton que estou lendo (How to be a conservative), o conceito bipartidário é coisa de países de língua inglesa...

Assim, não é de se admirar que o militar de maior proeminência no meio político, o Bolsonaro, não cerre fileiras com o PMB. Também é de se destacar que partidos "representativos" de classes em geral não as representam. Existe sempre um quê de burrice quando se limita ostensivamente seu público, correto?

Na minha particular visão, partidos deveriam ser essencialmente organizações privadas, criadas e financiadas por seus simpatizantes e nada mais. Assim, ao assinar uma lista para a criação de um partido, o signatário se obrigaria também a custeá-lo, digamos, por no mínimo um par de anos. Hoje, um idiota assina a criação de um partideco qualquer e repassa parte de ônus para mim e para você. Não só isto não é justo como é amoral.

Horário político gratuito é outra grosseira aberração. Faz de mim, por exemplo, financiador do PT, PSOL, PCdoB, PSTU, PCO e por aí vai. Para ser honesto, nem PSDB mereceria meu suporte, talvez o DEM ou o PMDB de outros tempos. Mas se a "estatização da política" cria, por um lado, um ônus que não me cabe, por outro, cria falsas representações: que partido se rebelará contra tal estado de coisas que lhes convém.

Terminar com tal excrescência sanearia nossa política em coisa de um par de anos. Poderíamos ter feito isso na última constituinte, mas a cegueira política da oposição que tomava o Poder criou esse aleijão que aí está.

Tenha um bom Domingo!
Euler




N.B.: A série "Cartas" que se inicia hoje será a transcrição, tão literal quanto possível, de cartas (em geral e-mails) para pessoas de meu relacionamento. Evidentemente, nomes serão sempre omitidos ou alterados para preservar o anonimato dos meus correspondentes. O intuito aqui é o de divulgar ideias e opiniões, nada mais.