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quinta-feira, 12 de julho de 2012

As cinco fases do luto de Dilma

Caiu a ficha! Dilma — só agora — percebeu que embarcou numa canoa furada. Pior, descobriu que nessa canoa ela é a própria rolha! Oito anos de "Era Lula" esburacaram o casco da Nau Brasil. Ó dó...

Na matéria publicada pelo Estadão fica claro a primeira fase do luto: a negação. Pela regra virão a seguir a raiva, a barganha, a depressão e, por fim, a aceitação (*), se bem que raiva, barganha e depressão já fazem parte do cotidiano da presidenta. Vamos à matéria, grifos meus.

Uma nação não é medida pelo PIB, afirma Dilma

Para a presidente, Brasil será um país desenvolvido quando todas as crianças e seus jovens tiverem acesso à educação de qualidade

BRASÍLIA - A presidente Dilma Rousseff afirmou na manhã dessa quinta-feira que a grandeza de uma nação não é medida pelo Produto Interno Bruto (PIB), mas pelo que faz pelas suas crianças e adolescentes. "Uma grande nação deve ser medida por aquilo que faz para as suas crianças e adolescentes, não é o PIB, é a capacidade de o País, do governo e da sociedade de proteger o seu presente e o seu futuro", discursou Dilma, diante de uma plateia formada, na maioria, por adolescentes, durante a 9ª Conferência Nacional dos Direitos da Criança e Adolescente.

"O Brasil durante muito tempo conviveu com uma situação lamentável e terrível, ser um país com tantas riquezas, formado por um povo tão solidário, mas que uma parte imensa da sua população estava afastada dos direitos e, sobretudo, dos benefícios dessas riquezas e de tudo que esse país pode produzir", afirmou.

Dilma destacou programas do governo federal, como o Brasil Carinhoso e o Bolsa Família, prometendo aumentar - até o final de 2014 - de 33 mil para 60 mil escolas o número de escolas de ensino fundamental e médio que tenham dois turnos.

"Vamos disputar o que é a economia moderna, que é a economia do conhecimento, aquela que agrega valor, a internet, as tecnologias de informação. Esse país vai ser um país desenvolvido quando todas as crianças e seus jovens tiverem acesso à educação de qualidade", afirmou.

"Lugar de criança e adolescente é na creche e na escola, num ambiente seguro, é nas escolas técnicas, é nos campos esportivos, é em todas as manifestações artísticas, é sobretudo em um ambiente seguro, livre da miséria, da violência e dos abusos."

No encerramento do discurso, a presidente manifestou apoio à candidatura do brasileiro Wanderlino Nogueira Neto ao Comitê de Direitos da Criança da ONU. Dilma deixou o Centro de Convenções Ulysses Guimarães, local do evento, sem falar com a imprensa, evitando comentar a redução da taxa Selic, definida ontem pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central.
A presidenta deveria começar por devolver o diploma porque tal afirmação renega não apenas princípios da Economia como até mesmo a lógica mais tacanha. Com o que a presidenta pensa "proteger presente e futuro de nossas crianças e adolescentes"? Certamente não será com esse discurso vazio. Aliás, presidenta, falta-lhe o traquejo do seu antecessor para ficar distribuindo bravatas. A senhora simplesmente não convence.

O festival de trapalhadas, iniciadas por seu antecessor transmutaram nosso antes grandioso país num grande circo. Nem mesmo ao Paraguai impomos mais respeito, já que a senhora passou a ser joguete de Chávez e daquela perua argentina. Como mandatária a senhora só é boa em esgrimir impropérios e exibir nenhuma capacidade. Lembre-se, o Brasil é bem maior que a sua antiga lojinha de quinquilharias chinesas de Porto Alegre, aquela que a senhora já faliu.

E como o PIB teima em não subir — mesmo com esforços do seu ridículo ministro Mantega, apelidado "levantador-de-PIB" — nega-lhe a importância que tem (negação), berra com seus ministros (raiva), propõe e aceita os acordos mais espúrios que se possa engendrar (barganha). Não sei o que se passa entre as quatro paredes onde a senhora se esconde, mas é lícito imaginar que o peso da sua própria incompetência a faça vergar (depressão). Só não espero de você aceitação, porque lhe falta o mínimo de inteligência para isso.



(*) Elisabeth Kübler-Ross, M.D., On Death and Dying, 1969.

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Ciro Legal


Kaboooog!!!
Muita gente não vai entender — o cartoon já tem algumas dezenas de anos fora do circuito normal — mas Pepe Legal é a cara do Ciro. Fanfarrão, metido a sabe-tudo e trapalhão. Não fosse o burrico Babalu (Baba Looey no original) ele se veria sempre em maus lençóis. Na verdade, está sempre a fazer burradas, enquanto seu fiel escudeiro, o Mexican burro Baba Looey, retira as castanhas quentes do fogo para ele. Típico...

Histriônico como de hábito, Quick Draw McCiro aperta o gatilho da sua metralhadora giratória. É sempre assim quando se avizinha uma eleição. Parece que baixa um "santo" e ele perde completamente o controle dos músculos da boca e dos neurônios do cérebro. É como no desenho animado, só que Quick Draw McCiro não tem um Mexican burro só dele, razão pela qual acaba sempre recebendo aquilo que tão abundantemente joga no ventilador da mídia... Segue abaixo um pouco do "nosso" Quick Draw McGraw, o Ciro Legal sem Babalu. Volto depois.

Ciro Gomes: ‘O PSB não é sublegenda de partido nenhum’

Blog do Camarotti
O ex-ministro Ciro Gomes rebateu críticas de setores do PT incomodados com a decisão do PSB em disputar eleições contra os petistas em capitais como Belo Horizonte, Recife e Fortaleza.

“O PSB não é sublegenda de partido nenhum”, avisou Ciro. Num recado direto aos petistas, disse que o partido tem que ser respeitado na sua estratégia de poder. “Temos que ser respeitados como partido quem tem pretensão de participar com as suas próprias ideias e quadros do debate brasileiro”.

Ele lembrou que o PSB fez grande esforço para convencer o partido em São Paulo em apoiar a candidatura do petista Fernando Haddad. E ressaltou que, em 2010, sua candidatura presidencial foi sacrificada para o PSB apoiar Dilma.

“Eu próprio fui sacrificado, na justa pretensão que tinha, e acredito que com a história que tinha era o mais preparado das possibilidades de candidatura na eleição passada. E o partido retirou minha candidatura quando estava em segundo lugar nas pesquisas para apoiar a presidente Dilma, do PT. Se o PT não entender isso, é porque a goela do PT ficou maior do que a cabeça”, disparou Ciro.

O ex-ministro também atacou o senador Aécio Neves (PSDB-MG) por ter trabalhado nos bastidores para implodir a aliança com petistas e tucanos em torno da reeleição do prefeito de Belo Horizonte, Márcio Lacerda (PSB). Ele disse que ficou decepcionado com ação de Aécio, numa recente conversa que os dois tiveram para tratar da aliança na capital mineira.

“Foi nessa conversa que me decepcionei, não com ele, mas com a atitude nesse assunto”, disse Ciro para em seguida completar: “À medida que ele faz o jogo da coisa miúda, ele descumpre a própria tradição de Tancredo Neves. Se ele tem essa missão histórica do futuro ele não pode ficar cuidado de aliança de vereador e ficar botando faca no pescoço de aliados como eu.”


Nem tudo o que Ciro diz é inverdade, bem ao contrário. O problema dele, a meu ver, é a imprecisão. Como no desenho animado, Ciro "Saque Rápido" (Quick Draw) pode até ser rápido no saque e no manejo da arma, mas é ruim de pontaria e trapalhão; frequentemente atirando em seu próprio pé como ocorrido na eleição presidencial de 2002 quando liderava o pleito. Para os que não se lembram, durante os primeiros meses de campanha, Ciro Gomes esteve disparado na frente de Lula e Serra.

"Pepe Legal tem mesmo é miolo mole."
Pessoas dizem que ele tem uma metralhadora giratória, mas eu acho que o que ele tem é um ventilador e muita merda para jogar nele. E aí é um Deus nos acuda porque todo mundo sabe o que acontece quando se joga algo no ventilador: pode ir para qualquer lado ou mesmo para todos! razão pela qual não se deve jogar fezes nele.

Mas Ciro não está nem aí. Tanto faz se ele quer atingir Serra, Aécio ou Lula... Tanto faz se seu alvo é o PSDB, o PT ou seu próprio PSB; sua escolha sempre recai na arma errada e aí é merda pra todo lado — Ciro no meio.

Ciro diz — apropriadamente — que "o PSB não é uma sublegenda de nenhum partido", mas não é assim que o PSB se mostra. Como ele próprio relata, eram aliados do governo estadual paulista e passaram a apoiar o candidato do PT após uma simples "conversa" de Lula com o seu presidente, o governador Eduardo Campos. O mesmo ocorreu em Belo Horizonte, onde o candidato-de-bolso-de-colete-do-Aécio — Márcio Lacerda — resolveu cuspir no prato peessedebista depois do dito convescote Lula-Campos. Até o Aécio ficou vendido nessa e resolveu reagir. Segundo se ventilou aqui, até mesmo ao candidato derrotado no último pleito — Leonardo Quintão (PMDB) — foi oferecido apoio. Tudo indica que Márcio Lacerda recuou nas suas pretensões de voo solo, ou do seu partido, até porque ainda não tem "asas" para isso.

"E nô-o se esqueça disso!"
Será que é esta a "faca no pescoço" à qual o Ciro se referia? Não posso afirmar, mas a verdade é que Aécio fez movimentos nas sombras nessas últimas semanas e o quadro político local mudou. Neste porém — a contrário do que diz Ciro — Aécio é bem mais habilidoso e bem menos trapalhão. Ele não queima pontes, ao contrário de Ciro, mostra-se sempre conciliador apesar de manter-se firme. Ciro diz que a faca em seu pescoço era de Aécio, mas vocês notaram que "a faca que o sacrificou" estava na mão de Lula? Por que ele não disse disse com todos os efes e erres o que todos sabem? Medo? Subserviência?

O PSB é um partido que cresceu muito nas últimas eleições, com grande representação no Congresso, vários Governadores e participação ativa no governo Dilma — é da base governista — mas se mantém pequeno e subserviente. Ciro também. Talvez esteja no seu quase ostracismo político a razão dos seus destemperos. A ele falta ajustar o alvo — sua pequenez e a do seu partido — e melhorar em muito sua pontaria, porque jogar fezes nos outros é coisa de símios, especialmente aqueles de zoológico.

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Três dedos

Do Estadão eu peguei um trecho de reportagem que referencia o recente episódio Lula-Maluf e que repasso a vocês; depois solto meu pitaco. Grifos meus.

Marina alfineta Lula sobre aliança com Maluf

'Vale misturar água e óleo para ter tempo de TV', disse a senadora durante discurso na Rio+20; acordo rendeu 1min35s à propaganda eleitoral de Haddad
RIO - Em um discurso na Cúpula dos Povos nesta terça-feira, dia 19, Marina Silva alfinetou a aliança entre o PT de São Paulo e o ex-prefeito Paulo Maluf. Segundo a ex-senadora, para alguns políticos “vale misturar água e óleo para ter tempo de TV.” A fala, feita em uma das principais plenárias da Cúpula, foi aplaudida de pé pelo público que mais uma vez ovacionou Marina Silva e seu posicionamento contrário aos rumos do documento oficial da Rio+20.

“Eles acreditam que só existe a política do pragmatismo, acreditam que vale misturar água e óleo apenas para ganhar mais tempo na televisão sem nem saber sobre o que propor”, afirmou Marina Silva, que foi ministra do meio-ambiente durante o governo Lula. Nessa segunda, 18, o ex-presidente anunciou aliança com Paulo Maluf em apoio à candidatura de Fernando Haddad à prefeitura de São Paulo. O anúncio causou desconforto entre os próprios petistas e ameaça a permanência da deputada Luiza Erundina (PSB) como vice na chapa.

Meu pitaco:

As vestais sempre me impressionaram negativamente. Quando alguém se apresenta assim muito certinha, muito pura, muito verde, muito... eu desconfio. E com Marina não foi diferente. Desde a primeira hora eu a vi falsa como uma nota de três — e não me enganei.

Diz um ditado que quando se aponta o dedo para alguém outros três ficam apontados para você. É uma forma de imitar com gestos a mensagem contida naquela célebre frase, na qual, segundo a Bíblia, Jesus disse aos apedrejadores de Maria Madalena: "Quem nunca pecou que atire a primeira pedra." Diz a Bíblia que ninguém se atreveu a lapidar Madalena e que foram embora com o rabo entre as pernas.

O mesmo acontece com nossos dedos. Estão lá três a nos lembrar que somos tão pecadores quando aqueles aos quais queremos imputar uma falta, um crime, talvez até mais que o próprio criminoso. Assim é Marina, criminosa à sua maneira, mas posando de vestal pura e límpida enquanto aponta com seu dedo o desafeto. Vá lá, Lula é gente da pior espécie, mas Marina foi da sua patota por tanto tempo que — com absoluta certeza — também se lambuzou na mesma lama, sujou-se nas mesmas fezes.

Dona Marina é toda verde. Luta pelos animais, plantas e povos da floresta. Ecologista de fama internacional, não há lugar no mundo rico onde não seria reconhecida. Já no terceiro mundo, não sei. Acredito até que em seu estado natal ela não é nem tão conhecida assim. Já no Brasil que conta, não, é a grande redentora da natureza, das ONGs e dos ecologistas. Para eles Marina é dez, mas não devia...

Marina é dada a arroubos tão lulescos quanto os do próprio babalorixá. Para registrar um único votinho insignificante na campanha presidencial em que concorreu, voou num jatinho particular de São Paulo a Rio Branco (AC), votou, deu uma entrevista e embarcou no mesmo jatinho de volta para São Paulo para acompanhar a apuração. Chico Mendes ficaria orgulhoso do feito, já que usou o meio de transporte mais poluidor que se tem notícia nesse planeta. É bem provável que em toda a sua vida ela não consiga apagar o footprint de carbono que esta viagem gerou, footprint que ela, com sua voz de tísica, vai acusar você de ter feito e que debitará em sua conta. Tirando isso, é verde! Verde-petróleo, verde-dólar.

Lembre-se Marina: nota de três, três dedos... E me atrevendo a parafrasear Saint-Exupéry, eu diria a você: "Tu te tornas imputável pelas pessoas que acusa."

domingo, 3 de junho de 2012

Lula: 'Não permitirei que um tucano volte a presidir o Brasil' — ou: 'O eleitor é só um detalhe'

Nunca antes na história dessepaiz a Arrogância teve melhor representante. Não há medidas ou limites para o que Lula pode produzir em matéria de desrespeito e escárnio. E não é só contra nós não; ele não respeita nem mesmo seus correligionários, como a presidenta Dilma ora no exercício do Poder. Na sua visão bem particular ela só serve mesmo para manter a cadeira quente.

Em entrevista ao Ratinho — nada mais conveniente que um ratinho para entrevistar um graúdo da espécie — Lula segue fielmente a cartilha Goebbels: mentir repetidamente até fazer da mentira verdade. Abaixo, trechos da entrevista-palanque com grifos meus.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva admitiu nesta quinta-feira pela primeira vez que pode voltar a se candidatar à presidência. Lula disse no Programa do Ratinho, do SBT, que entra na disputa caso a presidenta Dilma Rousseff desista da reeleição com o objetivo de evitar a volta do PSDB ao governo.

“A única hipótese de eu voltar a me candidatar é se ela não quiser. Não vou permitir que um tucano volte a presidir o Brasil”, disse Lula.

A primeira entrevista de Lula depois de diagnosticado o câncer na laringe em outubro do ano passado também serviu de palanque para o candidato do PT à prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad. O ex-ministro da Educação, empacado em 3% nas pesquisas de opinião, foi mostrado duas vezes, identificado como candidato de Lula, convidado a sentar à mesa de entrevista e alvo de fartos elogios.

A pedido de Ratinho, Lula justificou o fato de ter escolhido um nome novo para concorrer. “O prefeito de São Paulo quando começa a nascer qualquer que seja já nasce um pouco velho”, afirmou. Além de Haddad, Lula chegou ao SBT acompanhado do prefeito de São Bernardo, Luiz Marinho, do deputado Ratinho Jr. (PSC-PR), do vereador José Américo e assessores.

Desde o início do programa Ratinho avisou que não faria perguntas incômodas ao ex-presidente. “Ele não é mais presidente da República e não tem que ser cobrado por nada. Vamos falar da saúde, da recuperação, de política e desse timeco do Corinthians”, avisou. Pouco depois, ao pedir que os telespectadores enviassem perguntas pela Internet, Ratinho foi ainda mais explícito.

“Aí começa todo mundo a mandar email com perguntinha besta mas eu não entro nessa. Vou conversar com o meu amigo Lula”, disse o apresentador. “Se for pergunta boa eu faço. Pergunta ruim não faço”, completou.

Quando faltava um minuto para o final do programa Ratinho citou o episódio com o ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes. “Eu nem ia perguntar sobre essa história do Gilmar Mendes porque o povão não entende muito”, disse o apresentador.

"Não tenho interesse em falar nisso. Quem inventou que prove a história. Quem acreditou nela que continue provando. O tempo se encarrega de arrumar as coisas", afirmou Lula

Ao longo de 44 minutos o ex-presidente foi alvo de elogios e teve o microfone à disposição para, com a voz fraca, atacar os adversários. Ao justificar as falhas no sistema de saúde pública, Lula acusou a oposição de acabar com a CPMF por vingança.

“Eles (adversários) não perceberam que não me prejudicaram mas prejudicaram o povo pobre. Por vingança me tiraram a CPMF que era imposto de rico”, afirmou.

Além de fazer política, Lula falou da vida fora da presidência e do tratamento contra o câncer na laringe. Lula falou das dificuldades do tratamento, da dor e de sua nova rotina. Apesar do assunto delicado, Lula mostrou bom humor ao comentar o terno que estava usando. “Eu brinquei com o Ratinho que este terno aqui comprei quando estava internado no hospital me preparando para por no caixão. Porque com terno velho eu não iria”, disse.

Não há como negar, Lula é um artista. Tal e qual um camelô ele mantêm a plateia mesmerizada com suas prestidigitações verbais, suas frases de efeito. Será que foi por isso que a entrevista foi no SBT? Pode ser, mas pode ser apenas a contra-partida pela "salvação" do Panamericano, isto é, do seu dono Senor Abravanel, mais conhecido como Sílvio.

A plateia vil e ignara adora as macaquices e o que Lula mais tem à sua volta são macacos amestrados. Macacos e macacas. O que os amestrados não sabem (ou fazem por não saber) é que eles nunca passarão de eventuais e necessários tampões, como a presidente em exercício, destituída do cargo no meio do exercício. Bestial!

Interessante notar que Lula "tema" o PSDB. Não sei se ao PSDB mesmo ou se à investida recente de Aécio como postulante ao cargo. Eu sempre disse que o PSDB errou ao enfrentar a candidatura Dilma com Serra. O resultado foi duplamente desastroso. Perdesse com Aécio e ainda ficariam os dedos, dedos que se foram com os anéis. O PSDB entrou no jogo, subestimou o adversário e perdeu fragorosamente. No futebol, analogia tão apreciada pelo vivaldino molusco, diz-se que o time entrou em campo com salto alto para jogar... É bem por aí.


É bom que fique claro, de uma vez por todas, que Lula sabe manejar muito bem o universo político. No seu enfrentamento não deve ser subestimado mas temido. Notaram que ele ainda não largou aquele osso da CPMF? Adivinhem qual imposto vai voltar se ele for eleito. Fosse o Ratinho algo mais que um pau mandado, ele arguiria o "entrevistado" que num país que tem uma das maiores cargas tributárias do mundo, algo aí próximo dos 40% do PIB, apenas míseros 3% retornam na forma de investimento. Em outras palavras, caro leitor, qual seria a parte mais favorecida por uma eventual CPMF? Seriam os tais 3% que cabem à sociedade ou os 97% que cabem ao governo? Acho que você sabe a resposta...

A entrevista-palanque foi um show de marketing político. Perguntas escolhidas a dedo e bolas levantadas para a cortada fatal. Só mesmo numa TV que anda caindo pelas tabelas, tal e qual o apresentador do programa, o ex-presidente podia armar o seu showzinho particular a preço e condições módicas. Nada do imbróglio com o STF e o ministro Gilmar foi tratado, apesar de todo mundo que se deu ao trabalho de assistir à pantomima o ter feito apenas para conhecer sua (dele) versão dos fatos. Que nada!

Mas se tiver que ser Lula — de novo — que seja. Que venha Lula! A Democracia tem algo a ensinar a este que é o mais antidemocrático dos nossos políticos; passados, presentes e futuros. Que caia pelas urnas — se for ele mesmo o candidato em 2014 —, ainda que a julgar por sua aparência, acho que ele poderá acabar mesmo fazendo bom uso daquele terno. Amém!

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Não passa de um covarde


Nunca gostei dele. Fosse outro em seu lugar, eu provavelmente não teria votado em Lula em 2002. Sei lá, é sempre ruim quando o que se tem para escolher fica entre péssimo e muito ruim. E tem mais: fosse ele a alternativa em 2002, não se pode garantir que teria melhor consequência. Com tudo o que eu tenho para desaprovar em Lula e Dilma, não consigo enxergar melhor destino com Serra.

De qualquer forma, nota-se que os tempos estão mudando. Estava preparando um artigo versando sobre economia quando o vídeo que divulgo abaixo me "atropelou". Precisamos de mais pessoas como a Sra. Catarina Rossi, que tenham a coragem de vir à frente falar que não concorda com os conchavos urdidos pela "Executiva" e abonados por deputados e apaniguados no exercício do Poder. Catarina, a Grande!


Como é bom que se digam verdades assim, abertamente. A covardia e arrogância de "Serras" e "Aécios" é que nos presenteiam com "Lulas" e "Dilmas". Não se enganem, qualquer um dos quatro postulantes a candidato a Prefeito de São Paulo pelo PSDB, aqueles que se apresentaram voluntariamente ao escrutínio das prévias, têm o meu irrestrito apoio. O "pior" deles — se é que cabe o adjetivo — vale mil Serras, porque um político que tem medo das urnas do seu partido não pode ser indicado às urnas da sua cidade, estado ou País. Eu repito que Serra não passa de um covarde, arrogante e um não-democrata. São Paulo merece alternativa melhor, aliás, terá uma escolhida entre quatro.

Este vídeo, publicado num site de apoio ao PSDB, foi removido "a pedidos". Como nosso compromisso aqui é com a boa prática política e não com partidos, aqui ele vai ficando...

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Costura grosseira em tecido difícil

Há quem diga que o PSDB não nasceu para ser oposição. Balela! Apesar de exercer o poder desde a sua fundação, qualquer partido que se preze precisa exercitar o contraditório, razão da Política. Em outras palavras —até mesmo quando está no poder— um partido exerce a oposição; ou faz isso ou desaparece de cena num piscar de olhos. Então, essa conversa de que este ou aquele político (ou partido) "nunca exerceu a oposição" não passa de retórica.

O que existe de fato no Brasil são conflitos de interesse. Aqui, todos os partidos são "de esquerda", no nome, na sigla e até no discurso, apesar de serem conservadores no comportamento e na ação. A título de exemplo, o PSDB fez um dos governos mais liberais que se tem notícia. Promoveu privatizações, incentivou a livre-iniciativa, fez investimentos em infraestrutura, modernizou e enxugou o Estado (poderia ter feito ainda mais), etc. Na área social, talvez tenha sido o governo que melhor tenha cuidado da Saúde e da Educação, com propostas e ações que refletem positivamente até hoje, passados mais de uma década. E se assim foi, por que não continuou?

Bom, esta é a tal da "pergunta incômoda", aquela que não quer calar, para a qual só encontro uma resposta: FHC errou ao indicar seu sucessor. Melhor ainda, ele nunca deveria tê-lo feito. FHC deveria ter entregue ao seu partido a tarefa de indicar o melhor sucessor para mais oito anos de mandato. Infelizmente, o "S" do partido falou mais alto e escolheram a pessoa errada. Candidato da "Executiva", Serra não era a pessoa certa para o bom momento Lula. Em que pese suas excelentes qualificações, ele não era (nem nunca foi) páreo para o discurso ufanista (e mentiroso) do seu oponente. Falta-lhe "jogo-de-cintura", ginga, malícia; tudo o que sobra no outro oponente. Foi um massacre, guardadas as proporções.

Resumindo a curta história, o PSDB se notabilizou por fazer um belo governo conservador, queira você chamá-lo de direita, liberal ou mesmo neoliberal, embora eu não saiba bem o que as pessoas entendem por neoliberal. Para mim, será sempre conservador. Pode não ter sido um belo governo para muitos, mas foi muito bom para o País, que é o que conta. Os resultados estão aí para quem quiser ver e comparar, tão eloquentes que Lula não se atreveu a mudar uma palha sequer de seu lugar; apenas e tão somente mudou o discurso, que é o que a patuleia compra. É nisso que o PT é muito melhor que o PSDB: na retórica. Obras e realizações são para eles apenas detalhes menores, afinal, o que são promessas não cumpridas depois de apuradas as urnas?

O lulo-petismo turvou nossa realidade de tal maneira que ficou difícil entender o momento atual. Quando um partido como o PSD (de Kassab) é criado, aquele que diz "não ser de direita, de esquerda ou de centro", então fica claro que baixou um Exu na política, porque Exu "é a bagunça generalizada e o silêncio completo. Diz-se que Exu é a contradição. É o sim e o não; o ser e o não ser. Exu é a confusão de ideias que temos. É a invenção, descoberta. Exu é o namoro, é o desejo, é o sentimento de paixão desenfreadas e é também o desprezo. Exu é a voz, o grito, a comunicação. É a indignação e a resignação. É a confusão dos conceitos básicos. Aquele que ludibria, engana e confunde; mas também ajuda, dá caminhos, soluciona. É aquele que traz dor e a felicidade." Deus nos livre de Exu! —ao menos desse Exu-Kassab—, a "nova" noiva do lulo-petismo, a "arma secreta" para se vencer as eleições em São Paulo.

Isso sim é um Exu com pedigree!
Kassab se faz de esfinge: oferece seu partido e a si próprio ao PT paulista, diz ser da "base aliada" e, ato contínuo, jura amores a Serra. Como se pode acreditar em tal "rameira". Serra, por sua vez, não está muito bem com o eleitorado de São Paulo, embora custa-me acreditar que o são-paulino vá votar em Haddad ao invés de num Matarazzo ou num Covas. Sei lá, mas como disse antes, o Exu veio para confundir e avacalhar. Vejam o caso de Serra, certamente um dos melhores nomes do PSDB para concorrer à Prefeitura de São Paulo:
  1. Já foi prefeito uma vez. Jurou que cumpriria o mandato integralmente; registrou a "promessa" em cartório e descumpriu o acordo, fato que será muito bem lembrado se for ele o candidato.
  2. Se for ele o candidato, desarma a parceria Exu-Kassab/PT, mas só se for já. Se demorar muito, como nas outras vezes, o Exu-Kassab pode se eximir da sua "fidelidade canina" ao mentor, nenhum problema em se tratando da fidelidade de um Exu.
  3. Se for ele o candidato, como bem lembrou Merval Pereira no seu podcast na CBN, ele terá que se comprometer, desde já, com a candidatura Aécio em 2014. Ai! Essa vai doer e não só nos calos de Serra. Mas, pensando bem, não existe outra forma dele sinalizar ao eleitorado são-paulino, que ele não roerá novamente a corda passados mais dois anos. Não mesmo...
  4. Por fim, restam as famigeradas prévias. Serra as detesta de coração. Ele não se permite confrontar com tucanos de plumagem inferior, não mesmo. É pena (desculpem o trocadilho), mas isso mostra que, bem lá no fundo, Serra não é um democrata, muito menos um liberal.
Esta é a razão dele ter perdido para Lula e, pasmem, perdido também para Dilma! Pode-se até pensar que o eleitorado é burro, mas não é. Ele pode ser ignorante —e o é em sua maioria— mas não é burro; sabe que Serra soa falso quando se apresenta como liberal, porque ele sempre foi da esquerda. Foi aí que FHC se enganou (ou quis se enganar) e perdeu. E como já disse noutros artigos, o povo quer uma alternativa para Lula/Dilma —um antípoda, se preferir—, até porque se lhes oferecerem um falso-Lula para tal, eles, sabiamente, ficarão com o original.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Aqui, o exemplo baixo vem de cima

Aconteceu nos bastidores do programa "Roda Viva" da TV Cultura (grifos meus):

Minutos antes do começo da gravação do Roda Viva no Palácio do Planalto, o jornalista Paulo Markun aproximou-se do presidente Lula para combinar um derradeiro detalhe. Em meio às palavras de encerramento, o âncora diria que estava entregando a Lula uma trilogia com as melhores entrevistas ocorridas desde a estreia do programa da TV Cultura, 18 anos atrás.

Com expressão curiosa, Lula apanhou os livros. Antes que se sentisse logrado, Markun informou que só o primeiro volume fora concluído. Os outros, ainda em preparação, paravam na capa. As páginas estavam em branco. Lula devolveu o que estava pronto e folheou os desprovidos de palavras. Isso é que é livro bom, comentou. A gente nem precisa ler. O entrevistado parecia feliz. Os entrevistadores exibiam sorrisos constrangidos.

Ninguém no estúdio improvisado aparentou surpresa. Todos conheciam a aversão de Lula à leitura — qualquer tipo de leitura. Ler é pior que fazer exercício em esteira, confessou há tempos o presidente de um país atulhado de analfabetos, com um sistema educacional em frangalhos, incapaz de absorver multidões de crianças traídas.


Eu me lembro muito bem do fato. Nem vou dizer que fiquei envergonhado porque Lula já não me surpreende mais há muito tempo, mas àquela época ele era o queridinho da mídia internacional. Constrangidos devem ter ficado o Le Monde e o El Pais por considerá-lo "O Homem do Ano" em 2009; eles e um montão de universidades que lhe concederam títulos de Doutor Honoris Causa. Que honra há em Lula que justifique qualquer título?

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Muita esperteza

Aqui em Minas se usa dizer que "esperteza quando é muita vira bicho e come o esperto". Dizem que quem gostava muito da frase era o finado Tancredo Neves, avô e mentor do hoje senador Aécio Neves, virtual candidato à Presidência da República em 2014. Lendo a matéria publicada no Estadão, tenho dúvidas se Aécio ouviu a tal frase do avô. Repasso trechos, grifos meus.

Aécio fala em aliança com PSB em 2014

Embora reconheça que sigla seja aliada do governo federal petista, senador tucano diz que 'as coisas podem estar diferentes' até a eleição

MARCELO PORTELA, BELO HORIZONTE

O senador Aécio Neves (PSDB-MG) admitiu ontem a possibilidade de o partido tentar uma aproximação com o PSB para a corrida pela Presidência da República em 2014. Cotado como um dos principais nomes do tucanato para disputar a sucessão presidencial, o senador lembrou que os socialistas atualmente integram a base do governo, mas ressaltou que "em 2013 ou em 2014 as coisas podem estar diferentes".

[...]

Aécio ressaltou que é preciso "respeitar a posição" do PSB, hoje um partido aliado do Palácio do Planalto, mas lembrou que o PSDB já tem proximidade com os socialistas em várias cidades, como em Belo Horizonte, onde os tucanos devem reeditar a coligação em torno da reeleição do prefeito Marcio Lacerda (PSB), cuja vitória em 2008 também teve apoio do PT. Para expandir essa aliança ao cenário nacional, porém, o senador acredita que os tucanos precisam apresentar "um projeto que signifique expectativa de poder, um modelo novo para o Brasil".

"Vamos definir cinco ou seis grandes bandeiras que vão emoldurar as nossas candidaturas, inclusive nas eleições municipais", afirmou Aécio. "O PSDB tem que ir definindo, clareando essas suas ideias e, em 2013, vamos ver aqueles que queiram se unir em torno desse projeto. E o PSB tem conosco relações importantes em vários Estados. Temos de dar tempo ao tempo. O PSB hoje participa da base de governo, mas em 2013 ou em 2014 as coisas podem estar diferentes", observou.

O tucano voltou a defender a realização de prévias para a escolha do nome que disputará a Presidência pelo PSDB, daqui a menos de três anos. "Ninguém é candidato de si próprio. Acho que o PSDB tem nomes colocados e, lá na frente, vamos definir quem é o melhor."

[...]
Após encontro com o governador de Minas, Antonio Anastasia (PSDB), na manhã de ontem, Aécio afirmou que adotará a mesma posição em relação à sucessão na capital mineira. Apesar de classificar como "natural" a reedição da aliança com o PSB de Lacerda, o senador disse que a "negociação vai ser conduzida pela direção municipal" do partido, já que a parte majoritária do PT mineiro, que também defende a coligação com os tucanos em torno do socialista, reivindica a indicação do vice, como ocorreu em 2008.

Aécio é político hábil e sagaz, isto é inquestionável, mas acho que ele pode estar julgando o PSB nacional pelo PSB de Márcio Lacerda, atual prefeito de Belo Horizonte e pessoa de seu relacionamento. Não é não — e digo mais — Aécio não devia se sentir tão à vontade em meio aos socialistas — esse pessoal "de esquerda" tem uma forma bem peculiar de fazer alianças e de "cobrar" contrapartidas —, basta ver no balcão de negócios que se transformou o governo petista.

O PSDB foi bastante feliz na aliança celebrada com o antigo PFL — hoje o Dem — e juntos criaram um governo sério, comprometido com a higidez fiscal, o investimento produtivo (ainda que pequeno para o tamanho e a necessidade do país) e claramente favorável à livre iniciativa, à redução da interferência estatal na economia e à redução de impostos (infelizmente, o maior esforço foi feito na desoneração das exportações, quando podia ter sido mais amplo).

Tudo posto à mesa, é de se perguntar se não é passada a hora de um governo de direita assumir o Brasil. Fala-se da "direita" como se fosse o outro nome do Demônio e isso após 9 anos de governos "de esquerda" cuja maior façanha foi a produção de escândalos, a formação de quadrilhas, o aparelhamento do Estado e da coisa pública para seus interesses privados. Se eu sou contra tudo isso, então sou "de direita", não há porque ter vergonha, pelo contrário, é motivo de orgulho ser reto, probo e honesto.

E como imagens valem por mil palavras, passo a vocês uma boa imagem do que é a esquerda e o que é a direita. As imagens falam por si, eloquentes. Abaixo de cada uma delas um breve texto explicativo.

As duas Coreias, a do Norte (em vermelho) acima e a do Sul (verde) abaixo


As Coreias vistas à noite por satélite
Só pelo uso de energia elétrica sabe-se quem é "de direita"


Tira-teima: montagem das duas imagens

Voltando ao tema, é preciso perguntar ao cidadão brasileiro o que ele deseja ver acontecer aqui, porque o projeto político das esquerdas — em qualquer lugar do mundo onde ocorreu — é um projeto de Poder, nunca um projeto político que vise o bem estar social, o progresso e o crescimento, como pregam. Aécio devia se perguntar com qual discurso venderá seu peixe, porque esse peixe "das esquerdas" já tem discurso e vendedor, o PSB entre eles.

domingo, 25 de dezembro de 2011

Os fatos desmentem a retórica

Dilma, a representante ad hoc do lulo-petismo, bradou do alto do seu palanque virtual que o Brasil cresceria 5% no ano que se avizinha. Aqui mesmo, eu disse que o único crescimento na sua gestão tem sido nos índices de corrupção — e isso em relação àqueles do governo anterior — já pródigo na roubalheira e na maracutaia.

Para que não pensem que é perseguição minha, vejam o que nos reporta o Celso Ming no Estadão (grifos meus):

Fazer escolhas

Dilma, inflação e recessão não têm medo de cara feia
A equipe econômica do governo Dilma já não insiste, como até há algumas semanas, em projetar o avanço do PIB em 2012 em 5%. Já trabalha com números mais modestos, ao redor dos 4%. No entanto, o Banco Central, bem mais realista, apontou quinta-feira, no seu Relatório Trimestral de Inflação, um crescimento do PIB de apenas 3,5%.

O que se pode dizer é que, num quadro de estagnação global, as tendências mais realistas para 2012 são de uma expansão mais modesto (sic) da economia brasileira, equivalente ao que se obterá neste ano.

O problema não é apenas esse, mas também o de que, além de enfrentar uma atividade econômica mais fraca, sobe o risco de que, em 2012, o governo Dilma também não consiga empurrar a inflação para o centro da meta (de 4,5%), como vem insistentemente prometendo e como está nos documentos oficiais do Banco Central. Leia a íntegra aqui.

O que se nota é um governo perdido entre maus resultados em ano pré-eleitoral. O pior disso tudo é que o governo abrirá ainda mais as burras para corromper o pleito eleitoral que se avizinha. É a velha receita lulo-petista: quem não tem competência para fazer compra o resultado das urnas, à vista e com dinheiro público.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Quem te viu, quem te vê... PT

"No fundo, no fundo, é uma questão de ponto de vista;
uma hora se vê o voto, outra hora se vê a cifra." (E. German)

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Precisamos do trem, não da bala

Há 457, nosso midiático presidente lançava o edital para a abertura de licitação do trem-bala. Naquele ufanismo de palanque tão característico, Lula disse "Até as Olimpíadas, acho plenamente possível inaugurar a obra até 2016". A antevisão do messias não só não se confirmou como, até hoje, não obteve sequer um único interessado; ao menos nos termos propostos da ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres).

Nesse ínterim, governos (a batata quente foi passada para as competentes mãos da Mãe do PAC) e ANTT já modificaram exigências "pétreas" do projeto. Por exemplo, o custo máximo inicial estabelecido de R$  33,1 bilhões e comprometimento máximo de 60% (R$  19,9 bilhões) de recursos públicos (i.e. nosso dinheiro) já está sendo repensado para algo na casa de R$  50  bilhões e 100% de recursos públicos. Opa! Afaste de mim essa mão grande.

Felizmente para nós, e após 4 (quatro) licitações sem qualquer interessado (por que só Lula-Dilma veem a necessidade de tal geringonça?), a 9ª Vara Federal da Justiça Federal, em Brasília, determinou a suspensão imediata de todos os procedimentos administrativos feitos para viabilizar a licitação do trem de alta velocidade (TAV), projeto que pretende interligar as cidades do Rio de Janeiro e Campinas. Espero que tenha sido a pá de cal nessa estultice.

Sou contra porque existem outras urgências a serem atendidas, muito mais imediatas e necessárias, como reinstalar o sistema ferroviário do País. Só a título de exemplificação e sem qualquer ordem de prioridade, eu cito:
  • Não há um único aeroporto no Brasil que tenha ligação de trens (metrô ou suburbano) entre seus terminais e às cidades que serve, nem mesmo São Paulo. Gasta-se mais tempo nas rodovias de acesso que em viagens de longo curso. Se chover então...
  • São Paulo — uma das maiores cidades do mundo em população e área — está na sua 5ª linha de metrô. Paris, uma cidade bem menor, tem 14 linhas além de uma rede de trens suburbanos (RER) e de ônibus de dar inveja. Comparar uma com a outra é covardia.
  • Belo Horizonte (para citar um caso próximo) — passados uns 40 anos — tem hoje um arremedo de metrô, na verdade o antigo suburbano com estações e vagões melhorados. O serviço de trens suburbanos, ao qual substituiu, atendia a uma região bem maior e parte da linha é compartilhada com trens de carga. Mesmo a rede de bondes, que existiu até os anos 60, atendia a quase toda a cidade e mesmo à recém-criada Pampulha. As queixas àquele sistema eram devidas à má qualidade do serviço de fornecimento de energia elétrica, não ao serviço em si.
  • Rio, São Paulo, Belo Horizonte — para me limitar às maiores capitais — já foram interligadas por ferrovias. Inexplicavelmente, o serviço foi descontinuado. Assim, ao invés de se fazer melhoramentos na malha ferroviária, duplicação e eletrificação de linhas, desativa-se o sistema. Aqui mesmo, perto de minha casa, passava uma linha de trens. Por esta linha, Belo Horizonte e o Sudeste estavam ligados à Bahia e ao Nordeste por um ramal e à Brasília e ao Centro-Oeste por outro. Hoje, é apenas para cargas e os trens circulam apenas com o maquinista. Pasmem, é o próprio maquinista que para a composição e troca as chaves de linha.
  • Paro por aqui, mas é bom que se reflita sobre o fato de que tínhamos mais ferrovias no tempo do Império que agora. Hoje, temos apenas mais balas... infelizmente.
Um salto para uma tecnologia como a dos trens de alta velocidade não se fará por decreto, messianismo ou volúpia de presidentes autodenominados "progressistas". Veículos assim não se prestam para qualquer terreno. Digo, sem muito embasamento técnico mas calcado unicamente no bom senso, que tal empreitada é financeiramente inexequível para o trecho a que se propõe. Rio e São Paulo estão separados por uma cota vertical de quase 800 metros num terreno entremeado de maciços graníticos, cursos d'água, matas nativas, etc. A linha do trem-bala — que já é chamado trem-bala-perdida — necessitará 90,9 km quilômetros de túneis e 103 km de pontes e viadutos. Eu desconheço que exista alguma linha de TAV com tais características no mundo.

Eu já tive oportunidade de viajar em trens rápidos, no caso o TGV francês. Numa viagem entre Paris-Amsterdam, notei a estupenda velocidade do trem no trecho entre Paris e Bruxelas, algo em torno de 1 hora! Entretanto, a partir de Antuérpia (ainda na Bélgica) a composição passa a progredir em velocidade de uma tartaruga manca, possivelmente devido à sinuosidade da linha e às muitas pontes, apesar do terreno absolutamente plano. A velocidade volta a aumentar um pouco na Holanda mas nada como os mais de 300 km/h pelos campos do norte da França.

Assim, mais do que poder comprar o brinquedo, o Brasil precisa escolher bem onde ele vai funcionar. É bem possível que — como nos Estados Unidos — não estejamos talhados para esses trens. Acredito ser bem mais plausível e útil, linhas convencionais mais modernas, duplicadas onde for possível e necessário, preferivelmente eletrificadas, e que revertam em benefício da população e do País.

Eu sei que Lula vem de uma infância pobre e sofrida — nunca lhe neguei a origem nem o mérito da sua maior conquista — mas acho que ele já tem idade para não querer brincar de trenzinhos. Se, mimado como é, achar que ainda deve, que não o faça às nossas custas. Temos um País para manter e o dinheiro não está aí para brincadeiras.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

O porquê da reincidência na mentira

O PT continua fiel ao manual do Dr. Joseph Goebbels, especialmente quanto à frase pela qual é mais lembrado, aquela da mentira que se torna verdade (minha tradução, meus grifos):
"Se você contar uma grande mentira, e a repetir continuamente, as pessoas eventualmente acreditarão nela. A mentira deverá ser mantida até o Estado poder blindar o povo das suas consequências políticas, econômicas ou militares. Assim, é vitalmente importante para o Estado usar todos os poderes e recursos disponíveis para coibir discordâncias, posto que a verdade é o inimigo mortal da mentira, e dessa forma, a verdade é o maior inimigo do Estado."

O pensamento acima me veio à memória depois de ler uma notícia, já velha, sobre um discurso da presidente Dilma em Bruxelas. A matéria é da revista Exame, grifos meus.
Dilma diz que país é capaz de enfrentar 'qualquer crise'
De acordo com ela, o mercado nacional foi fortalecido pelos programas sociais implementados no Brasil desde o governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva

A presidente Dilma Rousseff afirmou hoje que o mundo está preocupado com uma redução da atividade econômica que atinge os países desenvolvidos, mas que o Brasil hoje é capaz de enfrentar qualquer crise por causa do seu mercado interno.

De acordo com ela, o mercado nacional foi fortalecido pelos programas sociais implementados no País desde o governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Somos capazes de enfrentar qualquer crise porque somos parte dessa nossa grande defesa que é o mercado interno.

Nós temos força para enfrentar essa crise porque fizemos política de distribuição de renda que melhorou não só eticamente o País, mas fez com que todo mundo tenha oportunidades e acesso a serviços de qualidade", afirmou a presidente, durante o lançamento do Programa Brasil sem Miséria na Região Norte, em Manaus.

Dilma destacou a ascensão de 40 milhões de brasileiros à classe média nos últimos oito anos e os planos do Brasil sem Miséria de proporcionar a mesma oportunidade para mais 16 milhões que ainda se encontram na faixa de pobreza extrema. "Nós estamos no caminho certo e o Brasil sem Miséria é também um programa de combate à crise. Nossa maior riqueza é os 190 milhões de brasileiros e brasileiras. E o que tirarmos da miséria estaremos contribuindo para o fortalecimento da nossa economia", afirmou. "Uma aspecto nos distingue e nos faz sermos respeitados no mundo: somos um dos países que faz política de distribuição de renda mais efetiva."

A presidente falou ainda sobre sua participação na abertura da Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), na semana passada, em Nova York. Dilma afirmou que se sentiu duplamente orgulhosa, tanto por representar o País no organismo internacional quanto por ser a primeira mulher a abrir a assembleia. Relatou também a apreensão das nações em relação à crise econômica internacional. "Uma crise que arrasta uma parte expressiva dos países ricos e que tem uma característica perversa: é uma crise que desemprega milhões no mundo. Só na Europa existem 44 milhões de desempregados. O Brasil vive um momento diferente disso. Estamos com a menor taxa de desemprego da nossa história", disse.

Notaram as repetições? O que acham? Verdades? Mentiras? Enquanto o PT não aprovar a Lei da Mordaça no Congresso, eu serei voz discordante. Não vejo ascensão de milhões à classe média; vejo, pelo contrário, ascensão ao consumo e o consequente aumento brutal do endividamento e da inadimplência. É o endividamento que dá sustentação ao nosso mercado e a nossa economia. Somos uma bolha!

Lendo e relendo o texto acima eu vejo que ele veste como uma luva certas "cabeças pensantes" do PT. Não, não acredito que Dilma seja uma delas. Dilma está mais para boneco de ventríloquo — sua voz soa falsa quando discursa — mas há no PT muitas eminências pardas, gente como Zé Dirceu e Marco Aurélio. Lula também não. Lula é puro instinto — tornou público sua aversão aos livros —, não se iniciaria na leitura justamente por Goebbels.

É indiscutível que Lula consegue transformar todo púlpito num palanque, aqui ou em Bruxelas, mas alguém precisa dar conselhos à "presidenta". Será que ela está em condições de falar para qualquer plateia? Tudo bem se for em Gábrovo, na Bulgária, mas Bruxelas é um pouco demais para o caminhãozinho dela. Eu insisto: ela não convence quando fala.

Ainda assim, lembrando-me mais uma vez do Reichspropagandaleiter, quando sobrevier o fracasso espero que a petralhada faça uso dos mesmos tabletes de cianureto com os quais Goebbels — covardemente — pôs fim à vida da sua mulher, da dos seus seis filhos e a sua própria. Tenham todos uma boa morte.