Dizem que não se deve desejar o mal aos outros — e eu concordo —, mas não consigno a deferência a qualquer "outro". Parafraseando Orwell, "todos os outros são iguais mas alguns outros são mais iguais que os outros." Não sei se entenderam, mas Lula, para mim, está nessa categoria.
Nesta manhã, li no Diário do Poder uma matéria sobre a saúde de Lula e achei que era válido comentar a respeito.
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quarta-feira, 18 de maio de 2016
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016
"Lula não será mais nada"
Acabo de ler no site do Políbio Braga (grifos meus):
Simon avisa em entrevista a IstoÉ: "Lula não vai ser mais nada. Ele levou o País à ruína."
Em entrevista para a revista IstoÉ que já circula, o ex-senador peemedebista Pedro Simon resolveu exaltar a Operação Lava Jato e criticar o ex-presidente Lula, descartando o petista da disputa do Planalto em 2018:
- Não sei o que vai acontecer com ele, mas, certamente, ele ficará marcado como uns dos homens públicos que levou à ruína do País. Ele não vai ser mais nada , as pessoas estão muito esclarecidas agora.
E avisou:
- Lula não pode mais dizer que não sabia.
Meu pitaco:
Eu já acho que Lula pode ser ainda muita coisa:
- Lula pode ser mais um indiciado da Lava-Jato;
- Lula pode ser réu da Lava-Jato;
- Lula pode ser um dos condenados da Lava-Jato;
- Lula poderá então ter todos os seus bens confiscados pela Lava-Jato a bem do Público;
- Lula poderá então morrer e até se dizer vitimado pela Lava-Jato;
- E só então, transformado em algo útil como o estrume, ser esquecido.
domingo, 28 de junho de 2015
Lula está sendo investigado pela PF
Até que enfim!
Lula está sendo investigado pela PF. Um relatório com todos os voos realizados pelo lobista desde que ele deixou o Palácio do Planalto, em 2011, já foi entregue aos procuradores do Núcleo de Combate à Corrupção do Distrito Federal.
Segundo a Época, que obteve uma cópia do relatório, Lula fez 78 viagens internacionais em jatinhos particulares, pagos por empresas como Odebrecht, OAS, Camargo Corrêa, Vale, Coteminas, JAC Motors e Qualicorp...
Os roteiros do Brahma
Meu pitaco:
Já não era sem tempo. Dizem os mais chegados que ele está com dificuldades para dormir e até já caiu no choro. Lula, o chorão... Ô dó! Há! Há! Há!
Links:
quinta-feira, 12 de julho de 2012
As cinco fases do luto de Dilma
Caiu a ficha! Dilma — só agora — percebeu que embarcou numa canoa furada. Pior, descobriu que nessa canoa ela é a própria rolha! Oito anos de "Era Lula" esburacaram o casco da Nau Brasil. Ó dó...
Na matéria publicada pelo Estadão fica claro a primeira fase do luto: a negação. Pela regra virão a seguir a raiva, a barganha, a depressão e, por fim, a aceitação (*), se bem que raiva, barganha e depressão já fazem parte do cotidiano da presidenta. Vamos à matéria, grifos meus.
O festival de trapalhadas, iniciadas por seu antecessor transmutaram nosso antes grandioso país num grande circo. Nem mesmo ao Paraguai impomos mais respeito, já que a senhora passou a ser joguete de Chávez e daquela perua argentina. Como mandatária a senhora só é boa em esgrimir impropérios e exibir nenhuma capacidade. Lembre-se, o Brasil é bem maior que a sua antiga lojinha de quinquilharias chinesas de Porto Alegre, aquela que a senhora já faliu.
E como o PIB teima em não subir — mesmo com esforços do seu ridículo ministro Mantega, apelidado "levantador-de-PIB" — nega-lhe a importância que tem (negação), berra com seus ministros (raiva), propõe e aceita os acordos mais espúrios que se possa engendrar (barganha). Não sei o que se passa entre as quatro paredes onde a senhora se esconde, mas é lícito imaginar que o peso da sua própria incompetência a faça vergar (depressão). Só não espero de você aceitação, porque lhe falta o mínimo de inteligência para isso.
(*) Elisabeth Kübler-Ross, M.D., On Death and Dying, 1969.
Na matéria publicada pelo Estadão fica claro a primeira fase do luto: a negação. Pela regra virão a seguir a raiva, a barganha, a depressão e, por fim, a aceitação (*), se bem que raiva, barganha e depressão já fazem parte do cotidiano da presidenta. Vamos à matéria, grifos meus.
A presidenta deveria começar por devolver o diploma porque tal afirmação renega não apenas princípios da Economia como até mesmo a lógica mais tacanha. Com o que a presidenta pensa "proteger presente e futuro de nossas crianças e adolescentes"? Certamente não será com esse discurso vazio. Aliás, presidenta, falta-lhe o traquejo do seu antecessor para ficar distribuindo bravatas. A senhora simplesmente não convence.Uma nação não é medida pelo PIB, afirma Dilma
Para a presidente, Brasil será um país desenvolvido quando todas as crianças e seus jovens tiverem acesso à educação de qualidade
BRASÍLIA - A presidente Dilma Rousseff afirmou na manhã dessa quinta-feira que a grandeza de uma nação não é medida pelo Produto Interno Bruto (PIB), mas pelo que faz pelas suas crianças e adolescentes. "Uma grande nação deve ser medida por aquilo que faz para as suas crianças e adolescentes, não é o PIB, é a capacidade de o País, do governo e da sociedade de proteger o seu presente e o seu futuro", discursou Dilma, diante de uma plateia formada, na maioria, por adolescentes, durante a 9ª Conferência Nacional dos Direitos da Criança e Adolescente.
"O Brasil durante muito tempo conviveu com uma situação lamentável e terrível, ser um país com tantas riquezas, formado por um povo tão solidário, mas que uma parte imensa da sua população estava afastada dos direitos e, sobretudo, dos benefícios dessas riquezas e de tudo que esse país pode produzir", afirmou.
Dilma destacou programas do governo federal, como o Brasil Carinhoso e o Bolsa Família, prometendo aumentar - até o final de 2014 - de 33 mil para 60 mil escolas o número de escolas de ensino fundamental e médio que tenham dois turnos.
"Vamos disputar o que é a economia moderna, que é a economia do conhecimento, aquela que agrega valor, a internet, as tecnologias de informação. Esse país vai ser um país desenvolvido quando todas as crianças e seus jovens tiverem acesso à educação de qualidade", afirmou.
"Lugar de criança e adolescente é na creche e na escola, num ambiente seguro, é nas escolas técnicas, é nos campos esportivos, é em todas as manifestações artísticas, é sobretudo em um ambiente seguro, livre da miséria, da violência e dos abusos."
No encerramento do discurso, a presidente manifestou apoio à candidatura do brasileiro Wanderlino Nogueira Neto ao Comitê de Direitos da Criança da ONU. Dilma deixou o Centro de Convenções Ulysses Guimarães, local do evento, sem falar com a imprensa, evitando comentar a redução da taxa Selic, definida ontem pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central.
O festival de trapalhadas, iniciadas por seu antecessor transmutaram nosso antes grandioso país num grande circo. Nem mesmo ao Paraguai impomos mais respeito, já que a senhora passou a ser joguete de Chávez e daquela perua argentina. Como mandatária a senhora só é boa em esgrimir impropérios e exibir nenhuma capacidade. Lembre-se, o Brasil é bem maior que a sua antiga lojinha de quinquilharias chinesas de Porto Alegre, aquela que a senhora já faliu.
E como o PIB teima em não subir — mesmo com esforços do seu ridículo ministro Mantega, apelidado "levantador-de-PIB" — nega-lhe a importância que tem (negação), berra com seus ministros (raiva), propõe e aceita os acordos mais espúrios que se possa engendrar (barganha). Não sei o que se passa entre as quatro paredes onde a senhora se esconde, mas é lícito imaginar que o peso da sua própria incompetência a faça vergar (depressão). Só não espero de você aceitação, porque lhe falta o mínimo de inteligência para isso.
(*) Elisabeth Kübler-Ross, M.D., On Death and Dying, 1969.
quinta-feira, 5 de julho de 2012
Ciro Legal
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| Kaboooog!!! |
Histriônico como de hábito, Quick Draw McCiro aperta o gatilho da sua metralhadora giratória. É sempre assim quando se avizinha uma eleição. Parece que baixa um "santo" e ele perde completamente o controle dos músculos da boca e dos neurônios do cérebro. É como no desenho animado, só que Quick Draw McCiro não tem um Mexican burro só dele, razão pela qual acaba sempre recebendo aquilo que tão abundantemente joga no ventilador da mídia... Segue abaixo um pouco do "nosso" Quick Draw McGraw, o Ciro Legal sem Babalu. Volto depois.
Ciro Gomes: ‘O PSB não é sublegenda de partido nenhum’
Blog do Camarotti
O ex-ministro Ciro Gomes rebateu críticas de setores do PT incomodados com a decisão do PSB em disputar eleições contra os petistas em capitais como Belo Horizonte, Recife e Fortaleza.
“O PSB não é sublegenda de partido nenhum”, avisou Ciro. Num recado direto aos petistas, disse que o partido tem que ser respeitado na sua estratégia de poder. “Temos que ser respeitados como partido quem tem pretensão de participar com as suas próprias ideias e quadros do debate brasileiro”.
Ele lembrou que o PSB fez grande esforço para convencer o partido em São Paulo em apoiar a candidatura do petista Fernando Haddad. E ressaltou que, em 2010, sua candidatura presidencial foi sacrificada para o PSB apoiar Dilma.
“Eu próprio fui sacrificado, na justa pretensão que tinha, e acredito que com a história que tinha era o mais preparado das possibilidades de candidatura na eleição passada. E o partido retirou minha candidatura quando estava em segundo lugar nas pesquisas para apoiar a presidente Dilma, do PT. Se o PT não entender isso, é porque a goela do PT ficou maior do que a cabeça”, disparou Ciro.
O ex-ministro também atacou o senador Aécio Neves (PSDB-MG) por ter trabalhado nos bastidores para implodir a aliança com petistas e tucanos em torno da reeleição do prefeito de Belo Horizonte, Márcio Lacerda (PSB). Ele disse que ficou decepcionado com ação de Aécio, numa recente conversa que os dois tiveram para tratar da aliança na capital mineira.
“Foi nessa conversa que me decepcionei, não com ele, mas com a atitude nesse assunto”, disse Ciro para em seguida completar: “À medida que ele faz o jogo da coisa miúda, ele descumpre a própria tradição de Tancredo Neves. Se ele tem essa missão histórica do futuro ele não pode ficar cuidado de aliança de vereador e ficar botando faca no pescoço de aliados como eu.”
Nem tudo o que Ciro diz é inverdade, bem ao contrário. O problema dele, a meu ver, é a imprecisão. Como no desenho animado, Ciro "Saque Rápido" (Quick Draw) pode até ser rápido no saque e no manejo da arma, mas é ruim de pontaria e trapalhão; frequentemente atirando em seu próprio pé como ocorrido na eleição presidencial de 2002 quando liderava o pleito. Para os que não se lembram, durante os primeiros meses de campanha, Ciro Gomes esteve disparado na frente de Lula e Serra.
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| "Pepe Legal tem mesmo é miolo mole." |
Mas Ciro não está nem aí. Tanto faz se ele quer atingir Serra, Aécio ou Lula... Tanto faz se seu alvo é o PSDB, o PT ou seu próprio PSB; sua escolha sempre recai na arma errada e aí é merda pra todo lado — Ciro no meio.
Ciro diz — apropriadamente — que "o PSB não é uma sublegenda de nenhum partido", mas não é assim que o PSB se mostra. Como ele próprio relata, eram aliados do governo estadual paulista e passaram a apoiar o candidato do PT após uma simples "conversa" de Lula com o seu presidente, o governador Eduardo Campos. O mesmo ocorreu em Belo Horizonte, onde o candidato-de-bolso-de-colete-do-Aécio — Márcio Lacerda — resolveu cuspir no prato peessedebista depois do dito convescote Lula-Campos. Até o Aécio ficou vendido nessa e resolveu reagir. Segundo se ventilou aqui, até mesmo ao candidato derrotado no último pleito — Leonardo Quintão (PMDB) — foi oferecido apoio. Tudo indica que Márcio Lacerda recuou nas suas pretensões de voo solo, ou do seu partido, até porque ainda não tem "asas" para isso.
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| "E nô-o se esqueça disso!" |
O PSB é um partido que cresceu muito nas últimas eleições, com grande representação no Congresso, vários Governadores e participação ativa no governo Dilma — é da base governista — mas se mantém pequeno e subserviente. Ciro também. Talvez esteja no seu quase ostracismo político a razão dos seus destemperos. A ele falta ajustar o alvo — sua pequenez e a do seu partido — e melhorar em muito sua pontaria, porque jogar fezes nos outros é coisa de símios, especialmente aqueles de zoológico.
quarta-feira, 4 de julho de 2012
Outro contra-vapor
Continua a render juros negativos o episódio Paraguai vs. "Tríplice Aliança", na verdade um ménage à trois político. É como dizia minha avó: "não adianta espremer que sai entre os dedos..."
Pois é... já se foi o tempo que o Itamaraty era o forte do Brasil. Agora eles só dão bola fora...
Paraguai pode, enfim, aprovar base dos EUA
Questão controversa há anos no Paraguai, a instalação de uma base militar no país poderá agitar as eleições marcadas para abril. Suspenso da Unasul e do Mercosul, além de abrir caminho para alianças econômicas com Europa, China e EUA, o Paraguai cederia espaço estratégico na fronteira da Tríplice Aliança, “reduto terrorista”, segundo os americanos. O Mercosul vetava qualquer discussão sobre o tema.
Olho no Aquífero
Com a pretendida base no Paraguai, os EUA pretendem monitorar a maior reserva de água subterrânea do mundo, o Aquífero Guarani.
Sonho antigo
O Paraguai tem acordo de treinamento militar com os EUA, mas o ex-presidente Fernando Lugo resistia à instalação da base militar.
Inimigos, pero...
O bravateiro Hugo Chávez adora falar mal dos Estados Unidos, mas Obama continua sendo o maior comprador de petróleo da Venezuela.
Por pouco
Lula daria “pitacos” na reunião do Mercosul em Mendonza, Argentina. Não foi, para “preservar a voz” e porque Hugo Chávez também não foi. Poupamos a grana de cinco seguranças que o acompanhariam.
Na lista
O presidente do Uruguai, José Mujica, é candidato ao troféu “Biruta de Aeroporto” de 2012: disse antes que era a favor da entrada da Venezuela no Mercosul, agora revela ter sido pressionado pelo Brasil.
Pois é... já se foi o tempo que o Itamaraty era o forte do Brasil. Agora eles só dão bola fora...
terça-feira, 3 de julho de 2012
Pela culatra
Pode sair pela culatra o tiro dado na democracia paraguaia, patrocinado pela presidenta argentina — la viuda de Kirchner — e bobamente encampado por Dilma, Lula e pelo Itamaraty. Nunca antes na história dessepaiz a incompetência galgou cargos tão altos em Brasília.
Abaixo, algumas notas na mídia:
Toda essa trapalhada, espera-se, ajude a detonar com esse arremedo de mercado comum. Aliás, como está claro acima, de mercado o Mercosul não tem nada — nem mesmo a semelhança com uma feirinha de bairro.
E Dilma teve o despautério de dizer que "a entrada da Venezuela foi por puro pragmatismo." Se foi, estava regado a 51.
Abaixo, algumas notas na mídia:
Livre comércio com EUA é opção para o Paraguai
O governo brasileiro agora está preocupado com as conseqüências de sua barbeiragem, ao colaborar na suspensão do vizinho estratégico Paraguai do Mercosul. É que o troco paraguaio pode ser devastador para o futuro do próprio Mercosul: correr para o abraço, assinando com os Estados Unidos um acordo de livre comércio. Assinar esse acordo é um velho sonho paraguaio que conta com a simpatia norte-americana.
Vaso quebrado
O Brasil vai tentar juntar os cacos e impedir o acordo de livre comércio com os EUA, que inviabilizaria o retorno do Paraguai ao Mercosul.
Dividir para reinar
O interesse dos EUA não é conquistar o mercado paraguaio para os seus produtos, mas concretizar o antigo projeto de dividir o Mercosul.
Só falta enterrar
Medidas protecionistas dos países-membros inviabilizaram o Mercosul como “mercado comum”. Foi reduzido a projeto de união aduaneira.
Bem feito
A entrada no Mercosul “Será prejudicial à Venezuela”, segundo a maioria dos votos na enquete do El Universal, o maior jornal do país.
Toda essa trapalhada, espera-se, ajude a detonar com esse arremedo de mercado comum. Aliás, como está claro acima, de mercado o Mercosul não tem nada — nem mesmo a semelhança com uma feirinha de bairro.
E Dilma teve o despautério de dizer que "a entrada da Venezuela foi por puro pragmatismo." Se foi, estava regado a 51.
domingo, 1 de julho de 2012
O verdadeiro golpe
Pesquei este artigo ontem, mas como já tinha escrito bastante, deixei para publicar hoje — dia em que pretendo descansar. Aliás, o mote do texto que repasso a vocês já foi tratado aqui mesmo.
O verdadeiro golpe no Paraguai
por Sandro Vaia (*)
A TV estatal do Paraguai ficou 26 minutos fora do ar por falta de energia elétrica e os alucinados constitucionalistas da Constituição alheia que cresceram como erva daninha nas redes sociais, viram isso como um sintoma de “repressão” e atentado às liberdades públicas.
Nunca se viu um golpe de Estado tão modorrento. Fora dos protestos protocolares de partidários do presidente deposto, o Paraguai continuou levando a sua vida de rotina.
O microfone da TV pública ficou aberto, o ex-presidente protestou diante de suas câmeras, o Congresso fez tudo dentro da normalidade, a Suprema Corte disse que tudo foi feito dentro da normalidade e até o advogado do deposto disse que tudo foi feito dentro da normalidade.
Mas muita gente não gosta da normalidade paraguaia e insiste em chamar de golpe uma decisão tomada por mais de 90% dos parlamentares, que se basearam rigorosamente na letra do artigo 225 da Constituição de seu país.
Dizem que foi tudo muito rápido e surpreendente. Que não houve tempo para defesa. Que o rito foi muito sumário. Mas tudo está previsto na Constituição, que dá ao Senado a atribuição de fixar o rito para o julgamento, o que foi feito através da Resolução 878.
O que resta dizer? Que a Constituição é de mau gosto e “disgusting” ao fixar um etéreo “mau desempenho” como motivo de impeachment?
Que o Legislativo paraguaio não tem polidez, educação e bons modos ao dar tão pouco prazo para a defesa do acusado?
É um pouco de cinismo e hipocrisia achar que dar mais tempo de defesa ao presidente destituído poderia salvá-lo do impeachment.
A queda dele foi resolvida por razões políticas, e nem 400 dias de prazo de defesa poderiam salvá-lo. Ele simplesmente perdeu catastroficamente o apoio político de sua base de sustentação e a votação do processo de impeachment apenas confirmou que ele perdeu as condições mínimas de governabilidade.
Se a Constituição do Paraguai tem um defeito, ele é de concepção: fixou critérios quase parlamentaristas para julgar um governo presidencialista. O presidente ganhou um voto de desconfiança – que apelidaram de “mau desempenho”- e caiu.
Como provar alguma coisa como “mau desempenho” se não através de critérios puramente políticos?
Essa é a Constituição que o Paraguai tem, não a que os palpiteiros da UNASUL acham que deveria ter.
Na Venezuela, por exemplo, casuísticas normas eleitorais permitem que 51% dos eleitores elejam 66 deputados enquanto 49% elegem 96 deputados- do partido do governo, claro. Alguém reclamou?
Enquanto a normalidade da vida democrática foi mantida no Paraguai e o próprio Lugo anunciou que pretende candidatar-se de novo nas eleições de abril de 2013, além de manifestar-se contra sanções econômicas contra seu país, a UNASUL e o Mercosul afastam o Paraguai de seu convívio, com a aquiescência bovina da diplomacia brasileira, a reboque do ativismo “bolivariano”.
É fácil concluir qual é o verdadeiro golpe no Paraguai e qual é seu objetivo: afastar o único obstáculo à entrada da Venezuela no Mercosul.
As tais “cláusulas democráticas” só valem para enquadrar os inimigos. Para os amigos, nem a lei.
(*) Sandro Vaia é jornalista. Foi repórter, redator e editor do Jornal da Tarde, diretor de Redação da revista Afinal, diretor de Informação da Agência Estado e diretor de Redação de “O Estado de S.Paulo”. É autor do livro “A Ilha Roubada”, (editora Barcarolla) sobre a blogueira cubana Yoani Sanchez. E.mail: svaia@uol.com.br
sábado, 30 de junho de 2012
Como se faz um golpe
Repasso a vocês o editorial de ontem do Estadão. Evitarei meus habituais grifos e comentários, mas é para ler e refletir.
Mercosul e autoritarismo
O Estado de S.Paulo
O Mercosul será um bloco muito menos comprometido com a democracia se os presidentes do Brasil, da Argentina e do Uruguai decidirem afastar o Paraguai, temporária ou definitivamente, e abrirem caminho para o ingresso da Venezuela, país comandado pelo mais autoritário dos governantes sul-americanos, o presidente Hugo Chávez. Mesmo sem esse resultado, qualquer punição imposta ao Paraguai será uma aberração. Será preciso imputar ao Legislativo e ao Judiciário paraguaios a violação de uma regra jamais escrita ou mesmo consagrada informalmente pelos quatro países-membros da união aduaneira.
Até a deposição do presidente Fernando Lugo, a Constituição de seu país foi considerada compatível com os valores democráticos. Segundo toda informação disponível até agora, nenhum item dessa Constituição foi violado no rapidíssimo processo de impeachment concluído na sexta-feira passada. Diante disso, nem mesmo o governo brasileiro, em geral afinado com a orientação dos vizinhos mais autoritários, qualificou como golpe a destituição de Lugo. Se não foi um golpe, como caracterizar a ação antidemocrática?
Ataques aos valores democráticos ocorrem com frequência tanto na Venezuela quanto em outros países sul-americanos, mas sempre, ou quase sempre, sem uma palavra de censura das autoridades brasileiras. Ao contrário: a partir de 2003, a ação diplomática de Brasília tem sido geralmente favorável aos governos da vizinhança, quando atacam a imprensa, quando se valem de grupos civis para praticar violências e outros tipos de pressão contra os oposicionistas e quando trabalham para destroçar as instituições e moldá-las segundo seus objetivos autoritários.
Não é preciso lembrar detalhes da ação do presidente Chávez para mostrar como seu governo se enquadra nessa descrição - embora na Venezuela, segundo o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, haja excesso de democracia. Mas o chefão bolivariano é apenas um entre vários dirigentes sul-americanos com vocação autoritária.
A presidente Cristina Kirchner é um exemplo especialmente notável. Como presidente pro tempore do Mercosul, condenou prontamente a destituição do presidente Lugo e se dispôs a excluir o governo paraguaio da reunião de cúpula marcada para esta sexta-feira. Mas os compromissos da presidente argentina com a democracia são notoriamente frágeis. Não há nada surpreendente nesse fato, porque é muito difícil a convivência do populismo com os valores democráticos. A incessante campanha do Executivo argentino contra a imprensa é apenas uma das manifestações da vocação autoritária dos Kirchners e, de modo geral, dos líderes peronistas.
Essa campanha foi levada pelo chanceler argentino, Héctor Timerman, a Mendoza, onde ministros de Relações Exteriores se reuniram para preparar o encontro presidencial.
Já na quarta-feira à noite o ministro argentino falou sobre tentativas da "direita golpista" de enquadrar os governos da região e atacou o jornal ABC, de Assunção, acusando-o de haver incitado os políticos a depor o presidente Lugo. Atacou também os diários La Nación e Clarín, de Buenos Aires, por haverem, segundo ele, justificado o impeachment do presidente paraguaio. "Vemos diariamente", acrescentou, "a ideia de enquadrar presidentes como Cristina Kirchner, Dilma Rousseff e José Mujica."
Não por acaso o ministro de Relações Exteriores da Venezuela, Nicolás Maduro, saudou com entusiasmo os colegas argentino e brasileiro, ontem de manhã, no hotel onde os chanceleres começariam a discutir as sanções ao Paraguai. O Senado paraguaio tem sido o último obstáculo à inclusão da Venezuela entre os membros do Mercosul. Os Parlamentos do Brasil, da Argentina e do Uruguai já aprovaram.
Suspenso ou afastado o Paraguai, o obstáculo será removido e o Mercosul será governado pelo eixo Buenos Aires-Caracas. Quaisquer compromissos com a democracia serão abandonados de fato e as esperanças de uma gestão racional do bloco serão enterradas. Para precipitar esse desastre bastará o governo brasileiro acrescentar mais um erro diplomático à enorme série acumulada a partir de 2003.
sexta-feira, 29 de junho de 2012
Quantos juízes Lula tem no seu bolso?
Trecho de programa conjunto das rádios Band SP e BandNews BSB de hoje, com a participação de Cláudio Humberto, José Paulo de Andrade, Salomão Esper, Rafael Colombo e Joelmir Beting, onde se comenta o voto pró-Contas-Sujas do ministro Dias Tófoli e a revisão do princípio do voto partidário.
BandNewsBSBManhã 120629 (43171-57730) by FaxinaPolítica
Perguntas:
BandNewsBSBManhã 120629 (43171-57730) by FaxinaPolítica
Perguntas:
- Precisamos de uma "Justiça Eleitoral", essa jabuticaba tão brasileira?
- Precisamos de juízes que legislam ao invés de julgar?
- Precisamos de uma justiça que, quando julga, reinterpreta a lei segundo uma conveniência partidária?
- Que benefício se espera dela? Não é ela que, apesar do alto custo, tarda e falha?
- Será que "nossas justiças" promovem mesmo a Justiça ou apenas servem aos patrocinadores dos seus ministros?
- Na linha do comentário feito pelo ministro Marco Aurélio sobre a "excomunhão da Justiça Eleitoral", não seria oportuno "excomungar" também a Justiça do Trabalho, outro alto custo e pouco resultado?
- E o povo? O que é que o povo ganha disso aí?
terça-feira, 26 de junho de 2012
quinta-feira, 21 de junho de 2012
Com que voto que eu vou?
Do blog do Noblat, postagem de Marcos Coimbra, uma boa análise da campanha eleitoral da Cidade de São Paulo. Depois dou meu pitaco; grifos meus.
Boas e Más Notícias sobre a eleição em São Paulo
A recente pesquisa do Datafolha sobre a sucessão em São Paulo trouxe boas notícias para alguns candidatos e más para outros.
Os trabalhos de campo aconteceram na quarta e quinta feira passadas, em um momento de pequeno significado político. Não são usuais os levantamentos na metade de junho, fase em que - especialmente nas grandes cidades - as campanhas estão absortas em movimentos internos, de composição de chapas e articulação de coligações.
Para o eleitorado, nada dizem.
Só no final do mês - quando termina o prazo para as convenções e se delineia o quadro definitivo -, surgem novidades. É lá que, tradicionalmente, as pesquisas são retomadas.
O Datafolha, por exemplo, nem em 2004 ou 2008 fez pesquisas em meados de junho. Deve ter tido razões para realizar essa agora.
Os números são particularmente ruins para Serra. Mostram que o tucano estacionou nos 30%, posição incômoda para quem tem 100% de conhecimento e precisa crescer.
E não foi por falta de mídia simpática que empacou.
O tamanho do problema que enfrenta pode ser avaliado comparando sua performance à de candidatos parecidos: ex-governadores que concorrem - ou que parecia que concorreriam - à prefeitura das capitais.
Nas pesquisas dos últimos meses, chegamos a ter sete com esse perfil.
Eduardo Braga (PMDB), Paulo Hartung (PMDB), João Alves (DEM) e Ronaldo Lessa (PDT) são os mais semelhantes a ele: além de governadores, foram prefeitos - respectivamente de Manaus, Vitória, Aracaju e Maceió.
Em nenhuma pesquisa, os três primeiros tiveram menos que 45% (mas Hartung já avisou que não disputará este ano).
Lessa está aquém, embora melhor que o paulista. José Maranhão (PMDB), em João Pessoa, igual - ainda que enfrente um prefeito bem avaliado. Serra só superava Almir Gabriel (PTB), que aparecia tão mal que desistiu da prefeitura de Belém.
É pouco para quem foi tudo na política da cidade e do estado - e acabou de ser candidato à presidência da República.
O cenário se torna mais preocupante se considerarmos que seus possíveis adversários têm todos biografias menos completas - nenhum ocupou cargo executivo, nenhum tem sua visibilidade. Para ele, deveria ser uma briga fácil.
Os 30% que obteve estão desconfortavelmente próximos dos 21% do segundo lugar, Celso Russomano - hoje em um partido de pequena expressão, o PRB, e sem mandato (e que, no levantamento anterior, estava com 19%).
Em terceiro lugar, há um empate quíntuplo: Fernando Haddad (PT), Soninha (PPS), Netinho de Paula (PCdoB), Gabriel Chalita (PMDB) e Paulinho da Força (PDT) têm entre 8% e 5%. Todos variaram dentro da margem de erro em relação à última pesquisa.
O único que melhorou foi o candidato do PT. De 3%, foi a 8%.
É pouco, mas é um desempenho razoável - para quem é “muito bem” conhecido por apenas 9% dos entrevistados e “um pouco” por 19%. Em outras palavras, para quem pode crescer na grande maioria do eleitorado, os 72% que o conhecem “só de ouvir (falar)” ou que sequer sabem quem é.
Com perspectiva semelhante, apenas Gabriel Chalita - conhecido por 32%. Os outros - de partidos minimamente competitivos - estão bem acima: Russomano por 71%, Netinho por 82%, Soninha por 60%, e Paulinho por 71%.
Quando a propaganda eleitoral começar, tudo pode mudar. A pergunta é que benefício trará a Serra - que está em sua oitava eleição majoritária - e aos demais candidatos que a população cansa de saber quem são.
A pesquisa não revelou nenhuma grande alteração no cenário. Mas tanto a estabilidade, quanto as pequenas mudanças foram negativas para o candidato do PSDB.
Meu Pitaco:
Eu gostei da análise do Coimbra, inclusive quando ele mencionou que Serra, personalidade amplamente conhecida do público brasileiro e, mais ainda, do público paulista, mostra um evidente desgaste político ao exibir estáticos 30%, quase um Russomano. Acho que o eleitorado se cansou dele...
Também a comparação com outros políticos em situação semelhante (ex-governadores e/ou ex-prefeitos em campanha pela prefeitura, cada um no seu galho) ele se mostra apenas em penúltimo lugar (!), uma incômoda colocação para quem, há menos de dois anos, obteve grande exposição em campanha presidencial. Aliás, é bom que se diga, Serra se mostrou em situação bem melhor naquela época, algo como 40% de intenções contra os 3% de Dilma, medidos também no início da campanha. Desnecessário dizer que Serra perdeu o embate e me parece bem a ponto de perder mais um.
Isto me trás à memória uma frase sobre Aécio Neves, quando este ainda procurava a indicação do seu partido para aquele pleito presidencial, relativa "a demonstração pública de sua capacidade em aglutinar diferentes agentes políticos [em torno de si]". Ora, se é público e notório que Aécio tem tais qualidades, também é que Serra é exatamente o oposto — centralizador, seu adjetivo mais conhecido.
Não quero desqualificar Serra, muito menos qualificar Aécio. Critico a ambos com a mesma desenvoltura que os elogio, dependendo do momento. O fato é que, para se fazer política aqui, é necessário negociar, transigir. O que sobra em um falta no outro.
O recente episódio Lula-Maluf sinaliza bem isso. Maluf é uma raposa, um sobrevivente na política. Há que se notar que ele se mantem à tona em meio a borrascas e marolas, e com grande desenvoltura. Então, o que teria feito essa raposa se escafeder da quase celebrada aliança com Serra e o PSDB? Reinaldo Azevedo diz/supõe que foi porque Serra não se dobrou às exigências do Maluf... Será? Eu já acho que não. Na minha modesta opinião, Maluf abandonou o barco que sabe afundar — uma conhecida característica de ratos, grandes sobreviventes — no puro instinto.
Eu não sei dizer ainda se a candidatura Haddad vai decolar — há muita água para passar sob essa ponte — mas se Lula já fez seu hat trick antes, pode fazê-lo de novo agora, ressalvado outros fatos como o julgamento do Mensalão e mesmo o Escândalo dos Aloprados, ambos imputáveis ao PT e que podem ofuscar e mesmo detonar com a campanha e o partido. Diria ainda que vai depender mais dos oponentes de Lula-Haddad do que deles próprios. Mesmo assim, salvo um milagre, uma mudança de conduta, não vejo muita esperança para Serra; nem eu, nem o Maluf.
Não posso dizer que é instinto (nunca fui lá muito instintivo), mas enquanto lia a matéria, surgiu-me a lembrança da música de Noel. Pus a letra abaixo. Cai como uma luva, não cai?!
Com Que Roupa?
Noel Rosa
Agora vou mudar minha conduta
Eu vou pra luta pois eu quero me aprumar
Vou tratar você com a força bruta
Pra poder me reabilitar
Pois esta vida não está sopa
E eu pergunto: com que roupa?
Com que roupa que eu vou
Pro samba que você me convidou?
Com que roupa que eu vou
Pro samba que você me convidou?
Agora eu não ando mais fagueiro
Pois o dinheiro não é fácil de ganhar
Mesmo eu sendo um cabra trapaceiro
Não consigo ter nem pra gastar
Eu já corri de vento em popa
Mas agora com que roupa?
Com que roupa que eu vou
Pro samba que você me convidou?
Com que roupa que eu vou
Pro samba que você me convidou?
Eu hoje estou pulando como sapo
Pra ver se escapo desta praga de urubu
Já estou coberto de farrapo
Eu vou acabar ficando nu
Meu terno já virou estopa
E eu nem sei mais com que roupa
Com que roupa que eu vou
Pro samba que você me convidou?
Com que roupa que eu vou
Pro samba que você me convidou?
quarta-feira, 20 de junho de 2012
Explicações são devidas; resta saber a quem.
Do blog do Camarotti direto para vocês, grifos meus.
O neo-cooptado Dudu Campos foi pego de surpresa pela reação de Erundina em não aceitar a convivência política explícita com Paulo Maluf e seu PP, apesar da existência da convivência implícita — ambos apoiam o governo Dilma, assim como apoiaram o governo Lula. A verdade é que a puxada do tapete onde se encontrava o governador de Pernambuco pegou muito mal para ele. É que nesses tempos modernos exige-se que os presidentes de partido tenham seus filiados em rédea curta — "éguas" xucras como Erundina não podem ser toleradas, nem "éguas", nem "potros". Lula, por exemplo, soube como por a liça na Marta, já Dudu...
Num post abaixo eu já exortava Erundina ao imediato rompimento com o conchavão. Tudo indicava que — enquanto eu escrevia aquelas linhas — ela chutava o pau da barraca. Bem feito! E não há motivos para Dudu Campos se melindrar porque as razões de Erundina são históricas — ela fez justiça ao seu passado, seu presente e seu futuro. O que eles nunca deveriam ter feito é pôr Erundina e Maluf na mesma baia. Aí já é demais, né? Campos tomou chumbo na asa — nada diferente do que ele fez com Aécio em Minas — o que é um consolo, afinal, "chumbo trocado não dói!"
Para terminar, eu sei que o minuto e meio de Maluf na TV não são de se desprezar, mas há limites. Existe uma tênue linha que separa o desejável do condenável e Lula e o PT perderam essa noção após os mais de oito anos no poder. É como no dito: "O poder corrompe; o poder absoluto corrompe absolutamente." Não é assim tão difícil entendê-los...
Aliás, a dica de leitura na charge do Sponholz é perfeita. Nem é assim tão nova — eu mesmo venho indicando a obra de Orwell desde os primeiros anos do primeiro governo Lula — tamanhas são as coincidências entre ambos. E minha opinião ainda não mudou. Nada explica melhor o lulo-petismo que "A Revolução dos Bichos" (Animal Farm) de George Orwell. É um livrinho pequenininho, pode ser lido em poucas horas, mas mostra bem o "pensamento" por detrás disso que está aí. Boa leitura!
Eduardo Campos pede explicações a Erundina
O governador de Pernambuco e presidente nacional do PSB, Eduardo Campos, está reunido neste momento, em Brasília, com a deputada federal Luiza Erundina.
O cacique pede explicações sobre declarações de que ela poderia recuar no posto de vice de Fernando Haddad na disputa pela Prefeitura de São Paulo, após o anúncio, com foto, do apoio de Paulo Maluf ao candidato petista.
Eduardo Campos deve manifestar sua surpresa pelo posicionamento de Erundina, sem que o assunto tenha sido levado ao conhecimento do comando partidário.
Participam também do encontro o vice-presidente do PSB, Ricardo Amaral, e o secretário da sigla Carlos Siqueira.
Meu pitaco:
O neo-cooptado Dudu Campos foi pego de surpresa pela reação de Erundina em não aceitar a convivência política explícita com Paulo Maluf e seu PP, apesar da existência da convivência implícita — ambos apoiam o governo Dilma, assim como apoiaram o governo Lula. A verdade é que a puxada do tapete onde se encontrava o governador de Pernambuco pegou muito mal para ele. É que nesses tempos modernos exige-se que os presidentes de partido tenham seus filiados em rédea curta — "éguas" xucras como Erundina não podem ser toleradas, nem "éguas", nem "potros". Lula, por exemplo, soube como por a liça na Marta, já Dudu...
Num post abaixo eu já exortava Erundina ao imediato rompimento com o conchavão. Tudo indicava que — enquanto eu escrevia aquelas linhas — ela chutava o pau da barraca. Bem feito! E não há motivos para Dudu Campos se melindrar porque as razões de Erundina são históricas — ela fez justiça ao seu passado, seu presente e seu futuro. O que eles nunca deveriam ter feito é pôr Erundina e Maluf na mesma baia. Aí já é demais, né? Campos tomou chumbo na asa — nada diferente do que ele fez com Aécio em Minas — o que é um consolo, afinal, "chumbo trocado não dói!"
Para terminar, eu sei que o minuto e meio de Maluf na TV não são de se desprezar, mas há limites. Existe uma tênue linha que separa o desejável do condenável e Lula e o PT perderam essa noção após os mais de oito anos no poder. É como no dito: "O poder corrompe; o poder absoluto corrompe absolutamente." Não é assim tão difícil entendê-los...
Aliás, a dica de leitura na charge do Sponholz é perfeita. Nem é assim tão nova — eu mesmo venho indicando a obra de Orwell desde os primeiros anos do primeiro governo Lula — tamanhas são as coincidências entre ambos. E minha opinião ainda não mudou. Nada explica melhor o lulo-petismo que "A Revolução dos Bichos" (Animal Farm) de George Orwell. É um livrinho pequenininho, pode ser lido em poucas horas, mas mostra bem o "pensamento" por detrás disso que está aí. Boa leitura!
Três dedos
Do Estadão eu peguei um trecho de reportagem que referencia o recente episódio Lula-Maluf e que repasso a vocês; depois solto meu pitaco. Grifos meus.
Diz um ditado que quando se aponta o dedo para alguém outros três ficam apontados para você. É uma forma de imitar com gestos a mensagem contida naquela célebre frase, na qual, segundo a Bíblia, Jesus disse aos apedrejadores de Maria Madalena: "Quem nunca pecou que atire a primeira pedra." Diz a Bíblia que ninguém se atreveu a lapidar Madalena e que foram embora com o rabo entre as pernas.
O mesmo acontece com nossos dedos. Estão lá três a nos lembrar que somos tão pecadores quando aqueles aos quais queremos imputar uma falta, um crime, talvez até mais que o próprio criminoso. Assim é Marina, criminosa à sua maneira, mas posando de vestal pura e límpida enquanto aponta com seu dedo o desafeto. Vá lá, Lula é gente da pior espécie, mas Marina foi da sua patota por tanto tempo que — com absoluta certeza — também se lambuzou na mesma lama, sujou-se nas mesmas fezes.
Dona Marina é toda verde. Luta pelos animais, plantas e povos da floresta. Ecologista de fama internacional, não há lugar no mundo rico onde não seria reconhecida. Já no terceiro mundo, não sei. Acredito até que em seu estado natal ela não é nem tão conhecida assim. Já no Brasil que conta, não, é a grande redentora da natureza, das ONGs e dos ecologistas. Para eles Marina é dez, mas não devia...
Marina é dada a arroubos tão lulescos quanto os do próprio babalorixá. Para registrar um único votinho insignificante na campanha presidencial em que concorreu, voou num jatinho particular de São Paulo a Rio Branco (AC), votou, deu uma entrevista e embarcou no mesmo jatinho de volta para São Paulo para acompanhar a apuração. Chico Mendes ficaria orgulhoso do feito, já que usou o meio de transporte mais poluidor que se tem notícia nesse planeta. É bem provável que em toda a sua vida ela não consiga apagar o footprint de carbono que esta viagem gerou, footprint que ela, com sua voz de tísica, vai acusar você de ter feito e que debitará em sua conta. Tirando isso, é verde! Verde-petróleo, verde-dólar.
Lembre-se Marina: nota de três, três dedos... E me atrevendo a parafrasear Saint-Exupéry, eu diria a você: "Tu te tornas imputável pelas pessoas que acusa."
Marina alfineta Lula sobre aliança com Maluf
'Vale misturar água e óleo para ter tempo de TV', disse a senadora durante discurso na Rio+20; acordo rendeu 1min35s à propaganda eleitoral de Haddad
RIO - Em um discurso na Cúpula dos Povos nesta terça-feira, dia 19, Marina Silva alfinetou a aliança entre o PT de São Paulo e o ex-prefeito Paulo Maluf. Segundo a ex-senadora, para alguns políticos “vale misturar água e óleo para ter tempo de TV.” A fala, feita em uma das principais plenárias da Cúpula, foi aplaudida de pé pelo público que mais uma vez ovacionou Marina Silva e seu posicionamento contrário aos rumos do documento oficial da Rio+20.
“Eles acreditam que só existe a política do pragmatismo, acreditam que vale misturar água e óleo apenas para ganhar mais tempo na televisão sem nem saber sobre o que propor”, afirmou Marina Silva, que foi ministra do meio-ambiente durante o governo Lula. Nessa segunda, 18, o ex-presidente anunciou aliança com Paulo Maluf em apoio à candidatura de Fernando Haddad à prefeitura de São Paulo. O anúncio causou desconforto entre os próprios petistas e ameaça a permanência da deputada Luiza Erundina (PSB) como vice na chapa.
Meu pitaco:
As vestais sempre me impressionaram negativamente. Quando alguém se apresenta assim muito certinha, muito pura, muito verde, muito... eu desconfio. E com Marina não foi diferente. Desde a primeira hora eu a vi falsa como uma nota de três — e não me enganei.Diz um ditado que quando se aponta o dedo para alguém outros três ficam apontados para você. É uma forma de imitar com gestos a mensagem contida naquela célebre frase, na qual, segundo a Bíblia, Jesus disse aos apedrejadores de Maria Madalena: "Quem nunca pecou que atire a primeira pedra." Diz a Bíblia que ninguém se atreveu a lapidar Madalena e que foram embora com o rabo entre as pernas.
O mesmo acontece com nossos dedos. Estão lá três a nos lembrar que somos tão pecadores quando aqueles aos quais queremos imputar uma falta, um crime, talvez até mais que o próprio criminoso. Assim é Marina, criminosa à sua maneira, mas posando de vestal pura e límpida enquanto aponta com seu dedo o desafeto. Vá lá, Lula é gente da pior espécie, mas Marina foi da sua patota por tanto tempo que — com absoluta certeza — também se lambuzou na mesma lama, sujou-se nas mesmas fezes.
Dona Marina é toda verde. Luta pelos animais, plantas e povos da floresta. Ecologista de fama internacional, não há lugar no mundo rico onde não seria reconhecida. Já no terceiro mundo, não sei. Acredito até que em seu estado natal ela não é nem tão conhecida assim. Já no Brasil que conta, não, é a grande redentora da natureza, das ONGs e dos ecologistas. Para eles Marina é dez, mas não devia...
Marina é dada a arroubos tão lulescos quanto os do próprio babalorixá. Para registrar um único votinho insignificante na campanha presidencial em que concorreu, voou num jatinho particular de São Paulo a Rio Branco (AC), votou, deu uma entrevista e embarcou no mesmo jatinho de volta para São Paulo para acompanhar a apuração. Chico Mendes ficaria orgulhoso do feito, já que usou o meio de transporte mais poluidor que se tem notícia nesse planeta. É bem provável que em toda a sua vida ela não consiga apagar o footprint de carbono que esta viagem gerou, footprint que ela, com sua voz de tísica, vai acusar você de ter feito e que debitará em sua conta. Tirando isso, é verde! Verde-petróleo, verde-dólar.
Lembre-se Marina: nota de três, três dedos... E me atrevendo a parafrasear Saint-Exupéry, eu diria a você: "Tu te tornas imputável pelas pessoas que acusa."
terça-feira, 19 de junho de 2012
Larga essa m*, Luíza!
O Camarotti escreveu no seu blog, grifos meus:
PSB não quer ficar refém de Luiza Erundina
A cúpula do PSB avalia que não pode ficar refém da deputada Luiza Erundina, escolhida como vice do petista Fernando Haddad para concorrer à Prefeitura de São Paulo.
Erundina deu declaração de que deve continuar como vice, mas que vai questionar a aliança com Paulo Maluf (PP), de quem é inimiga histórica.
Um integrante do comando do PSB disse ao blog que a cúpula está incomodada com o fato de saber pelos jornais das posições políticas de Erundina. O PSB está preocupado com a postura independente da deputada sem consulta ao comando partidário.
Isso será dito à deputada durante conversa marcada para esta tarde. O governador Eduardo Campos, presidente nacional da sigla, está a caminho de Brasília para uma reunião que avaliará o quadro da eleição em São Paulo. Erundina e o vice-presidente do PSB já estão em Brasília.
Meu pitaco:
Qual o quê, Erundina! Primeiro, você nem deveria ter aceitado o "convite" de Lula. Afinal, ele a expulsou do PT apenas por você aceitar ser ministra do Itamar. Isso vai muito além do pragmatismo; está mais para pragamatismo.
Prestenção: era o Governo Itamar, não o de Fernando Collor, de quem Lulla é hoje amigo do peito, de copo e do bolso. Tome tento porque ele ainda faz o PSB expulsá-la do partido.
![]() |
| Boa política, uma questão de limpeza. |
PSB que já foi cooptado, na fonte — aquela de Pernambuco —, de onde veio a ordem para vocês se alinharem com o PT paulista, voltando as costas ao governador Alckmin e ao PSDB, de cujo cocho no governo desfrutavam. E não foi a primeira vez não. A vocação de Judas do PSB começou aqui em Minas, com o prefeito de BH. Eu, hein!
Então, o melhor para você, Erundina, é se preservar — por um mínimo de coerência —, já que não há como se aproximar de Maluf (e de Lulla) sem se sujar. E já que estamos no tema, sua amiga Marta Suplicy deve estar às gargalhadas em casa, isto é, rindo das trapalhadas e aliviada por não estar no meio dessa merda que suja a todos e cheira muito mal.
Prag(a)matismo
Deu no Cláudio Humberto ontem...
É como na música... É o amo-o-or...
'Aliança com o PT foi por amor a São Paulo', afirma o deputado Maluf
O deputado Paulo Maluf (PP-SP) afirmou nesta segunda (18) que sua aliança com o PT foi “por amor a São Paulo” e não pela nomeação de um suposto indicado seu ao Ministério das Cidades, a quem ele negou conhecer. "Não conheço ele. Parece que é do Paraná. É do PP do Paraná”, disse. O parlamentar ainda exaltou o pré-candidato à Prefeitura da cidade, Fernando Haddad (PT) justificando a aliança com o PT. "É o nosso candidato porque eu amo São Paulo. (...) eu tenho plena convicção de que São Paulo vai precisar do governo federal para resolver seus problemas”, acrescentou. A aliança foi formalizada hoje na casa de Maluf, com a presença do ex-presidente Lula e do presidente do PT, Rui Falcão, além de malufistas históricos, como o vereador Wadih Mutran (PP).
É como na música... É o amo-o-or...
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