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quarta-feira, 11 de julho de 2012

O Brasil é lindo, o discurso é que não cola

Demóstenes é cassado por 56 a 19 !

Justiça mesmo só quando os outros 80 senadores se auto-imolarem
no cadafalso no qual imolaram Demóstenes.

 

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Os Poderes acima do Povo e da Lei

O Brasil é sui generis... Está lá, no parágrafo único do artigo 1º da Constituição da República: "Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição." Muito bonito, mas o que esses "representantes" fazem com tal poder? Na minha opinião, usam-no para benefício próprio ou de apaniguados. Repasso um texto publicado na Exame Online — grifos meus.

Senado libera passaporte diplomático para indicados
A assessoria da Casa alega que, como não existe norma proibindo, o documento pode ser solicitado por cada um de seus parlamentares

Brasília - O Senado autoriza os 81 senadores a requerer pessoalmente passaportes diplomáticos ao Itamaraty, inclusive para terceiros. A assessoria da Casa alega que, como não existe norma proibindo, o documento pode ser solicitado por cada um de seus parlamentares. É o que explica o fato de o senador Marcelo Crivella (PRB-RJ) ter obtido passaportes especiais para o chefe da Igreja Internacional do Reino de Deus, pastor Romildo Ribeiro Soares, conhecido por R.R. Soares, e para sua mulher, Maria Madalena Bezerra Soares. Eles são tios do senador.

A portaria do ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, concedendo esses passaportes diplomáticos foi publicada no Diário Oficial da União (DOU) na última sexta-feira, 18. A polêmica é que a concessão se dá em nome da instituição Senado e não do parlamentar. Nem o pastor nem sua mulher têm ligações com o parlamento brasileiro.

Na Câmara, os deputados têm de recorrer à segunda secretaria para obter o documento. Crivella defende que cabe ao Itamaraty analisar o "mérito" do pedido. Nesse caso específico, ele acredita que o ministro Patriota se convenceu pelos "carimbos do passaporte do pastor com centenas de viagens. Todas elas para atender milhares de brasileiros que vivem lá fora". Ou seja, o pastor evangélico estaria executando uma das atribuições do próprio Itamaraty. "O parlamentar tem todo o direito de pedir o passaporte", insiste.

Crivella afirma não ser esta a primeira vez que ele pede e obtém passaporte para R.R. Soares. "Ele viaja tanto, tanto, tanto, que na hora de fazer fila, ele pega a de prioridade diplomática", justifica, referindo-se a um dos motivos para ter o passaporte.

A assessoria do Itamaraty limita-se a informar que "os passaportes diplomáticos são concedidos de acordo com a legislação". A maioria dos senadores recorre à Coordenação de Atividades Externas (Coatex) para obter passaportes e outros serviços do Itamaraty. O líder do PSDB, senador Álvaro Dias (PR), disse desconhecer a brecha para os colegas pedirem o passaporte sem a intermediação do órgão da Casa. "Isso é um absurdo, é uma exceção que não se admite", protesta. "Isso para mim é o início da farra do passaporte". O líder diz não entender a importância dada ao passaporte diplomático que, na sua opinião, "não tem nenhum valor especial".

O nome para isso é aparelhamento do Estado. Estão usando as Instituições da República para benefício próprio. Se isso não é crime, então nada mais é! Vamos instalar logo a anarquia e fazer do Brasil uma grande Somália.  Eu vou dar minha opinião da forma mais educada possível: vocês aí em Brasília — os aboletados em todas as instâncias do governo — na sua função, falsos representantes do povo, contrafações e empulhações grosseiras. Vocês são uma vergonha, mas gostaria de poder usar palavras mais contundentes para adjetivá-los.

Para um cidadão brasileiro, ouvir a alegação desse senador Crivella de que "seus tios viajam muito e precisam da benesse de um passaporte diplomático" é simplesmente nauseante. O passaporte diplomático identifica seu usuário como representante diplomático de seu país natal. Vocês acreditam que o R. R. Soares e sua mulher são representantes da República? Vocês acreditam?! 

Eu não acredito que os tios do senador precisem usurpar as funções do Itamaraty (nem que tenham competência para isso) para "atender a milhares de brasileiros no exterior", mas posso imaginar que tal benesse poderia ser para facilitar, por exemplo, o contrabando de dinheiro para o exterior — faz mais sentido, embora não tenha elementos para transformar a conjectura numa acusação. Lembro-os, há precedentes. Pastores já foram pegos em Miami com numerário não declarado e presos pela Justiça dos Estados Unidos da América. Falo do bispo e da bispa da Igreja Renascer, fato amplamente noticiado, que não dispunham dos passaportes vermelhos do Itamaraty àquela época. Um dos benefícios dos passaportes diplomáticos é a "não-revista" de bagagem, não apenas a "fila mais curta" da alfândega. A desobrigação de visto de entrada é outro, mas tem mais: o passaporte também é totalmente gratuito! Não é lindo?!

Convenhamos, a verdade é uma só: Crivella e os Soares representam muitos votos para o governo — dentro e fora do Congresso — e as eleições municipais estão aí. Agora, qual foi a razão que o ministro Patriota viu para atender ao inciso II da Portaria nº 98 de 24/Jan/2011?Lá diz: "demonstrar que o requerente está desempenhando ou deverá desempenhar missão ou atividade continuada de especial interesse do país, para cujo exercício necessite da proteção adicional representada pelo passaporte diplomático."
Passaportes vermelhos para ratos vermelhos...
Tudo a ver!

E aí, ministro? Eu quero saber qual a MISSÃO ou ATIVIDADE desses e outros APANIGUADOS (eu queria usar outro adjetivo) que merecem o beneplácito do Itamaraty. Vai dizer ou vai por o rabo entre as pernas e correr?!

Eu disse acima que o Brasil era sui generis, mas acho agora que não; é apenas e tão somente sem vergonha! Só mesmo assim para aceitar passivamente a ratonice das instituições, o esbulho do erário e o escárnio dos ladrões aboletados no Poder. E pensar que se cortaram cabeças na França por muito menos que isso...

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

A bunda exposta na janela

A canalha perdeu a vergonha. Eles já não se importam em serem desmascarados, não mais se escondem ou rastejam. Entre um bater da carteira alheia e a rapinagem da coisa pública, o pessoal do Poder (todos eles — executivo, legislativo e judiciário — e em todos os níveis) passam-nos a mão na bunda sem a menor cerimônia.

A gente não está
Com a bunda exposta na janela
Prá passar a mão nela...
"Passar a mão na bunda" é das coisas mais acintosas que eu conheço. É aviltante, chulo, sórdido mesmo. Eu fico pensando qual seria o nível de violência com que eu retrucaria a tal ato de desrespeito e não consigo pensar em nenhum menor. Não é mais o caso de agredir o ofensor com palavras ou discursos, por mais intensos e violentos que sejam. Não! Para certas agressões, nem mesmo a Pena de Talião se aplica — não há nada que se equipare —, é preciso deixar a retórica de lado e partir para a reação física!

Este desabafo em muito se deve à "novela Lupi" que passa em todos os canais, que é só um capítulo da pantomima que começou há nove anos. Eu já sabia há muito que Dilma não é a presidente do Brasil, nem presidenta, como ela quer — quando muito presidANTA —, mas ela devia manter ao menos um mínimo de pudicícia, de amor-próprio e de decência, até para o bem de sua própria imagem e a das mulheres que diz representar. Gente como esse Lupi devia ser demitida com desonra e humilhação publicas. Nossa primeira mulher presidente é um péssimo exemplo, um desserviço às outras mulheres do Brasil e do mundo. Se era somente para se exibir, presidenta, a senhora devia ao menos deixar o cabresto do Lula em casa.

Eu ando mesmo muito indignado. Eu sou de um tempo em que melhorar a nossa vida e a da nossa sociedade era uma META. E é por isso que a música do Gonzaguinha não me sai da cabeça. Estivesse ele ainda vivo — tenho certeza — sairia à rua indignado cantando É. A música está aí, com Simone, e a letra completa também — prestem atenção a ela, o que a letra diz! E lhes faço a pergunta: É isso que está aí que a gente quer?!



É
Gonzaguinha

É!
A gente quer valer o nosso amor
A gente quer valer nosso suor
A gente quer valer o nosso humor
A gente quer do bom e do melhor...

A gente quer carinho e atenção
A gente quer calor no coração
A gente quer suar, mas de prazer
A gente quer é ter muita saúde
A gente quer viver a liberdade
A gente quer viver felicidade...

É!
A gente não tem cara de panaca
A gente não tem jeito de babaca
A gente não está
Com a bunda exposta na janela
Prá passar a mão nela...

É!
A gente quer viver pleno direito
A gente quer viver todo respeito
A gente quer viver uma nação
A gente quer é ser um cidadão
A gente quer viver uma nação...

É! É! É! É! É! É! É!...

É!
A gente quer valer o nosso amor
A gente quer valer nosso suor
A gente quer valer o nosso humor
A gente quer do bom e do melhor...

A gente quer carinho e atenção
A gente quer calor no coração
A gente quer suar, mas de prazer
A gente quer é ter muita saúde
A gente quer viver a liberdade
A gente quer viver felicidade...

É!
A gente não tem cara de panaca
A gente não tem jeito de babaca
A gente não está
Com a bunda exposta na janela
Prá passar a mão nela...

É!
A gente quer viver pleno direito
A gente quer viver todo respeito
A gente quer viver uma nação
A gente quer é ser um cidadão
A gente quer viver uma nação
A gente quer é ser um cidadão
A gente quer viver uma nação
A gente quer é ser um cidadão
A gente quer viver uma nação...

É! É! É! É! É! É! É!...

Sim! eu quero.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

O Barbeiro

Recebi esta mensagem por e-mail e repasso a vocês:

O florista foi ao barbeiro para cortar seu cabelo. Após o corte, perguntou ao barbeiro o valor do serviço e o barbeiro respondeu:

— Não posso aceitar seu dinheiro porque estou prestando serviço comunitário essa semana.

O florista ficou feliz e foi embora.

No dia seguinte, ao abrir a barbearia, havia um buquê com uma dúzia de rosas na porta e uma nota de agradecimento do florista. Mais tarde, no mesmo dia, veio um padeiro para cortar o cabelo. Após o corte, ao pagar o barbeiro, o padeiro escutou dele:

— Não posso aceitar seu dinheiro porque estou prestando serviço comunitário essa semana. O padeiro ficou feliz e foi embora. No terceiro dia, ao abrir a barbearia, havia um cesto com pães e doces na porta e uma nota de agradecimento do padeiro. No terceiro dia veio um deputado para um corte de cabelo. Novamente, ao ser perguntado pelo valor, o barbeiro respondeu:

— Não posso aceitar seu dinheiro porque estou prestando serviço comunitário essa semana. O deputado ficou feliz e foi embora. No dia seguinte, quando o barbeiro veio abrir sua barbearia, havia uma dúzia de deputados fazendo fila para cortar cabelo.

Essa é a diferença entre a maioria dos cidadãos e a maioria dos políticos. Como disse uma vez Eça de Queirós, "Os políticos e as fraldas devem ser trocados frequentemente e pela mesma razão."

NA PRÓXIMA ELEIÇÃO TROQUE UM LADRÃO POR UM CIDADÃO!

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

O deboche do escárnio

No último post eu me alonguei um pouco sobre a corrupção. Neste serei sucinto: corrupção no Brasil é tão visceral que virou deboche. O escárnio pela coisa pública vem de vereadores e vai até a Praça dos Três Poderes em Brasília. Prestem atenção no que uma dessas "figurinhas" disse:


E não satisfeito em nos esculhambar, ainda se acha no direito de cuspir na nossa cara. Ficam falando que Gaddafi, Saddam e que tais exploraram seus compatriotas por décadas e tal... Eu pergunto a você, cidadão, há quantos anos você acha que essa corja aí nos explora? Perceberam, né? Nós damos o duro aqui, nos matamos de trabalhar, estudamos, pagamos impostos e o nosso sangue vai para um crápula sem vergonha desses.

E ele é apenas um vereador! Imaginem se um safardana desses chega a uma prefeitura ou cargo ainda maior. Pois fique sabendo que o número deles vai aumentar! Dos atuais 57748, o Brasil contará com 59500 vereadores a partir de 2012. Vá pensando aí quantos dessa malta serão da fina extirpe do bandido acima. Eita!

É muito difícil não se indignar com tanta desfaçatez; algo precisa ser feito e já! O problema é que a Lei Orgânica que rege o sistema político permite tais distorções. Em breve eu postarei um pequeno vídeo mostrando como é e como pode vir a ser a política e a democracia representativa no Brasil.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

É falta de decoro dizer a verdade?

A Folha noticiou que ele disse. Já o Estadão disse que ele disse mas que estava arrependido de ter dito. Afinal, qual é o preço dos deputados? Não vale sacar esse negócio de "quebra de decoro", desculpa das mais esfarrapadas. Deputado não tem decoro algum — isso é ponto pacífico —, nem se sabe ao certo para que servem.


Como os preços no Brasil estão livres, imagino que eles estejam fazendo cera para aumentá-lo. Ou é isso, ou como sugere o Nani, é promoção de fim de ano. Afinal, o recesso parlamentar vem aí e nossos representantes querem defender o peru de Natal.