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domingo, 2 de abril de 2017

O avesso do avesso, ou: 'FHC é mais do mesmo'


Quando menos se espera ele aparece e ataca. Com aquele jeito meigo e terno de colomba bianca e alma de carcará, FHC não perde a oportunidade de desenterrar o defunto político do esquerdismo e do globalismo.

Hoje, bem cedo, abro os jornais e deparo com sua coluna publicada tanto n'O Globo quanto no Estadão. Está lá para quem quiser ver e ler um longo e tedioso texto sobre mais do mesmo. Não, não vou reproduzi-la aqui. Tomaria quase todo o meu espaço e, certamente, toda a paciência do leitor. Vou limitar-me a excertos entre os quais entremearei meus pitacos. Aos de muita paciência publicarei os links para a íntegra nos dois jornais. O texto e o título são os mesmos, mudam-se apenas os sub-títulos.

Assim arrulhou a colomba bianca (o crocitar do carcará está nas entrelinhas) — grifos meus:

sábado, 25 de março de 2017

Diferenciando escroques


Li no jornal Valor de 24 de Março a seguinte nota (grifos meus):

'Temos que responder quanto custa a democracia e quem paga', diz FHC

quarta-feira, 28 de março de 2012

segunda-feira, 26 de março de 2012

Ninguém merece

Tem gente que gosta. Reinaldo Azevedo gosta. Mas depois de ler esta reportagem do Estadão, é para se perguntar se o paulistano merece "tudo" isso. Grifos meus.

José Serra: ‘No nosso partido não tem dedaço'

Pré-canditado destaca o apoio do prefeito Gilberto Kassab à sua candidatura
SÃO PAULO - José Serra afirma que a democracia interna pode ocorrer com ou sem prévia, mas que no PSDB não há "dedaço". Ele destaca o apoio de Gilberto Kassab (PSD) à sua candidatura.

O sr. acredita que a prévia zelou pela democracia interna?
Um partido pode ter democracia interna com ou sem prévias. No PSDB, nunca ninguém deu um golpe de Estado ou baixou alguma autoridade suprema para dizer quem seria "o" candidato. No nosso partido, não há dedaço. Sempre foi um processo negociado, com democracia interna. Realizar prévias é uma das formas do exercício democrático. Dois pré-candidatos desistiram (Covas e Mattarazzo) porque consideraram que a minha postulação satisfazia suas proposições.

O governador Geraldo Alckmin teve papel isento no processo?
Foi e é isento como governador.

É importante receber o apoio do prefeito Gilberto Kassab?
É importante e estou satisfeito com isso. Aliás, pelo visto, o PT também achava importante. Tanto é que tentou obter o apoio do prefeito.

Entre três temas abordados com frequência em campanhas - educação, saúde e transportes - qual seria o mais relevante?
Os três. Não existe essa hierarquia. Você não usa ônibus em sala de aula, não alfabetiza em hospital nem cura as pessoas no transporte coletivo. É como indagar se água é mais importante do que comida ou se ambas são mais importantes do que a liberdade. Quem escolher ou água ou comida está escolhendo se morre de sede ou de fome. Quem escolher as duas e renunciar à liberdade, vai comer mal e beber mal numa masmorra.

Haverá polarização entre o PT e o PSDB na eleição de SP?
Quem decide é o eleitor.

A eleição, exemplo da de 2010, será marcada por uma discussão sobre costumes, como aborto?
Isso é tolice. Em 2010, esses foram temas inventados por meus adversários. Alguém leu ou ouviu alguma declaração minha a respeito neste ano? Quem não fala em outra coisa são os petistas. Têm receio desse assunto e atribuem aos outros uma ação que é deles. Estão muito preocupados. Eu não. Não tenho de esconder as minhas opiniões. Não tenho a ambição autoritária de dizer o que as pessoas podem ou não debater.
Na minha modesta opinião, o Serra surtou e voltou aos seus tempos de UNE. O que é isso companheiro?! Vamos lá:
  1. Todo mundo sabe que o o que mais existe no PSDB é "dedaço". Dizem até que são três: o do FHC, o do Aécio e o do... do... do Serra mesmo.
  2. O Covas e o Matarazzo retiraram suas candidaturas por força de "dedaços" do governador Alckmin.
  3. Alckmin nunca foi isento; nem como governador, nem como Alckmin.
  4. Claro que existe hierarquia, porque não se pode fazer tudo a um só tempo. Falar que educação, saúde e transportes são igualmente importantes é repetir o óbvio. Sabemos que quem fala assim acaba por fazer nada, então, inteligente é dizer o que se vai fazer, quando e com o que. Serra, onde foi que você comprou seu diploma de economista? Já o resto da sua resposta cheira a cânhamo, como na UNE.
  5. "Ambição autoritária?!" Não há no mundo quantidade suficiente desse material que satisfaça à necessidade de Serra. Mentiroso e palanqueiro como o Lula.
Pois é, o paulistano vai ter que coçar a moleira para escolher seu prefeito. Entre o Serra e o Haddad, quem começa a ficar palatável é o Chalita. Ô sina...

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Para onde vai o emprego?

Eles se auto-denominam "Partido dos Trabalhadores". Ha! Ha! Ha! Qualquer coisa, menos "dos trabalhadores"... Nada como um gráfico para mostrar a eficiência dessa gentalha. Excerto da coluna de hoje do Celso Ming:

CONFIRA

Queda brutal no período de maior contratação?!!

O Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) divulgado nesta terça mostra clara desaceleração das contratações no Brasil – vê-se no gráfico. Em 12 meses (até novembro), 2,3 milhões de postos foram criados, 20% a menos do que no mesmo período em 2010 (2,9 milhões).


Agora começa a ficar claro também para os zés e manés. Dá para perceberem que a nossa economia está fazendo água. Como já denunciado aqui, a bonança do governo Lula era só efeito colateral do bons governos Itamar/FHC. Lula só fez discurso em palanque; não trabalhou, não organizou, não investiu: o governo foi só uma festança irresponsável com a coisa pública e o resultado começa a aparecer. Só falta ele dizer "eu não sabia..."

Pois você não sabe mesmo, idiota, e sua lugar-tenente sabe menos ainda já que aceitou o papel de boi-de-piranha, bucha-de-canhão, massa de manobra. Lula agora é pelego do governo Dilma, como sempre fez com a peãozada...

domingo, 18 de dezembro de 2011

Verdadeira como uma nota de três

Já disse aqui mais de uma vez: "Dilma soa falso." Não que seja absolutamente verdade, não todo tempo, mas, via de regra, é como ela soa. Reproduzo a última coluna da Cristiana Lôbo no portal G1 (grifos meus):

Economia e política

Ao fazer o balanço do primeiro ano de seu mandato, a presidente Dilma Rousseff demonstrou que é muito mais preocupada com a economia do que com a política. Ela começou o encontro falando de sua expectativa otimista para a economia no ano que vem – de crescimento entre 4,5% e 5%, acima das previsões de economistas e do mercado financeiro, mas fez questão de ressaltar que seu otimismo está sustentado nas medidas adotadas pelo governo para enfrentar a dificuldade no cenário internacional.

Segundo ela, a inflação também deve ceder e ficar dentro da meta “em curva descendente” e lembrou que o Brasil “tem margem de manobra” na política monetária, o que não é o caso de muitos países da Europa. Mas realçou:

– Isso também porque nós nos antecipamos ao que vinha no cenário externo. A área econômica fez uma avaliação e viu que a crise era forte. Pouco antes da metade do ano, acendemos o sinal vermelho e percebemos que a crise seria de longo prazo com picos críticos – afirmou.

Quando o assunto era a política, a presidente fez questão de falar num tema que tem lhe dado aumento de popularidade, como revelou pesquisa divulgada hoje pela CNI/Ibope:

O governo não tem compromisso com mal-feitos; é tolerância zero – disse ela que deu indicações de que pretende ser mais criteriosa na indicação de ministros por indicação partidária. Ela afirmou que cada vez mais os critérios de governança internos devem prevalecer e não os partidários.

A indicação é feita pelos partidos, mas a partir da nomeação, o ocupante do cargo deve satisfações somente ao governo. Uma coisa é a governabilidade; uma fez nomeado, ele presta contas ao governo e a mais ninguém – disse.

Tudo bem, deve ser a proximidade do Natal e ela acredita em Papai Noel. Notem, não há uma só gota de verdade no que ela disse (ou pensa). Vejamos:
  1. Crescimento entre 4,5% e 5% no ano que vem nem por interferência divina! A Europa vai caindo pelas tamancas, os Estados Unidos estão fazendo para o gasto e a China não vai conseguir o mínimo de 10% que precisa para se manter porque seus principais mercados — Europa e EUA — estão em dificuldades.
  2. Seu otimismo está sustentado apenas nas mentiras do seu governo. Também já disse aqui mais de uma vez: "A política do PT é mentir sempre, até que a mentira ser aceita como verdade, como ensinou Herr Doktor Goebbels."
  3. A inflação está em curva ascendente e não há margem de manobra já que o crescimento é zero e os mercados mínguam. As commodities, que mantiveram as exportações em alta, também já encontraram seu ponto de inflexão. Por exemplo, a China já não está disposta a pagar aquilo que a Vale quer e a Vale não tem outro freguês para o lugar da China...
  4. O governo não se antecipou, como diz a presidenta. Na verdade, agiu tardiamente. Manteve uma política de juros altos e nenhum ou pouco investimento. Nossa indústria se encontra sufocada por altos tributos, burocracia, custos logísticos, etc. A tibieza do ministro Mantêga é tanta que perdi a conta das vezes em que precisou ir à mídia para se desdizer — falta apenas derreter no Verão. O cenário nào poderia ser pior para se enfrentar uma crise mundial.
  5. A tolerância para "mal-feitos", como gosta de dizer a presidenta, é total. Chegou ao cúmulo de não assinar o Tratado Anti-Corrupção de Genebra. Podia ter assinado, nem que fosse para manter as aparências, mas preferiu não arriscar. São muitos os pescoços de amigos que cabem na corda. Quanto aos seus "critérios de governo", eles se limitam a manter a base aliada a qualquer preço, nada mais. Se um partido pia, ela abre as asas como uma galinha choca.
  6. Se é verdade que os ministros devem satisfação ao governo, por que não se perguntou ao Pimentel o porquê de ter faltado à reunião da OMC, razão de sua ida à Suiça? Hein?! Ah! sei... era só para ele se afastar temporariamente do olho do furacão de mais um escândalo.
Escândalos, o único item da pauta em que o governo Dilma se esmerou nesse primeiro ano. Será que não dava para fazer alguma coisinha? Não é tarefa impossível. Vejamos, Itamar fez o Plano Real em menos de dois anos de governo. FHC consolidou o Real, fez privatizações, melhorou substancialmente a economia e o nível de emprego; modernizou o País. O lulo-petismo vem destruindo tudo isso sistematicamente. Basta abrir os olhos e ver. Basta perguntar: o que Lula e Dilma fizeram para o País em nove anos?

Não fosse a oposição tão fraquinha e mansa, este governo já estaria na latrina, destino certo e apropriado para governos petistas e seus afins.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Quem precisa de inimigos com tais amigos

Está lá, no Estadão de hoje (grifos meus):

Jovens reeditam embate Serra versus Aécio
AE - Agência Estado

O congresso nacional da Juventude do PSDB, que começa hoje em Goiânia, promete se tornar um microcosmos do racha tucano entre apoiadores do senador Aécio Neves (MG) e do ex-governador de São Paulo José Serra. Ambos são esperados no evento e devem usar suas falas para tentar mobilizar os militantes em seu favor. Os líderes jovens do PSDB estimam que atualmente a maioria dos diretórios estaduais é comandada por aecistas. O afastamento de Serra desta ala do partido teria se intensificado com o bate-boca, em novembro, entre o ex-governador e o presidente da juventude do tucanato paulista, Paulo Mathias. Serra deve aproveitar o discurso de amanhã para elogiar Mathias e diminuir sua rejeição.

Os militantes mais alinhados ao ex-governador de São Paulo, contudo, tentam minimizar a briga entre ele e Mathias. "Não houve briga! Isso já foi resolvido", diz enfaticamente Wesley Goggi, secretário nacional de juventude do PSDB. Ele pertence ao diretório do Espírito Santo, hoje visto como um dos mais serristas. Foi dele o convite para que Serra e Aécio participassem do evento. "Não tem desconforto nenhum", garante, reiterando que o debate sobre o candidato à Presidência só deve ser feito em 2013.

O presidente da Juventude do PSDB, Marcelo Richa - que os outros tucanos veem como um articulador de seu pai, o governador do Paraná, Beto Richa, e alheio à disputa entre Serra e Aécio -, também nega qualquer conflito entre os dois líderes partidários: "A juventude tem batalhado muito pela unidade".

Acho que deu para notar, pelos meus grifos, que não vi nada de bom na notícia acima e não vi mesmo! É impressionante que o PSDB — outrora um grande partido — tenha se transformado num partideco de baixa categoria. Vá lá, ainda tem algum tamanho e influência, mas é um arremedo da sombra que fazia antes.

O partido se enveredou nessa disputa entre Serra e Aécio e ainda não percebeu que só fazem o jogo do PT e do PMDB. Ninguém ainda percebeu que se trata do clássico "dividir para conquistar"? A coisa já está ruim a partir do atual presidente do partido, que nem tem força para enfrentar os grupelhos que se formam aqui e ali. Olhem novamente para a matéria acima e vocês verão que existem "serristas", "aecistas", e pasmem!, "richistas" também. Ora, não há partido que resista a tantas divas; acabará queimado às cinzas nesta fogueira de vaidades.

O que o PSDB precisa é assumir seu papel — como bem ensinou o ex-presidente FHC — e este lugar é a DIREITA. Isso mesmo! Existe um imenso vazio na ala conservadora e o PSDB insiste em arrumar lugar na esquerda entulhada pelo PT e outros partidos da linha esquerdista. Deixem as esquerdas com eles. Tem mais: não se preocupem com o PMDB — ele se alinhará automaticamente com a proposta vencedora. Dito isto, o PSDB, Dem, PSD e, acho, o PPS, devem compor um projeto eleitoral, uma meta a ser perseguida, aliás, como fez o PT. O PSDB herdou o Poder a partir do sucesso do Plano Real do governo Itamar, então, nunca precisou fazer muita força para nada. Agora é diferente.

Definida a meta, selecionar os melhores quadros (pessoas) para o cargos eletivos. Vamos esquecer aqueles pré-requisitos idiotas como "ele é o mais competente", "ela é a melhor preparada" e que tais. Não é isso que ganha votos. Política não é a escolha de um CEO para uma empresa, não é a contratação do melhor funcionário para um cargo. Política é o convencimento do eleitorado. Para uma parte dele, de se ter a melhor proposta; para outra, de ser a melhor resposta; e assim vai. Então, em política ganha quem convence mais e melhor. Simples assim!

Com isso, quero dizer que não importa as qualificações técnicas de um Serra se um Aécio for capaz de arrumar mais votos. Escolher Serra para concorrer a uma eleição seria/é dar um tiro no pé. Como disse uma vez o Juca Chaves, "Tem todas as qualidades que desprezo e nenhum dos vícios que admiro." O eleitorado é mais ou menos assim; não votam olhando o currículo de ninguém, votam olhando sua estampa. Alguém aí se lembra da eleição do Collor? Pois é... Então, se o eleitorado quiser Aécio, dê Aécio a eles, porque se vocês derem Serra vão perder com Serra, novamente, pela terceira vez.

Grosso modo, não é preciso ser um "mauricinho", mas é preciso ter estampa. Também não precisa ser competente, basta falar bem e com desenvoltura. E mais importante: não precisa ser uma unanimidade (posto que são burras), apenas que tenha baixa rejeição. Tudo o mais que faltar ao candidato, os partidos que o apoi(ar)am certamente proverão, não necessariamente com pessoas, mas com boas indicações para os cargos certos. Isto é um projeto de Poder duradouro e vencedor.

Para terminar, a campanha de 2014 começa agora, na campanha de 2012. Se, por exemplo, o PSDB perder São Paulo, dificilmente poderá se lançar para a Presidência da República. Garantir a cidade de São Paulo é uma daquelas metas que falei há pouco. O estado já está com o partido, então manter a cidade é a meta imediata a ser cumprida. Serra é um bom nome, mas se ele não quiser, tem que ser o de um aliado forte, no caso Afif do PSD. Lamentavelmente, o PSDB paulista parece não ver as coisas assim ou simplesmente não vê.

First things first! Já é mais do que hora do PSDB se entender, nem que seja à custa de uns puxões de orelha e palmadas, ao menos enquanto a lei permitir. FHC está certo quando diz que tanto Lula quanto o PT podem ser batidos. Aécio e Serra também dizem a mesma coisa, só que eu creio que o eleitorado não acredita em Serra, afinal, já disse isso a ele três vezes. Será preciso desenhar? Vamos lá, cortem logo o baralho porque jogo é para ser jogado e a fila precisa andar.

Eis minha receita para uma campanha vitoriosa. De volta ao Poder, (re)fazer as coisas que o País precisa, como privatizações, investimentos em infraestrutura, educação e saúde; porque, até hoje, o PT ainda não desceu do palanque.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Moonwalking 2: "O espetáculo do crescimento"

O tempo passa, o tempo voa, e vai ficando cada vez mais claro que o tal "espetáculo" foi mesmo apesar e não por causa de Lula, de Dilma e do PT. Em outras palavras: eles nunca tiveram competência; tiveram sorte! Lembrando até o que dizia o Jabor, cada vez que se falava da herança-maldita-do-governo-anterior, ele retrucava: vocês receberam uma herança bendita! E foi mesmo! Receberam, usaram e jogaram fora; como se faz com um papel higiênico sujo de... de... de merda! O lulo-petismo foi uma merda para o País, um atraso. Foi, não! Foi e ainda é!

Crescimento do PIB brasileiro (Fonte: IBGE) — Clique para ampliar
"Nunca antes na história dessepaiz" retrocedemos tanto. Retrocedemos mais ainda porque poderíamos avançar muito e alternamos entre crescimentos pífios e crescimento nenhum. Sabe-se agora que o que avançamos foi mais por inércia, o crescimento latente herdado dos governos FHC, do que algo feito pela gestão Lula e, agora, pela gestão Dilma. Na chamada "Era Lula" nos especializamos em ser a rabeira: somos a rabeira dos BRIC (na minha opinião, CRIB); a rabeira da América do Sul e nos safamos da América Latina porque nela tem o Haiti. Reparem no gráfico acima: Lula, que não teve uma única crise em seu governo (FHC teve 4, que me lembre), teve desempenho inferior a Itamar (93-94) que enfrentou e venceu a inflação. FHC consolidou o Plano Real, apesar das crises internacionais já mencionadas. Entregou o País saneado e em marcha de crescimento. Lula pegou a onda em 2003 e surfou até 2010; passou a prancha para Dilma já na areia. E como tudo que sobe tem que descer, a marolinha que Lula desdenhou veio detonando nossos índices, então tão promissores. Viram a década de 70? Naquela época o Brasil era o que a China é hoje...

9 anos de governo "progressista" e o Brasil despenca morro abaixo.

Lamentavelmente, a única coisa que tem crescido, consistentemente, é a corrupção e ela é a maior causa dessa nossa vocação para o desastre. A corrupção não é uma exclusividade de governos petistas (ou de esquerda), claro que não; corrupção é como a gripe — universal e onipresente — existe em todo lugar, em todo governo, em toda coisa. Mas o leitor há de convir, nestes governos petistas, ela — a corrupção — foi elevada a um novo patamar. Digamos que usaram de muita expertise para tornar a corrupção uma "coisa" de governo. Foram além do mero profissionalismo (banditismo?); eles não se limitaram a profissionalizar a corrupção: eles a institucionalizaram. A corrupção foi elevada à categoria de INSTITUIÇÃO no Brasil. É... eu sei que soa terrível, mas não sou o único a dizer isso nem o primeiro.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Alvíssara

Quem faz jus ao prêmio é o Cláudio Humberto, onde peguei a pequena nota abaixo:

Livro aponta corrupção e espionagem tucanas

O livro A Privataria Tucana, do jornalista Amaury Ribeiro Jr., fartamente documentado, está à venda a partir desta sexta-feira em todo o País revelando fortunas tucanas em paraísos fiscais, após as privatizações do governo FHC, e a rede de espionagem montada pelo ex-governador de São Paulo José Serra contra seu adversário interno no PSDB, o também tucano Aécio Neves, que era governador de Minas Gerais.

Ah, como é bom uma notícia diferente para se comentar. Já estava ficando preocupado de só meter o pau nos governos Dilma e Lula, não necessariamente nesta ordem, mas é que eles realmente se esforçaram por aparecer. E é bom que se diga, desde já, que foram as mamatas ocorridas nas privatizações que levaram muitas pessoas — até então anti-petistas — a votar no Lula em 2002, fato a que chamei na época de "dar um corte no baralho".

Outro aviso: não sou, nem nunca fui, contra as privatizações. Já defendi meu ponto de vista até com o Helio Fernandes, crítico ferrenho da privatização da Vale do Rio Doce, à qual ele chama de "doação". Os fatos mostram que, mesmo doada, desfazer-se da Vale foi uma ótima coisa para o Brasil. E tem mais: pena que não privatizaram a Petrobrás (ou Petrossauro, como dizia o saudoso Roberto Campos). Mas voltando ao assunto, as negociatas que ocorreram paralelamente às privatizações mancharam a operação e deram ao Lula aqueles famosos 10 milhões de votos que sempre lhe faltavam nas eleições majoritárias. Realmente, a longo prazo corrupção não paga a pena, apesar de dar bom dinheiro de imediato. Agora, PSDB e caterva precisam se desdobrar para reverter o jogo. Pergunta-se: quanto eles já perderam (e ainda vão perder) com isso?

O que deu errado numa atitude correta foi a forma como as privatizações foram feitas. FHC e seu governo fizeram a privatização com cartas marcadas. Em nenhum momento o governo optou pela transparência do mercado. Se tivessem imitado o modelo de Lady Margaret Thatcher, nada disso aí estaria acontecendo. Lá, no Reino Unido, as privatizações foram feitas na Bolsa, isto é, os lotes de ações do controlador (o governo britânico) eram ofertados aos poucos para o mercado. Isso garantiu que não se transferisse a um grupo economicamente poderoso mais que as ações, ou o controle — Thatcher quis evitar que um monopólio ou oligopólio estatal se transmutasse num monopólio/oligopólio privado, potencialmente mais perigoso. Com ações micro-pulverizadas em Bolsa, o controle da empresa teria que se dar sempre por votação nas assembleias de acionistas, formação de grupos controladores e consenso — o board. Como esta é uma situação transitória, o board preserva os minoritários ao invés de esmagá-los, como aconteceu aqui.
O governo FHC foi guloso. Ele quis vender — junto com cada privatização — o controle acionário da estatal e o fez. Pensava-se obter maior ganho assim do que com as tradicionais operações em bolsa. No meu modesto entender, erraram grosseiramente. O fator especulativo multiplicador, de se tentar obter o controle, poderia fazer uma empresa como a Vale ou as grandes "Teles" renderem muito mais na venda; só levaria um pouco mais de tempo. A gulodice também teve outros efeitos colaterais — tráfico de influência — cujo resultado é o noticiado aí acima. Quando se vai vender uma empresa do porte de uma Vale, uma Telemig ou Telesp, muita grana precisa passar sob a mesa de negociações para azeitar os envelopes com as propostas. Deu no que deu...

Quanto ao affair Serra-Aécio, também narrado na nota, deixo para comentar depois. Isso ainda vai levantar muito pó (ouch!). Enquanto o livro ainda não chega aqui na minha cidade, fico de olho na mídia por mais buchichos. Essa história ainda vai render muitos artigos aqui.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Afinal, isso aí é um governo ou o BBB?

Este ano foi assim, um "paredão" após o outro, sete ao todo. E tem gente que acha isso normal. Eu não acho! Foi por conta desse pseudo reality show que não se fez nada no País desde que d. Dilma tomou posse. Nada, nadinha mesmo! Até o pouco que Lula fez, como aquelas obras eleitoreiras do PAC, encontram-se abandonadas e em estado de degradação — um mundo de dinheiro público jogado ao léu, e ninguém fala nada porque querem assistir ao próximo capítulo dessa telenovela de extremo mau gosto que se tornou o (des)governo Dilma.

Como um BBB, não tem graça. Quando muito é a exposição patética de pessoas insignificantes que se prestam a exibir para microfones e câmeras o que não exibiriam numa latrina de parada de caminhoneiros. E como no BBB, fazem por dinheiro — o nosso! Revoltante, mas tudo indica inevitável.

Não fosse suficiente, leio no Portal Terra que analistas dizem que nada disso atinge a presidenta. Ora, ou esses analistas são uns charlatães ou nós somos a república dos bananas, dos bocós, dos idiotas. Vejam, por exemplo, o que disseram na reportagem.

A percepção generalizada é a de que a "presidente age mais rápido contra os políticos corruptos do que seus antecessores, que ela é menos tolerante com as irregularidades"

Ora, a presidente é especialmente lenta ao reagir. Ela não sabe o que se passa dentro do seu governo e, quando sabe, é pela imprensa. E tem mais: onde se lê "antecessores" deve-se ler "antecessor" — somente o Lula foi mais condescendente para com a corrupção que a Dilma. Tanto FHC quanto Itamar Franco, especialmente o último, foram mais duros e responsáveis no trato com a coisa pública. Tem mais:

Ela "já ganhou confiança no cargo. Quando surge um escândalo deixa os ministros cair, e os substitui, seguindo um acordo com os partidos. Para ela, a prova de fogo não é a política, e sim a economia"

Minha leitura da afirmação acima é "ela é tão insegura no cargo que não tem força para demitir um ministro e os espera cair" — o que é a pura verdade — e os substitui por outros do mesmo partido. A conclusão: temos uma presidente fantoche, tíbia e bamba, numa permanente saia justa dos partidos da base aliada. Trocou ministros — é verdade — mas quando o fez foi como trocar seis por meia dúzia; tudo como dantes...

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

A Untada*

Só pode ser matéria paga ou o pessoal da New Yorker anda muito mal informado. Leiam a matéria que saiu na Exame Online — grifos meus.

Revista 'The New Yorker' publica artigo sobre Dilma
A matéria contará a história da presidente, com foco na trajetória econômica-social do País e terá o título "The Anointed", ou seja, "A Ungida", em tradução literal


Na avaliação da publicação, o Brasil tem um "orçamento equilibrado",
"dívida pública baixa", "quase pleno emprego" e "baixa inflação"

São Paulo - A revista norte-americana "The New Yorker" divulgou hoje uma prévia de um artigo sobre a presidente Dilma Rousseff que será publicado em sua edição de dezembro. A matéria contará a história da presidente, com foco na trajetória econômica-social do País e terá o título "The Anointed", ou seja, "A Ungida", em tradução literal.

A prévia do artigo ressalta que, até recentemente, o Brasil poderia ser avaliado como uma nação iletrada1 e economicamente instável. O texto destaca, contudo, que a economia brasileira está crescendo mais do que a economia americana e lembra que, na última década, vinte e oito milhões de brasileiros deixaram o nível da pobreza2.

Na avaliação da publicação, o Brasil tem um "orçamento equilibrado", "dívida pública baixa", "quase pleno emprego" e "baixa inflação"3. A publicação afirma também que a taxa de criminalidade é alta e recorda os problemas em infraestrutura, em estradas e portos.

O texto destaca ainda que o governo brasileiro é mais invasivo que o governo norte-americano e relembra os escândalos de corrupção na atual gestão. O artigo ressalta que ninguém acredita que a presidente está envolvida nas denúncias de corrupção, mas lembra que ela trabalhou por anos, durante o governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com algumas das pessoas que demitiu4. A matéria completa sobre a presidente Dilma relatará, segundo o texto prévio, a trajetória política da presidente Dilma Rousseff, inclusive o seu passado na luta armada.

É muita baboseira junta misturada com uma ou outra verdade. Aliás, todo mundo sabe que a grande mídia adoça a fala conforme o jabá que engole. Fosse um pasquim conservador de Iowa e eu daria mais crédito. Mas vamos lá, comento meus grifos.

  1. Poderia, não! O Brasil é uma nação iletrada e tem até certificado oficial da ONU, o IDH. Se quiser saber mais, leia "IDH na era Lula" e o parágrafo final de "O Paraguai é a nossa China, mas estamos longe de ser os EUA".

  2. Quanto aos 28 milhões que saíram da pobreza para o consumo (eita! palavra mágica), não é uma inverdade, apenas resultado pífio. No governo Médici, no início dos anos 70, mais de 35 milhões deram este salto. Vejamos, naquela época o Brasil tinha 90 milhões de habitantes, então o governo retirou 39% da população da pobreza e o fez com emprego e distribuição de renda de fato.
    Já o governo petista-ufanista — à custa de bolsas-esmolas e assistencialismo explícito —, isto é, dinheiros do Erário Público (nosso dinheiro!), remediou 14,6% da população. Como um programa de compra de votos, um sucesso; como um programa de inclusão social, um reles fracasso.

  3. Orçamento equilibrado, dívida pública baixa, quase pleno emprego e baixa inflação — só pode ser gozação! O orçamento é tão bagunçado que o governo precisa criar novos impostos para fechar a conta. Não fosse a DRU, já estaria no vinagre faz tempo. Dívida baixa? Só a nossa dívida interna se aproxima dos 2 trilhões de reais, aquela que paga juros "módicos" de 11,5% a.a. Quanto ao pleno emprego, só se Lula tivesse cumprido sua promessa de campanha, tanto a do primeiro mandato quanto a do segundo; ficou devendo uns 14 milhões de postos de trabalho para nós, mas inchou a máquina pública com alguns milhares de sinecuras para eles. Finalmente, a inflação, dominada no Governo Itamar e FHC, vem subindo e ganhando velocidade ultimamente. Prodigalidade e PT, tudo a ver.

  4. E para terminar, porque isso já está ficando chato, só um idiota completo acredita que num regime presidencialista o presidente não sabe o que se passa a sua volta. Pô! New Yorker, vocês estadunidenses inventaram o presidencialismo, querem que nós acreditemos nisso? Se o seu editor se chama Lewis Carrol eu aviso: a presidANTA se chama Dilma, não Alice; o Coelho Branco é o Zé Dirceu disfarçado e o Chapeleiro Louco é o louco do Lula, que raspou o cabelo e a barba enquanto trata da saúde.

  5. Ah! quase me esqueço. O Houaiss explica:
    Untada
    n adjetivo
    1. que se untou; que sofreu untadura
    2. suja de gordura; besuntada, gordurenta
     

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

A sensação do dever cumprido

Ao apagar das luzes do seu primeiro ano de governo, Dilma sente a sensação do dever cumprido.

Agora Dilma, senta e balança.
Nunca antes na história desse País — royalties para Lula, o criador da criatura —, um governo realizou tão pouco (melhor, NADA!) em tão longo tempo. Uma nulidade absoluta seria um tantinho maior.

Não! Eu minto! Produziu uma miríade de escândalos de corrupção, todos ligados diretamente ao seu (?) Ministério, quase todos relacionados a desvios de verbas para capitalização indireta dos partidos da base aliada.

Espera-se agora pela reforma ministerial... Entretanto, como imaginar que uma pessoa que não soube fazer seu Ministério — parte foi herdada do governo anterior (herança maldita?), parte foi moeda de troca pelo "apoio" dos partidos da base aliada —, vá saber como fazer ajustes. Vocês confiariam a reforma de suas casas ao pedreiro responsável por ela ter caído por sobre suas cabeças?

Eu me atrevo a dar uma sugestão: extinção da maioria deles. Ressalvados aqueles que realmente têm importância (em ordem alfabética) — Agricultura & Reforma Agrária; Defesa; Educação & Cultura; Fazenda; Interior; Minas & Energia; Planejamento; Relações Exteriores; Saúde; Trabalho, Indústria & Comércio. Pronto! Dez ministérios são mais que suficientes e é tudo que o País precisa. FHC começou com essa bobagem de criar muitas Pastas para contentar sua base e encher aquela enorme mesa de reuniões — um pavão em meio a perdizes.

Deu no que deu! Depois de Lula, e agora com Dilma, já batemos na porta do ministério 40; se Lula voltar, chegaremos ao ministério 51. Imaginem como seria a reunião ministerial — uma Babel. Dilma e Lula nunca presidiram nada, brincaram de "Seu Mestre Mandou" no Planalto com nosso dinheiro.

Até quando, Brasil?

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

O Paraguai é a nossa China, mas estamos longe de ser os EUA

Na década de 70 os Estados Unidos da América iniciaram sua aproximação com a China comunista (ou continental). Até então eles só mantinham relações com a ilha de Taiwan (Formosa). Eu me lembro muito bem que um frisson correu o mundo naqueles dias em que Henry Kissinger visitou o país.

País extremamente fechado, populoso e cheio de problemas, a China daquela época não guarda o menor resquício com a de hoje, a segunda potência econômica mundial. E tudo começou com a visita do Mr. Kissinger. Daquele tempo até os dias de hoje, empresas dos Estados Unidos da América e de todo o resto do mundo, se transferiram para lá e pelos mesmos motivos: menor custo de produção. Já que — grosso modo — lucro é a diferença entre o preço de venda menos custos de produção; que é o mercado que fixa o preço de venda; sobram os custos como única variável passível de controle pelos produtores — não há como negar o óbvio.

Hoje, fico sabendo que outro país resolveu tomar o caminho da China e é um dos nossos vizinhos. Empresas, produtores rurais, micro e pequenos empresários estão descobrindo o Paraguai. É, ele mesmo, e pelos mesmos motivos que há algumas décadas muitos se mudaram para a Ásia. Escutem essa entrevista da CBN com o Presidente do Centro Empresarial Brasil-Paraguai. É um pouco longa (18 min.) mas vale a pena. Volto depois.


Ouviram bem?! Carga tributária, encargos sobre folha, produtividade, reinvestimento de capital, desoneração da produção, desburocratização, baixo número de impostos, etc. Ops! quase me esqueço: baixo custo de energia elétrica, certamente aquela mesma produzida em Itaipu (metade dela é do Paraguai) e que nós compramos do parceiro por “módicos” US$ 120 milhões/ano. Compramos, não! Comprávamos. Desde o mês de Maio passado nós pagamos o triplo — US$ 360 milhões/ano — pela mesma energia, presente de Dilma e Lula aos nossos vizinhos, afinal, eles nunca foram muito de respeitar acordos internacionais.

O Paraguai está se tornando o sonho de todo empresário brasileiro: primeiro, perder aquele maldito sócio — o Governo — que nunca ajuda, atrapalha muito e custa uma fortuna. Depois, condições favoráveis para a produção, especialmente em negócios com uso de mão de obra intensiva, com baixa oneração da folha, legislação simplificada, ampla possibilidade de reinvestimento do lucro e por aí vai. O Paraguai faz sua inclusão social com capital e trabalho ao invés de distribuir bolsas.

Voltando um pouco no tempo, quando Lula prometeu criar 10 milhões de postos de trabalho em seu primeiro mandato e não criou nem 6 milhões nos oito anos em que passou no Poder, fico imaginando se ele não se referia ao Paraguai... Vejamos: na entrevista acima foi dito que uma empresa que se instalou por lá há dois anos, começou com um quadro de 90 empregados. Hoje, ela já está com 700 (passados apenas dois anos), e investiu US$ 10 milhões para contratação de mais 2.500 para breve. Em ordem de grandeza, um crescimento de 678% em dois anos e planos de crescimento de mais 357%. Outra, do ramo de confecções, começou com 14 funcionários, já está com 124 e pretende chegar a 324 em breve. Em percentuais, isso dá +786% e +161%, desempenho invejável. Nunca ouvi algo assim ser noticiado no Brasil, talvez porque o governo local faça de tudo para desestimular o investimento e o negócio produtivo.
O grande empregador no Brasil é o próprio governo. Nos oito anos do governo Lula, ingressaram na administração pública 155.534 servidores, contra 51.613 no período do governo FHC. E tem mais: aqueles apaniguados que não conseguiram sua sinecura, logo, logo encontram uma ONG de onde fazem a sangria. O Estado virou um fim em si mesmo: não trabalha, custa muito, consome tudo o que arrecada e, guloso como só ele, ainda reclama que está pouco. E a choldra vil e ignara — aquela que dá a Lula os tais +80% de aprovação — ainda acha que não paga impostos. Se você quiser saber mais sobre a "evolução" do funcionalismo público, consulte o comunicado do IPEA aí ao lado.

Paraguai, China, EUA, todos parecem estar cumprindo o seu papel, menos nós. Os Estados Unidos da América transferiram postos de trabalho para a China mas mantiveram o controle sobre a produção de tecnologia de ponta. Assim, investem maciçamente em P&D — Pesquisa e Desenvolvimento —, têm as melhores escolas do mundo e formam os melhores profissionais. A consequência disso: são a economia dominante, muitas vezes maior que aquela que lhe segue. Conhecimento, estudo e qualificação profissional são palavras-chave para quem quer crescer. Assim como os EUA, rezam nessa mesma cartilha a Europa, o Japão e os Tigres Asiáticos. A China também investe enormemente no setor — suas universidades (pagas!, não gratuitas) já figuram no topo da lista onde a nossa melhor — a USP — se encontra em 169º lugar (depois de subir 84 posições, que vergonha!). Não vai demorar para também ela passar a exportar postos de trabalho — talvez até para aqui — porque Educação nunca foi nossa prioridade, vai sempre de mau a pior, e foi a grande responsável pela nossa péssima colocação no IDH.

E dizem que o Lula ficou chateado, reclamou da metodologia. Com ele é assim: se a criança tem febre, quebra o termômetro quando não joga a criança pela janela com a água do banho. Tem mais! Ele agora quer Haddad — seu ministreco da educação — prefeito de São Paulo!

Lula, vá te catar!

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Moonwalking 1 - IDH na Era Lula

Eu espero que vocês tenham aproveitado o feriado de ontem. Comigo, como acontece quase sempre, dia de feriado é dia de trabalho dobrado, boa parte dedicada à pesquisa de temas para este blog.
N.B. a partir deste artigo deixarei de grafar em itálico certos termos como blog, site, link e outros, por julgar que os mesmos já foram incorporados ao idioma corrente.
A pesquisa de temas ficou muito facilitada pelo uso da Internet — o material é farto e de fácil obtenção — entretanto, há muito mais trabalho envolvido como "fatiar" trechos de programas de rádio ou de vídeo e selecionar textos. Dá um certo trabalho, toma boa parte do meu tempo, mas o final é um artigo do qual se pode obter mais proveito. É bom deixar claro que não faço qualquer edição no material, isto é, nenhuma além de recortar a parte sobre a qual pretendo discorrer.

Hoje eu quero lançar uma nova série de artigos sob o título Moonwalking. O nome foi tirado de moonwalk, o passo de dança celebrizado por Michael Jackson, aquele que dá a impressão de se andar para a frente quando, na realidade, se move para trás. Assim — e sob esse título —, eu pretendo desmascarar certos "movimentos à frente" que na realidade foram (ou estão se revelando) retrocessos. Para esta série não pretendo me ater a nenhuma ordem que seja: se andou para trás quando devia ir à frente, cai no Moonwalking. Hoje falaremos sobre a divulgação do último IDH e começamos com um trecho de áudio veiculado pela CBN.


Uma rápida pesquisa no site do PNUD — Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, descobri alguns números interessantes:
  1. Em 2002, último ano do governo FHC, o Brasil ostentava a 73ª posição no ranking, com um IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) de 0,757. Apesar de listado entre os "melhores" depois da mudança na metodologia de cálculo, ainda era muita distância para o 1º lugar — a Noruega. Até a mudança o Brasil ocupava o grupo dos IDHs medianos.
  2. Ao final do primeiro mandato de Lula, o Brasil aparece na 69ª posição no ranking do IDH 2006. É preciso explicar que, apesar da mudança de metodologia, posição é posição. Comparativamente a FHC, Lula melhorou (apenas) quatro posições, pouco para quem não teve crises e outros percalços, só vento a favor.
  3. Finalmente, findo os oito anos de governo "progressista", eis que o Brasil se mostra na 85ª posição, 12 posições abaixo do patamar de 2002 e 16 do de 2006!
  4. O IDH 2011, divulgado há pouco, põe o Brasil na 84ª posição, minúscula melhora em relação ao ano anterior. De nada adiantaram os bilhões gastos pelos programas assistencialistas do governo, nem a explosão do consumo alimentada pelo crédito fácil, nada: a montanha pariu um rato. Nesse "ganho" de um ponto, é mais fácil acreditar que alguém caiu do que acreditar que o Brasil subiu.
A despeito de toda a popularidade de Lula e dos altos brados com que é ovacionado nos palanques, o IDH mostra bem o que foi produzido nesses mais de oito anos: um moonwalking — andamos para trás a despeito do imenso gasto de tempo, energia e recursos. Dói, não?

Diz a reportagem que "a desigualdade entre ricos e pobres foi o fator preponderante para a queda, a despeito dos programas de redistribuição de renda". Mas isso só mostra que os tais "programas assistencialistas" desses governos só queimam recursos e rendem votos — não resolvem em nada a situação. Emprego e oportunidades de negócios (microempresas, financiamento para agronegócio, etc.) dariam as condições reais para o crescimento da renda e inserção dos mais pobres no economia formal. Nada foi feito nessa seara. Não existe crescimento fora do Capitalismo — só retórica.

Fosse mesmo Progressista (uso pê maiúsculo e dispenso as aspas), estes governos criariam os 20 milhões de empregos (10 para cada mandato) — promessa de campanha —, desonerando a produção, cortando o custeio da máquina pública e incentivando a pesquisa e o desenvolvimento. A melhor das estimativas fala de uns 6 milhões nos oito anos — resultado pífio. Para o campo, sua única contribuição foi o MST, com invasões de terras produtivas, prédios públicos e privados, além da destruição de patrimônio alheio.

E como puderam notar na reportagem da CBN, a Educação (ah! Haddad, seu passado, presente e futuro o condenam) foi um dos itens que mais nos puxou para baixo. Ironicamente, o que impediu nosso IDH de despencar para níveis africanos foi a teimosia do brasileiro que insiste em viver mais — teima em não morrer —, até porque há contas e mais contas a pagar. O brasileiro é teimoso (como um burro) e não desiste nunca!

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

A boçalidade institucionalizada

A manchete do Estadão não me deixa mentir. Está lá, para quem quiser ver e ler:
Assalariados pagam mais IR que os bancos
Trabalhadores garantem 9,9% da arrecadação federal, mais que o dobro dos 4,1% pagos pelas instituições financeiras, aponta estudo


As distorções tributárias do País prejudicam a classe média, que contribui com mais impostos do que os bancos. Análise feita pelo Sindicato Nacional de Auditores Fiscais da Receita Federal (Sindifisco), e confirmada por especialistas, indica que os trabalhadores pagaram o equivalente a 9,9% da arrecadação federal somente com o recolhimento de Imposto de Renda ao longo de um ano. As entidades financeiras arcaram com menos da metade disso (4,1%), com o pagamento de quatro tributos.

"Os dados mostram a opção equivocada do governo brasileiro de tributar a renda em vez da riqueza e do patrimônio", avalia João Eloi Olenike, presidente do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT). A face mais nítida desta escolha, segundo o especialista, é a retenção de imposto de renda na fonte, ou seja, no salário do trabalhador.

"São poucos os países que, como o Brasil, não deixam as empresas e as pessoas formarem riqueza," afirmou. "Todos os tributaristas entendem que não está correto, era preciso tributar quem tem mais."

O Sindifisco analisou a arrecadação de impostos federais no período de setembro de 2010 a agosto deste ano. Neste período, as pessoas físicas pagaram um total de R$ 87,6 bilhões em Imposto de Renda, incluídos os valores retidos na fonte como rendimentos do trabalho.

No mesmo período, o sistema financeiro gastou apenas R$ 36,3 bilhões com o pagamento de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), contribuição para o PIS/Pasep, Cofins e Imposto de Renda.

Procuradas, a Federação Brasileira dos Bancos (Febraban) e a Confederação Nacional das Instituições Financeiras (CNF) não se pronunciaram.

Motivo. Especialistas se dividem sobre as razões para a manutenção do que chamam de distorção tributária. Segundo o advogado tributarista Robson Maia, doutor pela PUC de São Paulo e professor do Instituto Brasileiro de Estudos Tributários, o Brasil precisa cobrar tributos equivalentes aos de outros países, para não perder investimentos.

Na avaliação de Olenike, do IBPT, a estrutura tributária tem relação com o poder de influência de bancos e instituições financeiras. "Se fosse em qualquer outro país, o governo já tinha caído, mas nós não temos essa vocação no Brasil, o povo é muito dócil e permite que o governo faça o que quer."

No seu estudo sobre benefícios fiscais ao capital, o Sindifisco defende mudanças na legislação para reduzir as distorções e permitir menor pagamento de imposto por trabalhadores e maior cobrança de grandes empresas e entidades financeiras. "Não basta o Estado bater recordes de arrecadação de Imposto sobre a Renda, pois quem sustenta essa estatística é a fatigada classe média."

Meu pitaco:

Eu entendi quase tudo, menos as afirmações do Sindifisco e a manchete do jornal. Então, nós pagamos mais impostos que os bancos? E daí, cara-pálida? Isto é o óbvio! Parece que esse pessoal não é sério ou simplesmente não sabem a lição de casa. E tem mais: um jornal como o Estadão devia ter um pouco de cuidado em dar espaço para certos boçais de sindicatos e por sandices como manchetes. Vou tentar explicar:

Em qualquer lugar do mundo, quem paga impostos é a pessoa física, direta ou indiretamente. Tribute aos bancos ou qualquer outra pessoa jurídica e eles repassarão seu custo tributário nas suas tarifas e produtos. Sejam elas pessoas jurídicas ou mesmo liberais autônomos, impostos são parte do custo operacional, consequentemente, são formadores dos preços de produtos ou serviços. Ponto.

Então, não adianta fazer marola para se passar por inteligente porque tudo o que conseguem é mostrar o tamanho da sua ignorância. O problema real não é o tributo em si, é o uso que fazem dele. A carga tributária no Brasil é similar à da Bélgica — consequentemente uma das maiores do mundo —, mas nem preciso explicar a diferença entre a aplicação dos recursos tributários de lá e daqui. O problema também não é tributar a renda — como salientou o Sr. Olenike do IBPT — já que riqueza e renda têm a mesma origem. Riqueza é o que sobra da renda deduzidos os custos, mas aí o Olenike quer que você, pessoa física, faça uma contabilidade por lucro real antes de pagar imposto. Bullshit!

Para nós mortais, o mais simples e barato é tributar a enda mesmo (o nome técnico deveria ser provento), que deve ser mesmo tributada, afinal, é nossa quota-parte para o bem comum do País. Mas vamos explorar isso um pouco mais. Existem tributos e as formas de tributar; o Brasil é excessivo no primeiro quesito e extremamente violento no segundo. Disse há pouco que o IR é justo mas o famigerado imposto de renda retido na fonte, por exemplo, é uma violência. A Receita Federal tunga-nos o que ela estipulou como sendo sua quota-parte, antes mesmo que você! Eles não querem saber se você, por exemplo, está doente e precise de todo o seu salário. Não!, você que arrume um empréstimo, entre no cheque especial ou fique sem médicos e remédios. Perceberam a violência? São assaltantes, ladrões mesmo!, o governo e esse pessoal do Sindifisco que quer se passar por bonzinho e satanizar os bancos. Aliás, tem um trecho de discurso do Bento XVI num outro artigo meu que cai como uma luva para esse pessoal aí. (German, Euler. "A justiça se espinha", Faxina Política, Out/2011 <http://faxinapolitica.blogspot.com/2011/10/justica-se-espinha.html>)

E não pensem que é só com os trabalhadores não; é assim também com as empresas. Todo empresário sabe, tão logo decida iniciar um negócio, que ele terá um sócio: o governo. Este sócio não trará nada para o negócio; um único centavo que seja, um segundo de mão-de-obra; nada! Mas ele aparecerá antes mesmo de você abrir as portas e de mão sempre estendida como um gigolô, cobrará o quinhão que ele acha ser devido. Essas mãos se esfregam no Sindifisco.

Resumindo, não vejo "distorção" alguma. O governo nos esbulha a todos, pessoas e empresas, igualmente. Como disse uma vez Roberto Campos, "o governo é o gigolô oficial de todos nós", então o Sindifisco devia medir suas palavras, ou melhor, suas mãos.

Comecei a escrever este artigo na semana passada mas uma série de pequenos contratempos me impediram de publicá-lo a tempo. Tanto melhor. Descobri que não sou o único nessa linha de pensamento. Repasso para vocês a coluna do Mauro Halfeld do dia 17 passado. Ouçam com atenção o que diz o professor sobre "bancos" (é bem no início):


...e pensar que esse "PROER" foi das coisas mais combatidas, execradas e vilipendiadas pelo lulo-petismo. Pois bem, nós já sabemos o que o PT faz bem: escândalos, desvios, maracutaias e gatunagens variadas estão sempre na ordem do dia.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Existem três tipos de mentiras...

Diz um dito popular e universal que são três as modalidades de mentiras: mentiras, mentiras cabeludas e estatísticas (lies, damned lies, and statistics). Eu concordo!

Não faz tanto tempo assim, vendo um gráfico apresentado num programa da GloboNews pela jornalista Míriam Leitão, a frase sobre mentiras me veio à cabeça imediatamente.Não, eu não estou dizendo que a Míriam estava mentindo, longe disso, mas o gráfico apresentado dava margem para outra interpretação além da exposta. Vou mostrar um pequeno trecho do programa "Espaço Aberto Míriam Leitão - 15 + 15", cuja íntegra pode ser vista aqui. No excerto, mantive um comentário do André Lara Resende a título de preâmbulo e paro logo após o comentário do José Pastore sobre o gráfico. Se você não viu, vale a pena ver todo o programa, senão, assista ao trecho abaixo.


Ricardo Paes Barros, o autor do gráfico apresentado, é pesquisador do IPEA e tabula dados sobre a pobreza no Brasil desde longa data. Dados estatísticos, via de regra, são apenas números — nada é tão impessoal —, cabe a nós tentar entender o que há por trás deles.

Notem no vídeo como o André ressalta, repetidas vezes, que o combate das causas da inflação e do descontrole fiscal foi o que permitiu o crescimento do País e a consequente redução da pobreza. Notem, no gráfico, que até 1992 a pobreza cresce. A primeira redução drástica dá-se em 1993, pós Plano Real e no governo Itamar, continuando a cair até o primeiro ano do governo FHC, quando o índice se estabiliza até o ano de 2003, primeiro ano do governo Lula. A partir de 2004 e até 2009 (anos Lula) o índice decresce acentuadamente. A linha de "pobreza extrema", quase uma reta, mostra um declínio também a partir de 2004. À primeira vista, é Lula quem consegue reduzir a pobreza com seus programas de distribuição de renda (e.g. Fome Zero e Bolsa Família). Na minha imodesta opinião, uma meia-verdade ou meia-mentira, como queiram.

O Plano Real, obra dos governos Itamar/FHC, foi quem permitiu a Lula obter aqueles ganhos. Na verdade, os ganhos tornaram-se visíveis em seu governo, mas são frutos dos governos anteriores. Oportunisticamente, Lula se apropriou do sucesso alheio e ainda contou com o beneplácito dos partidos de oposição ao seu governo — PSDB e DEM — que não só não o desmentiram como se calaram. O sociólogo José Pastore mostra que foi a oferta de emprego, mais que os programas assistencialistas-populistas — Fome Zero e Bolsa Família —, este último uma corruptela do programa Bolsa Escola de FHC, a responsável pela queda da pobreza. Derrota da inflação, privatizações e responsabilidade fiscal (para citar os mais importantes) foram as molas-mestras para a formação dessa onda. Lula, como bom surfista, pegou-a na hora certa e ficou bem na foto. Para a onda, em nada contribuiu. Aliás, tenho dúvidas que ele saiba como ondas são formadas.

Fato não mencionado no trecho do programa acima é a razão da queda da pobreza no governo Lula, esta ainda mais acentuada que aquela do Plano Real. Fosse ela fruto de um "programa de governo", a curva de pobreza absoluta também sofreria um declínio, o que não ocorreu. Minha melhor explicação para o fato foi o aumento da oferta de crédito — fenômeno chamado de "Nova Classe Média" — nada mais que o endividamento das classes C, D e E. O nível do endividamento social atual é da ordem de 65% e já se noticia o aumento da inadimplência. A bolha da nova classe média começa a estourar. Resumindo, o que o gráfico mostrou foi o aumento da riqueza lastreado no endividamento financeiro, isto é, o IBGE mediu a posse, não a propriedade dos bens; mediu uma falsa riqueza. Mais para o final do governo Lula, o Bolsa Família mostrou outros resultados além do da compra de votos — a pobreza absoluta declina com vigor. Palmas. Entretanto, se aquela população não buscar e/ou obtiver emprego, logo voltará aos patamares anteriores ou mesmo a um pior.

Fica aqui a lição: números e gráficos, irrefutáveis como todo fato, devem ser tomados no seu contexto; no papel ou informação aos quais destinam. Sós e desacompanhados, sem uma explicação da sua finalidade, induzem o (e)leitor a erro, turvam-lhe a visão e desvirtuam seu julgamento. Ainda bem que tanto o André quanto o Pastore corrigiram Míriam — não havia quase nada de Lula naquele gráfico, quanto muito um terço.