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sábado, 7 de julho de 2012

O títere

Não sei o que viram nele, mas nunca me inspirou confiança. O olhar permanentemente enevoado e os modos rasteiros inspiram cuidados. Kassab é assim: extremamente discreto — dificilmente olha o interlocutor nos olhos — vende seu peixe a quem pagar mais. Oriundo de um partido quase morto — o DEM, ex-PFL — controla hoje o PSD, um dos maiores partidos do Brasil, especialmente agora que o TSE "reconheceu" que o tempo no horário político gratuito e participação no Fundo Partidário "pertence" ao político eleito e não aos partidos, contrariando uma decisão anterior do próprio TSE. Digamos que o TSE é episódico, senão conveniente ou conivente. O TSE, bem... o TSE é uma vergonha mas isso é assunto para outro dia.

Cevado pelas benesses dos apoios celebrados, Kassab não se importa em pisar num ou noutro calo. Repasso abaixo uma matéria do Estadão, onde Roberto Brant, uma das pessoas mais sérias da política mineira, resolveu abandonar o barco de Kassab ao primeiro sinal de mau cheiro, até porque onde há mau cheiro há sujeira. Grifos meus.

Brant deixa PSD após intervenção de Kassab em BH

CHRISTIANE SAMARCO - Agência Estado

A intervenção do prefeito de São Paulo e presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, em favor do PT na eleição de Belo Horizonte, produziu a primeira baixa no partido recém-legalizado. Inconformado com "o ato truculento" tramado no gabinete da presidente Dilma Rousseff para desmontar a aliança com o PSB do prefeito Márcio Lacerda, o vice-presidente nacional do PSD, Roberto Brant, abandonou o posto na direção partidária nesta sexta e anunciou sua desfiliação da legenda.

"Como é que o prefeito de São Paulo desembarca em Belo Horizonte para interferir na política mineira?", questionou o ex-deputado e ex-ministro do governo Fernando Henrique Cardoso que ajudou Kassab a montar o PSD em Minas Gerais. "Dizem que ele o fez para pagar , mas fiquei magoado e ferido como mineiro e dirigente do PSD porque não fui ouvido e BH não é moeda de troca para isto", protestou.

Brant entende que a tese da nacionalização da eleição em Belo Horizonte, não justifica "de jeito nenhum" a intervenção, até porque Kassab está praticando a política do "faça o que eu mando e não faça o que eu faço". Afinal, destaca, em SP Kassab apoiou Serra, "que faz o discurso mais oposicionista do Brasil". Ele diz que, entre a presidente Dilma e o senador Aécio Neves (PSDB-MG), não saberia em quem votar se a sucessão presidencial fosse hoje. "Não tenho restrição à Dilma", completa.

Brant afirma que o PSD foi constituído em reação ao autoritarismo dos partidos brasileiros, que em grande parte funcionam com comissões provisórias que são implodidas pela direção nacional sempre que há conflitos. No caso do jovem PSD, prossegue Brant, bastou um ano de existência e o primeiro embate, "e o partido implodiu".

O dirigente do PSD lembra que o PFL e o DEM mantinham a tradição de reuniões semanais da executiva nacional, com ou sem pauta de discussão. E reclama de que o novo partido jamais reuniu seus dirigentes. "Nascemos da crítica da falta de democracia no sistema partidário, mas o PSD se transformou rapidamente no mais antidemocrático, autoritário e personalista dos partidos relevantes no quadro nacional".

Ele reconhece em Kassab um político habilidoso que acumula vitórias, mas pondera: "Por mais talentoso e competente que o prefeito seja, ele é muito menos do que o necessário para se formar um partido que sirva à democracia brasileira. Kassab feriu profundamente as tradições e o sentimento de Minas e está contrariando os compromissos que ele mesmo firmou, com o exercício do poder pessoal levado ao extremo".

Questionado sobre a decisão radical de sair da vice-presidência nacional do PSD e se desfiliar sem sequer comunicar ao prefeito, Brant diz que poderia sair em silêncio, mas decidiu protestar e não tinha outra forma de fazê-lo. Ele entende que uma pessoa sozinha não pode governar um partido de 56 deputados e dois governadores, mas diz que não há como mudar esta realidade.

É inequívoca a manobra do PT para enfraquecer o pré-candidato Aécio. Todos sabem que a campanha presidencial de 2014 já se iniciou e que o primeiro movimento são essas eleições municipais.

Aécio está fazendo um grande esforço para ser o "nome das oposições". Ele até tem esforçado primeiro em remover obstáculos — Serra o maior deles — e parece ter conseguido. A fraqueza de quadros no PSDB paulista praticamente obrigou Serra a caminhar para o "cadafalso" da candidatura municipal inviabilizando uma quase certa pré-candidatura presidencial para 2014. Com o PSDB acuado em São Paulo e Minas, não se pode abrir mão de uma prefeitura como a da cidade de São Paulo, o que foi bastante conveniente para as pretensões do senador Aécio.

Isto não passou despercebido a Serra e a seus apoiadores — Kassab o maior deles — que podem ter resolvido jogar outras pedras no aparentemente "caminho das flores" de Aécio. Para ele, manter o governo de Minas e o da cidade de Belo Horizonte é fundamental. Além disso, aumentar sua penetração no Nordeste, notório reduto petista, daí a necessidade do apoio de Campos, Cid e Ciro Gomes. Assim, a manobra pode ter sido mais que um simples resgate de "débitos políticos atrasados com o PT", como apontou Brant, mas também uma provocação a Aécio.

Minar o processo político para a prefeitura de Belo Horizonte pode ter sido uma manobra pouco inteligente do "hábil" Kassab, que posa de cisne mas já se mostra mesmo como corvo e títere do PT.

sábado, 26 de maio de 2012

Da coxia


Vocês verão no texto a seguir que a informação que repasso a vocês é "velha", isto é, já se transcorreu um bom tempo desde que foi escrita. Ainda assim, não deixa de ser interessante lê-la e constatar que há fogo de onde sai a fumaça. Tomei a liberdade de grifar algumas partes.

Depois eu comento.

Até quando?

Será que vamos chegar ao fundo do poço?

Sábado fui ao aniversário de 50 anos do Chico Otávio, repórter do Globo. Lá estavam, entre outros, o Rubens Valente, da Folha, outros “jornalistas investigativos”. Estava também o Wagner Montes, cuja assessora de imprensa na Alerj é amiga do Chico. Soube de informações interessantes:

  1. Coisas mais graves do que as apuradas pela operação Monte Carlo (da PF, criada para investigar Demóstenes e Cachoeira) foram apuradas na operação Las Vegas, que trata de ligações do Cachoeira com a cúpula do Judiciário. Haveria material incriminando (em maior ou menor grau) nove ministros do STJ e quatro do STF. Só que o STF requisitou toda a documentação a respeito, determinando que a PF não ficasse com cópia, e sentou-se em cima da papelada. Isso era sabido não só pelo Chico Otávio (Globo) e pelo Rubens (Folha), mas (pasmem!) pelo Wagner Montes.
  2. Como a área de atuação de Cachoeira é perto de Brasília e ele tem desenvoltura e poder de articulação, ele atua como representante de um pool nacional de contraventores que exploram bingos, caça-níqueis, videopôquer e afins. Não fala só por ele. Daí sua desenvoltura (e seu dinheiro).
  3. Cachoeira é um arquivista compulsivo. Tem gravações telefônicas e em vídeo que comprometem todos os grandes partidos e inclusive gente graúda do governo federal. Tem um vídeo em que dá R$ 1,5 milhão a uma alta figura ligada à campanha da Dilma. O Globo e a Folha tem a informação, mas não sabem quem recebeu o dinheiro. E não têm provas.
  4. O contador de Cachoeira, cuja foto está nos jornais, está em Miami, com cópia de tudo o que ele tem gravado. Se algo acontecer com o patrão, vem tudo à tona.
  5. Cachoeira está chantageando o governo federal. Diz que não vai aceitar a prisão. Diante disso, o PT está pagando os honorários de Márcio Tomaz Bastos (R$ 16 milhões), que o defende e vai de jatinho à penitenciária de segurança máxima de Mossoró, onde Cachoeira está preso.(*) Folha e Globo têm a informação de que é o PT quem paga Márcio, mas não a publicam por falta de provas.

    (*)N.B. Cachoeira foi transferido para o Presídio da Papuda, no Distrito Federal, em 18 de Abril deste ano.


     
  6. Todo mundo está com medo de investigações sobre a Delta. Parece que ela – que contratou Dirceu como “consultor”, o que ele não nega – tem tido uma atuação muito mais agressiva do que as demais empreiteiras e cresceu de forma vertiginosa. Tem “negócios” com PT, PMDB, DEM, PSDB...
  7. Ninguém entendia muito bem porque Lula teria dado força à criação da CPI. Detonar Marconi Perillo parecia pouco para explicar uma CPI que pode abalar a República. Os jornais de hoje já dizem que o PT já pensa em recuar. De qualquer forma, como se vê, a Cosa Nostra chegou aos trópicos.


Meu pitaco:

O Brasil virou mesmo um caso da Máfia.

No seu famoso romance “O Poderoso Chefão”, Mario Puzo retrata como deveria ser “a nova visão do crime” na concepção de Vito Corleone. Para ele, o poder político era a chave e ele tudo faz para consegui-lo.

Don Corleone até mesmo abre mão de excelentes negócios, como o nascente (e promissor) comércio de drogas — rejeita a oferta porque sabe que poderia perder os políticos e juízes que tem no seu bolso — e a trama se inicia daí.

Assim como no livro de Puzo, o que assistimos é a mesma trama novelesca. Jogo, drogas, tráfico de influência, etc, tudo demanda conexões nos três níveis do Poder — Executivo, Legislativo e Judiciário — e Cachoeira está presente em todos eles. Nada mais eloquente que ter para sua defesa o portentoso doutor Márcio, o preferido por dez em dez dos escroques endinheirados de Banânia. Estão entre sua seleta clientela os Lula da Silva, os EbatistaX, além de várias figuras mensalônicas. Pode aposentar-se agora que não consegue queimar seu pé-de-meia.

Será uma cachoeira (e não um rio) que lavará as cavalariças de Brasília? Duvido. A tão cantada república brasileira não nasceu, foi um aborto desde a primeira hora. Uma piada sem graça que contaram para um marechal doente e demente, contada por uma meia-dúzia de “patriotas” insatisfeitos. Seus pés tortos estão podres; balançam sobre o solo instável onde se assentou.

Mas tranquilizem-se, nada acontecerá; nossa república de pés-de-barro está salva. Já se sente ao longe o cheiro do orégano e do molho de tomates, a mozarela tostada faz bolhas; quem talvez não sobreviva ao cardápio sejamos nós.

segunda-feira, 26 de março de 2012

Ninguém merece

Tem gente que gosta. Reinaldo Azevedo gosta. Mas depois de ler esta reportagem do Estadão, é para se perguntar se o paulistano merece "tudo" isso. Grifos meus.

José Serra: ‘No nosso partido não tem dedaço'

Pré-canditado destaca o apoio do prefeito Gilberto Kassab à sua candidatura
SÃO PAULO - José Serra afirma que a democracia interna pode ocorrer com ou sem prévia, mas que no PSDB não há "dedaço". Ele destaca o apoio de Gilberto Kassab (PSD) à sua candidatura.

O sr. acredita que a prévia zelou pela democracia interna?
Um partido pode ter democracia interna com ou sem prévias. No PSDB, nunca ninguém deu um golpe de Estado ou baixou alguma autoridade suprema para dizer quem seria "o" candidato. No nosso partido, não há dedaço. Sempre foi um processo negociado, com democracia interna. Realizar prévias é uma das formas do exercício democrático. Dois pré-candidatos desistiram (Covas e Mattarazzo) porque consideraram que a minha postulação satisfazia suas proposições.

O governador Geraldo Alckmin teve papel isento no processo?
Foi e é isento como governador.

É importante receber o apoio do prefeito Gilberto Kassab?
É importante e estou satisfeito com isso. Aliás, pelo visto, o PT também achava importante. Tanto é que tentou obter o apoio do prefeito.

Entre três temas abordados com frequência em campanhas - educação, saúde e transportes - qual seria o mais relevante?
Os três. Não existe essa hierarquia. Você não usa ônibus em sala de aula, não alfabetiza em hospital nem cura as pessoas no transporte coletivo. É como indagar se água é mais importante do que comida ou se ambas são mais importantes do que a liberdade. Quem escolher ou água ou comida está escolhendo se morre de sede ou de fome. Quem escolher as duas e renunciar à liberdade, vai comer mal e beber mal numa masmorra.

Haverá polarização entre o PT e o PSDB na eleição de SP?
Quem decide é o eleitor.

A eleição, exemplo da de 2010, será marcada por uma discussão sobre costumes, como aborto?
Isso é tolice. Em 2010, esses foram temas inventados por meus adversários. Alguém leu ou ouviu alguma declaração minha a respeito neste ano? Quem não fala em outra coisa são os petistas. Têm receio desse assunto e atribuem aos outros uma ação que é deles. Estão muito preocupados. Eu não. Não tenho de esconder as minhas opiniões. Não tenho a ambição autoritária de dizer o que as pessoas podem ou não debater.
Na minha modesta opinião, o Serra surtou e voltou aos seus tempos de UNE. O que é isso companheiro?! Vamos lá:
  1. Todo mundo sabe que o o que mais existe no PSDB é "dedaço". Dizem até que são três: o do FHC, o do Aécio e o do... do... do Serra mesmo.
  2. O Covas e o Matarazzo retiraram suas candidaturas por força de "dedaços" do governador Alckmin.
  3. Alckmin nunca foi isento; nem como governador, nem como Alckmin.
  4. Claro que existe hierarquia, porque não se pode fazer tudo a um só tempo. Falar que educação, saúde e transportes são igualmente importantes é repetir o óbvio. Sabemos que quem fala assim acaba por fazer nada, então, inteligente é dizer o que se vai fazer, quando e com o que. Serra, onde foi que você comprou seu diploma de economista? Já o resto da sua resposta cheira a cânhamo, como na UNE.
  5. "Ambição autoritária?!" Não há no mundo quantidade suficiente desse material que satisfaça à necessidade de Serra. Mentiroso e palanqueiro como o Lula.
Pois é, o paulistano vai ter que coçar a moleira para escolher seu prefeito. Entre o Serra e o Haddad, quem começa a ficar palatável é o Chalita. Ô sina...

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

É muita desfaçatez de uma só vez

Wheeeeeee!!!
Desfaçatez pouca é bobagem, diria um popular. O escárnio de Serra — ora ungido pelos cardeais do PSDB — para com o eleitorado são-paulino, não tem medidas. Primeiro, fez com que dois postulantes às "prévias" (aspas necessárias) pusessem as pernas em torno do rabo e, contritos, abdicassem de postular a indicação do partido ao pleito municipal. Depois mudou a data da efeméride, segundo dizem para que não ocorressem no seu inferno astral. Vai ser cabotino assim lá nos infernos, nos astrológicos e nos satânicos!

Não sei quais favores Matarazzo e o Covas devem ao próprio Serra, ao governador Alckmin ou mesmo ao partido, mas a atitude deles é tão reles quanto a notória covardia de Serra. A conclusão a que chego é que o PSDB não pode mais se arvorar de ser a "oposição" (aspas indispensáveis) ao PT, nem Serra de ser o anticristo, isto é, o anti-Lula. Tanto eles quanto seus partidos não passam de faces da mesma moeda falsa — um dizendo-se oposto ao outro —, enquanto se esfregam de prazer pelas costas. Nenhum deles ou seus respectivos partidos são dignos do nosso respeito e do nosso voto, até porque, com qualquer um deles, o povo só tem a perder.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Costura grosseira em tecido difícil

Há quem diga que o PSDB não nasceu para ser oposição. Balela! Apesar de exercer o poder desde a sua fundação, qualquer partido que se preze precisa exercitar o contraditório, razão da Política. Em outras palavras —até mesmo quando está no poder— um partido exerce a oposição; ou faz isso ou desaparece de cena num piscar de olhos. Então, essa conversa de que este ou aquele político (ou partido) "nunca exerceu a oposição" não passa de retórica.

O que existe de fato no Brasil são conflitos de interesse. Aqui, todos os partidos são "de esquerda", no nome, na sigla e até no discurso, apesar de serem conservadores no comportamento e na ação. A título de exemplo, o PSDB fez um dos governos mais liberais que se tem notícia. Promoveu privatizações, incentivou a livre-iniciativa, fez investimentos em infraestrutura, modernizou e enxugou o Estado (poderia ter feito ainda mais), etc. Na área social, talvez tenha sido o governo que melhor tenha cuidado da Saúde e da Educação, com propostas e ações que refletem positivamente até hoje, passados mais de uma década. E se assim foi, por que não continuou?

Bom, esta é a tal da "pergunta incômoda", aquela que não quer calar, para a qual só encontro uma resposta: FHC errou ao indicar seu sucessor. Melhor ainda, ele nunca deveria tê-lo feito. FHC deveria ter entregue ao seu partido a tarefa de indicar o melhor sucessor para mais oito anos de mandato. Infelizmente, o "S" do partido falou mais alto e escolheram a pessoa errada. Candidato da "Executiva", Serra não era a pessoa certa para o bom momento Lula. Em que pese suas excelentes qualificações, ele não era (nem nunca foi) páreo para o discurso ufanista (e mentiroso) do seu oponente. Falta-lhe "jogo-de-cintura", ginga, malícia; tudo o que sobra no outro oponente. Foi um massacre, guardadas as proporções.

Resumindo a curta história, o PSDB se notabilizou por fazer um belo governo conservador, queira você chamá-lo de direita, liberal ou mesmo neoliberal, embora eu não saiba bem o que as pessoas entendem por neoliberal. Para mim, será sempre conservador. Pode não ter sido um belo governo para muitos, mas foi muito bom para o País, que é o que conta. Os resultados estão aí para quem quiser ver e comparar, tão eloquentes que Lula não se atreveu a mudar uma palha sequer de seu lugar; apenas e tão somente mudou o discurso, que é o que a patuleia compra. É nisso que o PT é muito melhor que o PSDB: na retórica. Obras e realizações são para eles apenas detalhes menores, afinal, o que são promessas não cumpridas depois de apuradas as urnas?

O lulo-petismo turvou nossa realidade de tal maneira que ficou difícil entender o momento atual. Quando um partido como o PSD (de Kassab) é criado, aquele que diz "não ser de direita, de esquerda ou de centro", então fica claro que baixou um Exu na política, porque Exu "é a bagunça generalizada e o silêncio completo. Diz-se que Exu é a contradição. É o sim e o não; o ser e o não ser. Exu é a confusão de ideias que temos. É a invenção, descoberta. Exu é o namoro, é o desejo, é o sentimento de paixão desenfreadas e é também o desprezo. Exu é a voz, o grito, a comunicação. É a indignação e a resignação. É a confusão dos conceitos básicos. Aquele que ludibria, engana e confunde; mas também ajuda, dá caminhos, soluciona. É aquele que traz dor e a felicidade." Deus nos livre de Exu! —ao menos desse Exu-Kassab—, a "nova" noiva do lulo-petismo, a "arma secreta" para se vencer as eleições em São Paulo.

Isso sim é um Exu com pedigree!
Kassab se faz de esfinge: oferece seu partido e a si próprio ao PT paulista, diz ser da "base aliada" e, ato contínuo, jura amores a Serra. Como se pode acreditar em tal "rameira". Serra, por sua vez, não está muito bem com o eleitorado de São Paulo, embora custa-me acreditar que o são-paulino vá votar em Haddad ao invés de num Matarazzo ou num Covas. Sei lá, mas como disse antes, o Exu veio para confundir e avacalhar. Vejam o caso de Serra, certamente um dos melhores nomes do PSDB para concorrer à Prefeitura de São Paulo:
  1. Já foi prefeito uma vez. Jurou que cumpriria o mandato integralmente; registrou a "promessa" em cartório e descumpriu o acordo, fato que será muito bem lembrado se for ele o candidato.
  2. Se for ele o candidato, desarma a parceria Exu-Kassab/PT, mas só se for já. Se demorar muito, como nas outras vezes, o Exu-Kassab pode se eximir da sua "fidelidade canina" ao mentor, nenhum problema em se tratando da fidelidade de um Exu.
  3. Se for ele o candidato, como bem lembrou Merval Pereira no seu podcast na CBN, ele terá que se comprometer, desde já, com a candidatura Aécio em 2014. Ai! Essa vai doer e não só nos calos de Serra. Mas, pensando bem, não existe outra forma dele sinalizar ao eleitorado são-paulino, que ele não roerá novamente a corda passados mais dois anos. Não mesmo...
  4. Por fim, restam as famigeradas prévias. Serra as detesta de coração. Ele não se permite confrontar com tucanos de plumagem inferior, não mesmo. É pena (desculpem o trocadilho), mas isso mostra que, bem lá no fundo, Serra não é um democrata, muito menos um liberal.
Esta é a razão dele ter perdido para Lula e, pasmem, perdido também para Dilma! Pode-se até pensar que o eleitorado é burro, mas não é. Ele pode ser ignorante —e o é em sua maioria— mas não é burro; sabe que Serra soa falso quando se apresenta como liberal, porque ele sempre foi da esquerda. Foi aí que FHC se enganou (ou quis se enganar) e perdeu. E como já disse noutros artigos, o povo quer uma alternativa para Lula/Dilma —um antípoda, se preferir—, até porque se lhes oferecerem um falso-Lula para tal, eles, sabiamente, ficarão com o original.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Quem precisa de inimigos com tais amigos

Está lá, no Estadão de hoje (grifos meus):

Jovens reeditam embate Serra versus Aécio
AE - Agência Estado

O congresso nacional da Juventude do PSDB, que começa hoje em Goiânia, promete se tornar um microcosmos do racha tucano entre apoiadores do senador Aécio Neves (MG) e do ex-governador de São Paulo José Serra. Ambos são esperados no evento e devem usar suas falas para tentar mobilizar os militantes em seu favor. Os líderes jovens do PSDB estimam que atualmente a maioria dos diretórios estaduais é comandada por aecistas. O afastamento de Serra desta ala do partido teria se intensificado com o bate-boca, em novembro, entre o ex-governador e o presidente da juventude do tucanato paulista, Paulo Mathias. Serra deve aproveitar o discurso de amanhã para elogiar Mathias e diminuir sua rejeição.

Os militantes mais alinhados ao ex-governador de São Paulo, contudo, tentam minimizar a briga entre ele e Mathias. "Não houve briga! Isso já foi resolvido", diz enfaticamente Wesley Goggi, secretário nacional de juventude do PSDB. Ele pertence ao diretório do Espírito Santo, hoje visto como um dos mais serristas. Foi dele o convite para que Serra e Aécio participassem do evento. "Não tem desconforto nenhum", garante, reiterando que o debate sobre o candidato à Presidência só deve ser feito em 2013.

O presidente da Juventude do PSDB, Marcelo Richa - que os outros tucanos veem como um articulador de seu pai, o governador do Paraná, Beto Richa, e alheio à disputa entre Serra e Aécio -, também nega qualquer conflito entre os dois líderes partidários: "A juventude tem batalhado muito pela unidade".

Acho que deu para notar, pelos meus grifos, que não vi nada de bom na notícia acima e não vi mesmo! É impressionante que o PSDB — outrora um grande partido — tenha se transformado num partideco de baixa categoria. Vá lá, ainda tem algum tamanho e influência, mas é um arremedo da sombra que fazia antes.

O partido se enveredou nessa disputa entre Serra e Aécio e ainda não percebeu que só fazem o jogo do PT e do PMDB. Ninguém ainda percebeu que se trata do clássico "dividir para conquistar"? A coisa já está ruim a partir do atual presidente do partido, que nem tem força para enfrentar os grupelhos que se formam aqui e ali. Olhem novamente para a matéria acima e vocês verão que existem "serristas", "aecistas", e pasmem!, "richistas" também. Ora, não há partido que resista a tantas divas; acabará queimado às cinzas nesta fogueira de vaidades.

O que o PSDB precisa é assumir seu papel — como bem ensinou o ex-presidente FHC — e este lugar é a DIREITA. Isso mesmo! Existe um imenso vazio na ala conservadora e o PSDB insiste em arrumar lugar na esquerda entulhada pelo PT e outros partidos da linha esquerdista. Deixem as esquerdas com eles. Tem mais: não se preocupem com o PMDB — ele se alinhará automaticamente com a proposta vencedora. Dito isto, o PSDB, Dem, PSD e, acho, o PPS, devem compor um projeto eleitoral, uma meta a ser perseguida, aliás, como fez o PT. O PSDB herdou o Poder a partir do sucesso do Plano Real do governo Itamar, então, nunca precisou fazer muita força para nada. Agora é diferente.

Definida a meta, selecionar os melhores quadros (pessoas) para o cargos eletivos. Vamos esquecer aqueles pré-requisitos idiotas como "ele é o mais competente", "ela é a melhor preparada" e que tais. Não é isso que ganha votos. Política não é a escolha de um CEO para uma empresa, não é a contratação do melhor funcionário para um cargo. Política é o convencimento do eleitorado. Para uma parte dele, de se ter a melhor proposta; para outra, de ser a melhor resposta; e assim vai. Então, em política ganha quem convence mais e melhor. Simples assim!

Com isso, quero dizer que não importa as qualificações técnicas de um Serra se um Aécio for capaz de arrumar mais votos. Escolher Serra para concorrer a uma eleição seria/é dar um tiro no pé. Como disse uma vez o Juca Chaves, "Tem todas as qualidades que desprezo e nenhum dos vícios que admiro." O eleitorado é mais ou menos assim; não votam olhando o currículo de ninguém, votam olhando sua estampa. Alguém aí se lembra da eleição do Collor? Pois é... Então, se o eleitorado quiser Aécio, dê Aécio a eles, porque se vocês derem Serra vão perder com Serra, novamente, pela terceira vez.

Grosso modo, não é preciso ser um "mauricinho", mas é preciso ter estampa. Também não precisa ser competente, basta falar bem e com desenvoltura. E mais importante: não precisa ser uma unanimidade (posto que são burras), apenas que tenha baixa rejeição. Tudo o mais que faltar ao candidato, os partidos que o apoi(ar)am certamente proverão, não necessariamente com pessoas, mas com boas indicações para os cargos certos. Isto é um projeto de Poder duradouro e vencedor.

Para terminar, a campanha de 2014 começa agora, na campanha de 2012. Se, por exemplo, o PSDB perder São Paulo, dificilmente poderá se lançar para a Presidência da República. Garantir a cidade de São Paulo é uma daquelas metas que falei há pouco. O estado já está com o partido, então manter a cidade é a meta imediata a ser cumprida. Serra é um bom nome, mas se ele não quiser, tem que ser o de um aliado forte, no caso Afif do PSD. Lamentavelmente, o PSDB paulista parece não ver as coisas assim ou simplesmente não vê.

First things first! Já é mais do que hora do PSDB se entender, nem que seja à custa de uns puxões de orelha e palmadas, ao menos enquanto a lei permitir. FHC está certo quando diz que tanto Lula quanto o PT podem ser batidos. Aécio e Serra também dizem a mesma coisa, só que eu creio que o eleitorado não acredita em Serra, afinal, já disse isso a ele três vezes. Será preciso desenhar? Vamos lá, cortem logo o baralho porque jogo é para ser jogado e a fila precisa andar.

Eis minha receita para uma campanha vitoriosa. De volta ao Poder, (re)fazer as coisas que o País precisa, como privatizações, investimentos em infraestrutura, educação e saúde; porque, até hoje, o PT ainda não desceu do palanque.