Há quem diga que o PSDB não nasceu para ser oposição. Balela! Apesar de exercer o poder desde a sua fundação, qualquer partido que se preze precisa exercitar o contraditório, razão da Política. Em outras palavras —até mesmo quando está no poder— um partido exerce a oposição; ou faz isso ou desaparece de cena num piscar de olhos. Então, essa conversa de que este ou aquele político (ou partido) "nunca exerceu a oposição" não passa de retórica.
O que existe de fato no Brasil são conflitos de interesse. Aqui, todos os partidos são "de esquerda", no nome, na sigla e até no discurso, apesar de serem conservadores no comportamento e na ação. A título de exemplo, o PSDB fez um dos governos mais liberais que se tem notícia. Promoveu privatizações, incentivou a livre-iniciativa, fez investimentos em infraestrutura, modernizou e enxugou o Estado (poderia ter feito ainda mais), etc. Na área social, talvez tenha sido o governo que melhor tenha cuidado da Saúde e da Educação, com propostas e ações que refletem positivamente até hoje, passados mais de uma década. E se assim foi, por que não continuou?

Bom, esta é a tal da "pergunta incômoda", aquela que não quer calar, para a qual só encontro uma resposta: FHC errou ao indicar seu sucessor. Melhor ainda, ele nunca deveria tê-lo feito. FHC deveria ter entregue ao seu partido a tarefa de indicar o melhor sucessor para mais oito anos de mandato. Infelizmente, o "S" do partido falou mais alto e escolheram a pessoa errada. Candidato da "Executiva", Serra não era a pessoa certa para o bom momento Lula. Em que pese suas excelentes qualificações, ele não era (nem nunca foi) páreo para o discurso ufanista (e mentiroso) do seu oponente. Falta-lhe "jogo-de-cintura", ginga, malícia; tudo o que sobra no outro oponente. Foi um massacre, guardadas as proporções.
Resumindo a curta história, o PSDB se notabilizou por fazer um belo governo conservador, queira você chamá-lo de direita, liberal ou mesmo neoliberal, embora eu não saiba bem o que as pessoas entendem por
neoliberal. Para mim, será sempre conservador. Pode não ter sido um belo governo para muitos, mas foi muito bom para o País, que é o que conta. Os resultados estão aí para quem quiser ver e comparar, tão eloquentes que Lula não se atreveu a mudar uma palha sequer de seu lugar; apenas e tão somente mudou o discurso, que é o que a patuleia compra. É nisso que o PT é muito melhor que o PSDB: na retórica. Obras e realizações são para eles apenas detalhes menores, afinal, o que são promessas não cumpridas depois de apuradas as urnas?

O lulo-petismo turvou nossa realidade de tal maneira que ficou difícil entender o momento atual. Quando um partido como o PSD (de Kassab) é criado, aquele que diz "não ser de direita, de esquerda ou de centro", então fica claro que baixou um Exu na política, porque Exu "é a bagunça generalizada e o silêncio completo. Diz-se que Exu é a contradição. É o sim e o não; o ser e o não ser. Exu é a confusão de ideias que temos. É a invenção, descoberta. Exu é o namoro, é o desejo, é o sentimento de paixão desenfreadas e é também o desprezo. Exu é a voz, o grito, a comunicação. É a indignação e a resignação. É a confusão dos conceitos básicos. Aquele que ludibria, engana e confunde; mas também ajuda, dá caminhos, soluciona. É aquele que traz dor e a felicidade." Deus nos livre de Exu! —ao menos desse Exu-Kassab—, a "nova" noiva do lulo-petismo, a "arma secreta" para se vencer as eleições em São Paulo.
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Isso sim é um Exu com pedigree! |
Kassab se faz de esfinge: oferece seu partido e a si próprio ao PT paulista, diz ser da "base aliada" e, ato contínuo, jura amores a Serra. Como se pode acreditar em tal "rameira". Serra, por sua vez, não está muito bem com o eleitorado de São Paulo, embora custa-me acreditar que o são-paulino vá votar em Haddad ao invés de num Matarazzo ou num Covas. Sei lá, mas como disse antes, o Exu veio para confundir e avacalhar. Vejam o caso de Serra, certamente um dos melhores nomes do PSDB para concorrer à Prefeitura de São Paulo:
- Já foi prefeito uma vez. Jurou que cumpriria o mandato integralmente; registrou a "promessa" em cartório e descumpriu o acordo, fato que será muito bem lembrado se for ele o candidato.
- Se for ele o candidato, desarma a parceria Exu-Kassab/PT, mas só se for já. Se demorar muito, como nas outras vezes, o Exu-Kassab pode se eximir da sua "fidelidade canina" ao mentor, nenhum problema em se tratando da fidelidade de um Exu.
- Se for ele o candidato, como bem lembrou Merval Pereira no seu podcast na CBN, ele terá que se comprometer, desde já, com a candidatura Aécio em 2014. Ai! Essa vai doer e não só nos calos de Serra. Mas, pensando bem, não existe outra forma dele sinalizar ao eleitorado são-paulino, que ele não roerá novamente a corda passados mais dois anos. Não mesmo...
- Por fim, restam as famigeradas prévias. Serra as detesta de coração. Ele não se permite confrontar com tucanos de plumagem inferior, não mesmo. É pena (desculpem o trocadilho), mas isso mostra que, bem lá no fundo, Serra não é um democrata, muito menos um liberal.
Esta é a razão dele ter perdido para Lula e, pasmem, perdido também para Dilma! Pode-se até pensar que o eleitorado é burro, mas não é. Ele pode ser ignorante —e o é em sua maioria— mas não é burro; sabe que Serra soa falso quando se apresenta como liberal, porque ele sempre foi da esquerda. Foi aí que FHC se enganou (ou quis se enganar) e perdeu. E como já disse noutros artigos, o povo quer uma alternativa para Lula/Dilma —um antípoda, se preferir—, até porque se lhes oferecerem um falso-Lula para tal, eles, sabiamente, ficarão com o original.
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