sábado, 10 de setembro de 2011

São uns beócios esses governadores

Uma penca de governadores CANALHAS está defendendo a volta da CPMF, agora com o nome de CSS, acrônimo para Contribuição Social para a Saúde. São pessoas norteadas apenas para o bem servir, todos eivados das mais puras e alcandoradas intenções. Por que tratar tais figuras públicas de "beócios"? Diz o Houaiss:
n adjetivo e substantivo masculino
1    relativo à Beócia, região da antiga Grécia ao Norte e Noroeste da Ática, ou o seu natural ou habitante
2    Derivação: por extensão de sentido. Uso: pejorativo.
que ou o que apresenta as características atribuídas (pelos atenienses) aos beócios, ou seja, espírito pouco cultivado, indiferença à cultura; grosseiro, boçal
3    Derivação: por extensão de sentido. Uso: informal, pejorativo.
que ou o que não possui conhecimentos suficientes em determinado domínio; ignorante
4    Derivação: por extensão de sentido (da acp. 2).
que ou o que é simplório, ingênuo
Como nossos "beócios", certamente não são aqueles originários da Grécia antiga, ao Norte e Noroeste da Ática, sobra para eles apenas a derivação por extensão de sentido: aqueles que são de "espírito pouco cultivado, indiferentes à cultura; grosseiros e boçais" e demais. E são mesmo! O Governo Central da União — pela Lei corrente — não tem qualquer obrigação de repartir com Estados e Municípios arrecadações oriundas de contribuições. Esta é a razão porque os recursos da extinta CPMF, da CIDE, do PIS, COFINS e dessa proposta CSS nunca chegou ou chegarão aos Estados e Municípios.

Entretanto, se for mesmo criada, a CSS "chegará" aos nossos bolsos. Estamos à mercê ora de um bando de  C A N A L H A S, ora de  B E Ó C I O S. Até quando?

Muito dinheiro no bolso

Gostei muito desse texto que li no blog do Reinaldo Azevedo, tanto que ele me inspirou um outro próprio que publicarei a seguir. A imagem é emblemática; o texto também. Vale conferir...

Cidadãos indignados, de todas as idades, protestam em Brasília.
Foto de Eraldo Peres, da AP


No dia em que milhares de brasileiros saíram às ruas para protestar contra a corrupção, a UNE não saiu, não!
É que a UNE estava contando dinheiro.
O governo petista já repassou aos pelegos mais de R$ 10 milhões e vai dar outros R$ 40 milhões para eles construírem uma sede de 13 andares, que serão ocupados pelo seu vazio de idéias, pelo seu vazio moral, pelo seu vazio ético.

No dia em que milhares de brasileiros saíram às ruas para protestar contra a corrupção, a CUT não saiu, não!
É que a CUT estava contando dinheiro.
O governo petista decidiu repassar para as centrais sindicais uma parte do indecoroso imposto cobrado mesmo de trabalhadores não-sindicalizados. Além disso, boa parte dos quadros das centrais exerce cargos de confiança na máquina federal.

No dia em que milhares de brasileiros saíram às ruas para protestar contra a corrupção, o MST não saiu, não!
É que o MST estava contando dinheiro.
O movimento só existe porque o governo o mantém com recursos públicos. Preferiu fazer protestos contra a modernização da agricultura.

No dia em que milhares de brasileiros saíram às ruas para protestar contra a corrupção, os ditos movimentos sociais não saíram, não!
É que os ditos movimentos sociais estavam contando dinheiro.
Preferiram insistir no seu estranho protesto a favor, chamado “Grito dos Excluídos”. Na verdade, são os “incluídos” da ordem petista.

Os milhares que saíram às ruas, com raras exceções, não têm partido, não pertencem a grupos, não reconhecem um líder, não seguem a manada, não se comportam como bando, não brandem bandeiras vermelhas, não cultuam cadáveres de falsos mártires nem se encantam com profetas pés-de-chinelo.

Os milhares que saíram às ruas estudam, trabalham, pagam impostos, têm sonhos, querem um país melhor, estão enfarados da roubalheira, repudiam a ignorância, a pilantragem, lutam por uma vida melhor e sabem que a verdadeira conquista é a que se dá pelo esforço.

Os milhares que saíram às ruas não agüentam mais o conchavo, têm asco dos vigaristas que tomaram de assalto o país, não acreditam mais na propaganda oficial, repudiam a política como exercício da mentira, chamam de farsantes os que, em nome do combate à pobreza, pilham o país, dedicam-se a negociatas, metem-se em maquinações políticas que passam longe do interesse público.


Uma parte parte da minha infância, toda a minha adolescência e início da minha vida adulta passou-se na ditadura. É bom que se diga que sofríamos restrições como a censura prévia, vigilância oficial a órgãos como UNE, DAs e DCEs, a deduramento eventual de infiltrados e coisas assim, mas tocava-se a vida com normalidade, isto é, estudávamos, divertíamos, praticávamos esportes, íamos a teatros, shows, cinema... Havia os festivais de música e a MPB bombava a 1000. Posso confessar, era demais!

Ser "rebelde" ou "subversivo" — que era como os militares se referiam a qualquer um não conforme — era uma arte. Na verdade, era tudo muito romântico. O negócio era criar um ar de rebeldia — muito eficiente para os namoros — e ficar naquela de falar mal do governo, cantar músicas, tocar violão e namorar. Passávamos o tempo entre cantorias, bebedeiras, bitocas e amassos; um misto de mise en scène e de joie de vivre.

Os subversivos mesmo eram uns porra-loucas que invadiam quartéis e delegacias para roubar armas, praticavam assaltos a bancos e sequestros, jogavam bombas em quartéis, matavam e morriam; geralmente açodados por um porra-louca-esperto que nunca punha a cara de fora para não queimar os bigodes. Não me pergunte sobre essa gente porque nunca fui dessa turma.


O nosso negócio mesmo era cantar "músicas de protesto", a forma como disseminávamos nossa inconformidade e formávamos opiniões. Como eram geniais as composições de Chico, Vandré, Elis, MPB4, Milton, Capinam, Edu Lobo, Caetano e Gil... Ah, saudades do Gil daqueles tempos, porque o Gil de hoje devia estar contando dinheiro.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Governadores (canalhas) defendem a volta da CPMF

É uma vergonha. Essa estultice já foi derrotada mais de uma vez e uns imbecis insistem em recriá-la. É aviltante.

A notícia está em todos os jornais mas vocês podem ler uma boa matéria no Estadão. Segue uma sinopse.
A maioria dos governadores eleitos em outubro defende a recriação de um imposto nos moldes da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), extinta pelo Senado em 2007. Apenas seis governadores de oposição - dois do DEM e quatro do PSDB - disseram ser contra a medida. Mesmo assim, um tucano, o mineiro Antonio Anastasia, está entre os 14 que se manifestaram a favor da volta do imposto do cheque.


O Estado procurou os 27 governadores que continuam no cargo ou tomam posse em janeiro. Dois não foram localizados e cinco não se manifestaram. Entre esses está o alagoano Teotonio Vilela, que em 2007 chegou a dizer que “todos os governadores do PSDB” queriam a aprovação da CPMF. Os cinco petistas eleitos apoiaram a iniciativa.

É impressionante que eles não mostrem quaisquer pudores. O Anastasia (PSDB-MG) trai seu eleitorado frontalmente, assim como Cabral (PMDB-RJ) trai o dele. E eles sabem que os dinheiros da CPMF jamais irão para a saúde, jamais irão para os seus estados, quanto muito algumas migalhas como uma ambulância ou uma verbinha para um posto de saúde. Mas a conta irá para os cidadãos! Assim é com a CIDE, FUST e outras canalhices.

Aqui em Minas, é bom dizer, nós já pagamos uma das maiores cargas tributárias estaduais. As alíquotas dos nossos ICMS, IPVA, TRLAV e que tais estão estre os campeões nacionais. Felizes os mineiros que moram próximo às fronteiras.

E tem mais: o aumento que o Mantega fez na alíquota do IOF deu mais arrecadação do que aquela CPMF extinta em 2007. Pergunto: a saúde melhorou? Claro que não. Não melhorou, não melhora e não melhorará porque os canalhas querem o dinheiro para eles. 

Por que não defendem uma reforma tributária que faça com que os tributos retornem a quem de direito? Por que não estão pressionando por uma reforma político-partidária que acabe com esse saco-de-gatos, essa empulhação que é a nossa política? Parabéns aos seis governadores que sabem o quanto dói na população mais esse esbulho. Espero que outros se juntem a eles. Quanto à canalhada, nós — a população esbulhada — nos encontraremos nas próximas eleições. Enquanto elas não vêm, vaiamos vocês aqui mesmo.

C A N A L H A S !   C A N A L H A S !   C A N A L H A S !

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Resumo da ópera: reflexos da queda da Taxa Selic

A semana começa em clima de "barata-voa" nos mercados. Baixa geral nas bolsas de todo o mundo, exceto nos EUA onde é feriado (ufa!), assim como aqui. Mas tem mais. O Focus Relatório de Mercado (i.e. a opinião do mercado privado sobre a nossa economia), refletindo as medidas do Bacen da semana passada, aponta o seguinte quadro:
  1. Redução da previsão de juros futuros, que impacta diretamente na queda do serviço da dívida. O governo espera promover um crescimento econômico de 4% ainda neste ano e de 5% no próximo, mas o mercado não acredita em nada além de 4% nos dois anos (na verdade trabalham com valores mais para 3,5% que para 4%). Convenhamos, em ambos os casos, ficamos entre o extremamente ruim e o pífio.
  2. Aumento da taxa de inflação futura. Traduzindo, maior tolerância do governo com o aumento da inflação, ou ainda, a meta de 4,5% a.a. vai para o vinagre. Para os que acreditam que alguma inflação possa ser benéfica eu sempre respondo que o único benefício prático da inflação é esconder a incompetência. A inflação destrói a meritocracia, talvez a razão de ser defendida por "governos [ditos] progressistas".
  3. E claro, a "independência do Banco Central" foi para as cucuias. Quem manda é a presidente (é?) e o Tombini se perdeu pelo nome: tombou.
Alguém sempre pode pensar que o mercado é um bicho insensível, que eu faço parte da "zelite", que o povão está satisfeito e é isso que importa. Vá lá! No curto prazo tudo é festa e a longo prazo estaremos todos mortos, mas já existem sinais de que a "nova classe média" — eufemismo para a ascensão das classes C, D e E para os patamares de consumidores contumazes — dá sinais de "cansaço".

Consumir, quando se tem crédito, é uma beleza. O problema sempre está na conta do cartão, no cheque-especial negativo e na impossibilidade de se garantir a perenidade do emprego. O brasileiro é imediatista — quer consumir agora, não importa a que preço (ou taxa). Mais que demonstrar ter atitude inconsequente, revela total irresponsabilidade com seu próprio futuro. Existe aumento constante da inadimplência, isso é fato. O último aumento foi de 6,37% (em relação ao ano passado) e foi a sétima alta consecutiva do índice! Resta ver até quando se manterá o crédito aberto. Com a redução das taxas de juros, não será por muito tempo, ou será por custo muito maior. É esperar para ver.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Cumarina e ratoeiras neles!

Num post logo abaixo eu dei um puxão de orelhas nele. Mas uma das melhores coisas da Liberdade está nisso: podemos concordar em discordar; no final, todos saem ganhando. Reparem neste artigo onde o melhor Chagas se mostra. Eu só adicionei a charge do Nani para não ficar muito dark.

Ratos e ratazanas em Brasília


Anos atrás, quando alguns ingênuos e muitos malandros sem assunto escreviam e discursavam contra Brasília, chamando-nos de paraíso dos corruptos e ninho de ratos, ficava fácil devolver a grosseria, respondendo que os ratos e os corruptos vinham de fora. Chegavam às terças e iam embora às quintas-feiras. Até que essa réplica deu certo, porque pararam de denegrir a capital federal.

Recrudesceram. Voltaram a jogar lama em Brasília, e o diabo é que perdemos nossos argumentos. Desde o escândalo que resultou na cassação do senador Luís Estevão até a renúncia do senador Joaquim Roriz, para não ser cassado, e entrando pela lambança do governo José Roberto Arruda, a conclusão é outra. Corruptos e ratos vicejam por aqui. Ratazanas, também. Não se afastam da cidade nos fins de semana, porque foram eleitos pelo povo de Brasília.

Uma lástima. A cidade viu-se nivelada por baixo. Apesar de figuras exemplares ainda sejam encontradas na representação eleita pelos brasilienses, aumenta a olhos vistos o número de lambões. Integraram-se na quadrilha que vem de fora, a ponto de não haver diferença entre os diversos tipos de roedores.

Evidência disso foi a absolvição de Jacqueline Roriz, que saiu aos seus. Flagrada recebendo dinheiro podre de um podre assessor do pai, acaba de ter seu mandato de deputada federal confirmado por 265 colegas. Apenas 166 votaram pela sua cassação, sendo que 20 se abtiveram. Não houve distinção partidária. Ela recebeu a solidariedade da maioria das bancadas do PMDB, do PT, do PTB e outras legendas que apoiam o governo federal e o governo local, mas, também, do PSDB, do DEM e do PPS, da oposição. Espera-se que ratoeiras venham a ser artigo muito bem vendido nas próximas eleições.

Chão de "Estrelas"